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Questão 1138904

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 1

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Assinale a opção em que se encontram, respectivamente, os sinônimos das palavras destacadas abaixo.


“ . . . e     n ã o   a t r a v e s s e i     I N C Ó L UM E     a s   transformações da puberdade.” (parágrafo 1)

“...Talvane avançava IMPÁVIDO pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.” (parágrafo 10)

Elas foram definidas na Idade Média e levam essa ALCUNHA por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.” (parágrafo 15)

“Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do MENTOR.” (parágrafo 11)


  • A.

    revoltado – vitorioso – marca – estudo.

  • B.

    ileso – intrépido – apelido – mestre.

  • C.

    angustiado – irritado – peso – conteúdo.

  • D.

    intato – sereno – conceito – conselheiro.

  • E.

    heroicamente – destemido – formação –professor.

Questão 1138906

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 2

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Na conclusão do texto, a autora aponta as principais características que deve ter um educando. São elas:

  • A.

    intuição – enfado – determinação.

  • B.

    pertinência – disciplina – didática.

  • C.

    persistência – curiosidade – interesse.

  • D.

    objetividade – liberdade – tenacidade.

  • E. experiência – conformismo – capacidade de articulação.

Questão 1138908

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 3

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

De acordo com o que se pode depreender do texto, apenas uma das afirmativas abaixo NÃO é verdadeira.Aponte-a.

  • A.

    A dificuldade enfrentada nas aulas do professor Talvane impulsionou a autora a debruçar-se sobre os livros.

  • B.

    Conforme a autora, o currículo é pertinente para a avaliação da capacidade de um profissional.

  • C.

    Segundo o exemplo da autora do texto, às vezes o esforço compensa a dificuldade.

  • D.

    A autora sente-se insegura quanto às escolhas que fez na educação dos filhos.

  • E.

    Os direcionamentos pedagógicos se mantêm inalterados e remontam à Idade Média.

Questão 1138911

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 4

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

"Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo TERRENO ARENOSO sem maiores delongas nem explicações.”Aque se refere o termo destacado?
  • A.

    às leis da probabilidade.

  • B.

    seu humor pragmático.

  • C.

    o 2º ano do curso científico.

  • D.

    o desinteresse dos alunos.

  • E.

    à dificuldade do conteúdo.

Questão 1138912

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 5

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Em: “...BATI CONTRA O MURO DOS CÁLCULOS que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.”, o termo destacado encerra uma figura de linguagem:

  • A.

    catacrese.

  • B.

    hipérbole.

  • C.

    eufemismo.

  • D.

    metonímia.

  • E.

    metáfora.

Questão 1138914

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 6

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

De acordo com a norma culta da língua, em qual dos trechos abaixo a autora comete um deslize quanto à regência verbal?

  • A.

    A) “Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro-negro.” (parágrafo 5)

  • B.

    “Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?” (parágrafo 3)

  • C.

    “Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, o imponderável acaso que me guiou.” (parágrafo 2)

  • D.

    Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade.” (parágrafo 6)

  • E.

    “Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.” (parágrafo 13)

Questão 1138916

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 7

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

“Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha” (parágrafo 6). Em relação ao que foi exposto anteriormente, esse período introduz ideia de:

  • A.

    conformidade.

  • B.

    contradição.

  • C.

    condição.

  • D.

    finalidade.

  • E.

    comparação.

Questão 1138918

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 8

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Na frase “Cresci certa DE MINHA MEDIOCRIDADE.” (parágrafo 1), que função sintática exerce o termo destacado?

  • A.

    Objeto indireto.

  • B.

    Objeto direto.

  • C.

    Sujeito.

  • D.

    Predicativo.

  • E.

    Complemento nominal.

Questão 1138920

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 9

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Em apenas uma das opções abaixo forma-se o plural da mesma forma que QUADRO-NEGRO.Aponte-a.

  • A.

    Guarda-roupa.

  • B.

    Alto-falante.

  • C.

    Bel-prazer.

  • D.

    Terça-feira.

  • E.

    Tico-tico.

Questão 1138921

Prefeitura de Linhares - ES 2011

Cargo: Professor de Educação Infantil / Questão 10

Banca: Fundação Professor Carlos Augusto Bittencourt (FUNCAB)

Nível: Superior

Leia o texto abaixo e responda às questões propostas.


                                                                                                                                Autodidata


Cresci certa de minha mediocridade. Não fui uma adolescente atlética ou especialmente bonita. Jamais demonstrei talento visível para a música ou para a matemática e não atravessei incólume as transformações da puberdade. Boa aluna, minha única característica louvável era ser dona de alguma capacidade de articulação.

Até hoje, parece-me impressionante que um ser com tantas reticências sobre si mesmo tenha conseguido se equilibrar minimamente nas próprias pernas. Não lembro de como fiquei de pé, foi o acaso, imponderável acaso que me guiou.

Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar os filhos. Como orientá-los se não sei, ou esqueci, o caminho que fiz?

Cursei o primário em escolas experimentais dos anos 70. Na época, a liberdade era vista como a orientadora suprema da pedagogia. Essa noção caiu em desuso. Uma revisão dos excessos do período levou ao senso comum de que a escola, por mais aberta que seja, não pode fugir do seu papel de autoridade mediadora.

Na adolescência, concluí o ensino médio em um colégio de padres com perfil avançado. Foi o mais perto que cheguei de um ensino de excelência. Encerrei meus estudos logo após o vestibular, disposta a ser atriz e não mais sentar na frente de um quadro- negro.

Não tenho orgulho de tal histórico. Admiro a solidez dos colégios tradicionais e gostaria de ter feito faculdade. Mesmo assim, matriculei meus rebentos em instituições herdeiras da pedagogia que me educou, talvez por receio de criá-los de maneira diferente da minha. Até hoje me pergunto se tomei a decisão certa.

Na sala de parto do meu segundo filho, pedi aos médicos que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado. Do anestesista ao obstetra, passando pelo pediatra e pelos principais assistentes, todos gabaritaram São Bento e Santo Inácio. O fato me deu segurança.

A responsabilidade exigida pela medicina requer dedicação e estudo. Tudo requer dedicação e estudo, mas em algumas profissões a falta de tais atributos pode levar à morte.

De todos os orientadores que tive – do tonitruante Moritz, a quem devo o fascínio eterno pela geografia, até a mais esquerdista das professoras de história –, a maior lição que recebi se deu com o professor Talvane, de matemática.

Talvane foi meu mestre no 2º ano do científico. Era um homem de humor pragmático que tinha por missão, naquele semestre de 1982, ensinar as movediças leis da probabilidade a uma plateia hostil de estudantes desinteressados. Acostumado às adversidades e sem alimentar autopiedade, Talvane avançava impávido pelo terreno arenoso sem maiores delongas nem explicações.

O dia da prova se aproximava e eu não entendia patavina da matéria. Em pânico com a iminência de um redondo zero, desisti do mentor. Enfurnada no quarto com os livros, bati contra o muro dos cálculos que mais pareciam hieróglifos por uma boa hora, até que, de repente, uma epifania aconteceu.As respostas passaram a se revelar antes mesmo de terminadas as contas. No lugar de fórmulas, a intuição; um estado prazeroso para além do esforço da razão.

A experiência não se repetiu. Não me transformei em uma aluna brilhante de lógica, física e geometria, simplesmente não tenho o dom, mas a surpresa de ter sido capaz de desenvolver um método próprio de aprendizado nunca mais me abandonou.

Foi com o professor Talvane e a probabilidade que dimensionei o valor da palavra autodidata.

A capacidade de sustentar uma busca, a curiosidade que não dá trela à preguiça e a disciplina do interesse são traços imperiosos no desenvolvimento de um educando, tenha ele 8 ou 80, siga ele a corrente pedagógica que lhe convier.

As sete artes liberais – a gramática, a retórica, a dialética, a música, a geometria, a aritmética e a ciência – ainda norteiam o que nos é passado em aula. Elas foram definidas na Idade Média e levam essa alcunha por serem consideradas a base imprescindível da formação do homem livre.

É a liberdade no sentido mais amplo do termo: a capacidade de assimilar, apropriar-se e relacionar os diferentes ramos do conhecimento, canalizando-os para os seus objetivos pessoais.

Todo homem livre é um autodidata. Formá-los ainda é o grande desafio da educação.


(Fernanda Torres, in Veja Rio, 6 de julho de 2011)


(Obs. Santo Inácio e São Bento – Colégios renomados do Rio de Janeiro)

Assinale a opção em que o termo destacado foi INCORRETAMENTE substituído.

  • A.

    . . . n ã o a t r a v e s s e i i n c ó l u m e A S TRANSFORMAÇÕES DA PUBERDADE.” (parágrafo 1) ...não as atravessei incólume.

  • B.

    B) “Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educar OS FILHOS.” (parágrafo 3) Essa é uma constatação incômoda quando se trata de educá-los.

  • C.

    “...pedi AOS MÉDICOS que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado.” (parágrafo 7) ...pedi-lhes que me dissessem o nome do colégio que haviam cursado.

  • D.

    “...ensinar AS MOVEDIÇAS LEIS DA PROBABILIDADE a uma plateia hostil de estudantes desinteressados.” (parágrafo 10) ...ensinar-lhes a uma plateia hostil de estudantes desinteressados.

  • E.

    “...simplesmente não tenho O DOM...” (parágrafo 12) ...simplesmente não o tenho...