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Segundo Cardoso em “Apelo ao outro na dor física crônica: a dimensão melancólica da queixa”, no que se refere à dor física crônica pode-se afirmar que:
a dor crônica possibilita simbolizar a perda, porque os seus limites tornaram-se precários pela ferida narcísica decorrente do desinvestimento materno na infância;
o corpo substitui o objeto perdido, uma vez que a dor corporal é necessária para manter vivo o objeto perdido, justamente porque a perda do objeto revela-se psiquicamente irrepresentável para este sujeito;
nos pacientes dolorosos crônicos a dor é desvalorizada, porque a dor constitui para ele um signo de contra identificação, uma vez que se trata de uma dor física e está desimplicada de sua identidade psíquica
o paciente desinveste da dor porque é através e por meio dela que ele se aliena de si, já que, por seu caráter excitatório, a dor física funcionaria como uma garantia do sentimento de solvência de identidade.