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O seguinte trecho retirado de Psicologia e Saúde Coletiva (Florianópolis: Tribo da Ilha, 2011, p. 90). “No trabalho que realizamos com Círculos de Cultura [com base na Educação Popular de Paulo Freire] em um grupo de tratamento ao tabagismo, por exemplo, uma usuária, após se informar melhor sobre o cigarro e o vício, e discutir com o coordenador do grupo e com outros usuários a respeito do assunto, decidiu que iria continuar fumando, e parou de se sentir culpada por isso. Naturalmente não é o resultado esperado por um profissional de saúde num grupo desse tipo, mas o usuário realizou uma reflexão crítica e terminou em um lugar diferente de onde havia começado o grupo.
Devemos insistir que ele está errado e deve parar de fumar, porque nós, detentores do saber, sabemos que fará mal para sua saúde? Deixamos a questão aberta à reflexão.”.
Pode-se afirmar que a intervenção do coordenador sobre o grupo de tabagistas centrou-se no(a):
No paradigma da abstinência como tratamento.
Aposta no acesso à informação, autonomia e singularidade do projeto terapêutico construído para cada sujeito.
Na política de redução de danos, que isenta as equipes de intervirem nas estratégias de cuidado definidas exclusivamente pelos usuários.
No fracasso da equipe em fazer com o usuário efetivamente interrompesse o tabagismo.
Ignorância do conhecimento das equipes profissionais acerca do tabagismo e na importância de impor o paradigma da abstinência nesses casos.