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O século 19 não conheceu normas que disciplinassem a realização de pesquisas com seres humanos. O padrão era utilizar os próprios pacientes como sujeitos das pesquisas, buscando um tratamento melhor para eles, ou recorrer à autoadministração do medicamento, no caso de o próprio médico ou dentista receber a droga em teste. Muito do que foi feito em termos de pesquisa naquela época teve como justificativa o “progresso da ciência”.
REGO, S. et al. Bioética: histórico e conceitos. In: Bioética para profissionais da saúde. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz. 2009, com adaptações.
Na atualidade, diversas mudanças ocorreram nas pesquisas científicas com humanos e com animais. Tem sido questionado não somente o sofrimento ao qual os animais são submetidos, mas também a impossibilidade de que eles se beneficiem dos procedimentos dos quais tomam parte. No Brasil, o primeiro instrumento legal a disciplinar o uso de pesquisas em animais foi a Lei Arouca (Lei n° 11.794/2018), que criou o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), e as comissões de ética no uso de animais (Ceua) em instituições que almejavam a pesquisa com animais. Acerca do uso de animais em pesquisa, assinale a alternativa correta.
O animal deverá aguardar o final do experimento para ser submetido à eutanásia, em estrita obediência às prescrições pertinentes a cada espécie, conforme as diretrizes do Ministério da Ciência e Tecnologia.
Excepcionalmente, quando os animais utilizados em experiências ou demonstrações não forem submetidos à eutanásia, poderão sair do biotério após a intervenção, ouvida a respectiva Ceua quanto aos critérios vigentes de segurança, desde que sejam destinados a pessoas idôneas ou a entidades protetoras de animais devidamente legalizadas, que por eles queiram responsabilizar-se.
É permitido o uso de bloqueadores neuromusculares ou de relaxantes musculares em substituição a substâncias sedativas, analgésicas ou anestésicas.
É permitida a reutilização do mesmo animal depois de alcançado o objetivo principal do projeto de pesquisa.
No que se refere à relação entre o nível de sofrimento para o animal e os resultados práticos que se espera obter, não cabe ao Concea restringir, proibir ou interferir em experimentos que importem em elevado grau de agressão.
Uma determinada instalação animal (biotério) estabeleceu, como manejo das suas colônias, a sexagem de ratos e camundongos em até 48 horas após o nascimento dos animais. Qual parâmetro observado pode ser utilizado como referência para a realização desse procedimento?
Presença de pelos nos recém-nascidos.
Número de animais por ninhada.
Comportamento materno.
Canibalismo dos filhotes.
Distância anogenital.
“O controle da experimentação animal é regido por legislações restritivas internacionais que impulsionam a maior conscientização dos cientistas e pesquisadores envolvidos na manipulação para a adoção de boas práticas”. Entre as boas práticas, é sugerido como requisito para o bem-estar animal:
Garantir que, durante a experimentação, os animais fiquem isolados individualmente nas caixas/gaiolas, uma vez que esse tipo de prática é menos estressor para o animal durante a experimentação.
O comportamento dos animais em experimentação deve ser modulado (independentemente do objeto e tipo de pesquisa), e a privação da liberdade para manifestação do comportamento normal é uma característica desejável durante o experimento.
Assegurar as melhores condições para que não ocorra estresse, medo e situações aflitivas.
A adoção de práticas que promovam o conforto do animal durante a experimentação, ou seja, melhores meios para evitar dor, traumatismos e injúrias deve ser evitada.
É fundamental ter-se a consciência de que o animal possui hábitos de vida próprios da sua espécie. Especificamente, em relação aos animais de laboratório, pode-se afirmar que eles não apresentam memória, não possuem o instinto de sobrevivência nem sensibilidade alguma a situações de angústia e dor. São essas razões, em específico, que fazem os animais de laboratório serem tão utilizados em pesquisa científica.
Sobre o uso de animais em experimentação animal, é correto afirmar que
a criação ou a utilização de animais para pesquisa fica restrita, exclusivamente, às instituições credenciadas na Comissão de Ética no Uso de Animais.
é vedado que os animais utilizados em experiências ou observações saiam do biotério após a experimentação e sejam destinados a entidades protetoras de animais.
é vedado, em programas de ensino, que vários procedimentos traumáticos sejam realizados em um mesmo animal.
é vedado o uso de bloqueadores neuromusculares ou de relaxantes musculares em substituição a substâncias sedativas, analgésicas ou anestésicas.
o animal poderá ser submetido às intervenções não recomendadas nos protocolos dos experimentos que constituem a pesquisa ou programa de aprendizado quando, antes, durante e após o experimento, receber cuidados especiais.
Os 3 Rs preconizados por Russel & Bursh (1959) significam em português: redução, substituição e refinamento dos métodos utilizados na pesquisa e ensino. Considerando a eutanásia de animais, assinale a alternativa que indica um procedimento dirigido para o aspecto refinamento.
Uso de modelos computacionais.
Não repetição de experimentos.
Padronização de linhagens de animais.
Uso de técnicas in vitro.
Divulgação de experimentos.
O manejo adequado de animais de laboratório implica na interação de diversos fatores (físicos, químicos ou biológicos). Com relação a esse assunto, assinale a alternativa correta.
O mais comum e mais sério dos contaminantes ambientais dos biotérios é o amoníaco (NH3).
Não é permitida, em nenhuma circunstância, a decapitação dos animais.
O grau de invasividade 3 refere-se a experimentos que causam estresse, desconforto ou dor de leve intensidade, como, por exemplo, as biópsias.
A temperatura ideal para a manutenção de camundongos em biotérios é de 29 ⁰C.
Deve-se preferir o uso de ventilação e luz natural para se reduzir a interferência no metabolismo e no ciclo estral dos animais.
Coletas aleatórias de amostras de animais abatidos e de leite, ovos, mel e pescado são realizadas a fim de atender ao subprograma de monitoramento, que é a principal linha de amostragem do Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes (PNCRC).
As amostras coletadas são encaminhadas para processamento em estabelecimentos sob Serviço de Inspeção Federal (SIF), em atendimento a ordens de coleta (Requisições Oficiais de Análise (ROA)) geradas pela unidade central do MAPA (CRISC/DIPOA).
De acordo com o estabelecido pelo subprograma de monitoramento, é correto afirmar que
com os intuitos de assegurar que o resultado de análise pode ser relacionado a uma única propriedade rural e de realizar as ações de seguimento em caso de eventual violação, as quais incluem a fiscalização da propriedade de origem dos animais/produtos, a amostragem deve se dar antes da mistura de animais ou produtos de diferentes lotes (diferentes procedências) nos estabelecimentos.
um cronograma de emissão de ordens de coleta é estabelecido pela unidade central do MAPA (CoordenaçãoGeral de Laboratórios Agropecuários (CGAL) e Coordenação de Caracterização de Risco (CRISC)), baseado no plano anual de amostragem e na capacidade dos laboratórios da rede nacional de laboratórios agropecuários. Mensalmente o cronograma é divulgado aos estabelecimentos.
as ordens de coleta (Requisições Oficiais de Análise (ROA)) são emitidas mensalmente, de forma aleatória, para os estabelecimentos em que devem ser coletadas as amostras e indicam ao usuário da inspeção federal a matriz a ser coletada (tecido animal) e o laboratório para o qual a amostra deve ser encaminhada, a partir da amostragem gerenciada por meio do sistema informatizado denominado Sistema de Controle de Resíduos (SISRES).
anualmente, 400 amostras para os principais métodos (análise das principais classes de substâncias) têm sido testadas no âmbito do subprograma de monitoramento PNCRC, assegurando ao MAPA, ao nível de 97% de confiança, que será detectada ao menos uma amostra violada se o nível de violação for igual ou superior a 0,3% na população amostrada.
não se leva em consideração o porte dos estabelecimentos para a definição aleatória dos estabelecimentos em que devem ser coletadas as amostras; assim, independentemente do número de animais abatidos e do volume de produto processado nos estabelecimentos, todos têm a mesma probabilidade de ter uma ordem de coleta a ele atribuída.
Sobre controle parasitológico, virológico e bacteriológico de animais de laboratório, assinale a alternativa correta.
Para pesquisa de ectoparasitas, utiliza-se microscópio entomológico. Deve-se examinar a pelagem do animal, visando à procura de parasitos de maior tamanho (piolhos) e de ácaros menores (sarnas).
Para o controle parasitológico, realiza-se a confirmação de endoparasitos através da investigação direta da mucosa intestinal do duodeno, colo e reto.
O controle sorológico de vírus em colônias de ratos e camundongos é realizado a cada 6 meses em colônias de fundação e a cada 3 meses em colônias de produção.
Os testes sorológicos para vírus devem ser realizados em adultos jovens (com menos de 12 semanas) e adultos velhos (com até 20 semanas).
Todos os estágios de limpeza em um biotério, como troca de gaiolas, limpeza de estantes etc., geram aerossóis que podem conter bactérias; por isso, todo material deve ser limpo dentro da área bioprotegida.
A Lei no 11.794/2008, conhecida como Lei Arouca, estabelece critérios para a criação e a utilização de animais em atividades de ensino e pesquisa científica em todo o território nacional e cria o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal – CONCEA. De acordo com essa lei e atividades do CONCEA, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.
I. A utilização de animais em atividades educacionais fica restrita a estabelecimentos de ensino superior e/ou de educação profissional técnica de nível médio da área biomédica.
II. Não são consideradas como atividades de pesquisa as práticas zootécnicas relacionadas à agropecuária.
III. O disposto nessa Lei aplica-se a toda e qualquer espécie animal utilizada em ensino ou pesquisa, observada a legislação ambiental.
IV. A instituição que não tenha uma Comissão de Ética no Uso de Animais (CEUA) poderá solicitar a aprovação de projeto para utilização de animais através da CEUA de outra instituição
Somente as afirmativas I, II e IV estão corretas.
Somente as afirmativas III e IV estão corretas.
Somente as afirmativas II e III estão corretas.
Somente as afirmativas I e IV estão corretas.
Somente as afirmativas I e II estão corretas.
Um dos testes para se avaliar a segurança de produtos biológicos, soros e vacinas é o teste de toxicidade in vivo, que permite a detecção de atividade reatividade biológica inesperada e não aceitável de fármacos e medicamentos.
Sobre esse teste, é correto afirmar que
a seleção de animais é composta por dez camundongos e dez cobaios sadios.
a via de aplicação intraperitoneal deve ser evitada em todos os casos.
em cada animal deve ser injetado o equivalente a uma dose humana da preparação.
os animais devem ser observados quanto a anormalidades por no mínimo 14 dias.
o teste pode ser repetido no máximo uma vez caso os requisitos não tenham sido cumpridos.
As cobaias são fundamentalmente herbívoras e comem a maioria dos tipos de grãos, verduras e pasto. As rações comerciais são peletizadas, com diâmetro recomendável de no máximo de 50 mm, e devem ser administradas em comedouros adequados para minimizar o desperdício, contaminação fecal e urinária. O consumo médio diário de ração comercial peletizada pelos animais adultos é de 40 g. As cobaias, do mesmo modo que primatas não humanos e o próprio homem, são dependentes de fontes exógenas de ácido ascórbico. A deficiência de ácido ascórbico na alimentação das cobaias:
O maior desenvolvimento do animal e a puberdade pode ocorrer entre 45 a 60 dias e aparecimento de sinais e sintomas característicos que começam com a redução do acasalamento.
É responsável pelo aparecimento de sinais que começam com a redução no consumo de alimento sólido e maior ingestão de água, seguidas por anemia e deficiência de cálcio.
É responsável pelo aparecimento de sinais e sintomas característicos que começam com a redução no consumo de alimento e perda de peso, seguidas por anemia e hemorragia generalizada. Em razão dessas alterações, ou de infecções bacterianas secundárias, a morte sobrevém em 3 a 4 semanas.
Lhes confere precocidade e auto-suficiência, uma vez que já podem consumir alimentos sólidos, em razão dessas alterações, a morte quase não ocorre.
É responsável pelo aparecimento de sinais que começam com a redução no consumo de alimento sólido e maior ingestão de água, seguidas por diminuição no acasalamento e aborto espontâneo.
A Resolução Normativa CONCEA nº 15/2013 estabelece normas para área de quarentena. Considerando o disposto na referida Resolução Normativa, é INCORRETO afirmar que a área de quarentena deve:
abrigar animais de modo que, durante o manejo, não ocorram misturas de espécies, linhagens e animais de diferentes procedências.
estar obrigatoriamente presente em biotérios experimentais e de criação.
estar localizada em posição estratégica, para que os animais recém-chegados não passem pelas demais áreas do biotério.
ter espaço físico com dimensões e condições ambientais para contemplar as espécies abrigadas.
ser dotada de barreiras de biocontenção para evitar contaminações.
A urina de coelhos contém altas concentrações de proteínas e minerais. Compostos orgânicos e minerais, frequentemente, aderem à superfície da gaiola. Por essa razão, durante o procedimento de limpeza das gaiolas de coelhos, o técnico deverá tratá-las antes da lavagem com uma solução:
básica.
neutra.
alcalina.
ácida.
isotônica.
O ácaro Myobia musculi é considerado o mais patogênico no camundongo. Seu ciclo vital se completa entre 14 e 23 dias e sua transmissão pode ser por contato direto ou por equipamentos e materiais (aderidos aos pelos). Os sintomas são prurido, alopecia, traumatismo e pioderma, principalmente na região do dorso, cabeça e ombros. Assinale, dentre as opções a seguir, a medida de controle mais efetiva para essa ectoparasitose em biotérios.
Pulverização de deltametrina em todo o plantel, repetindo após 14 dias.
Diluição de ivermectina na proporção 1:200 nos bebedouros, repetindo após 21 dias.
Derivação cesariana e manutenção de barreiras sanitárias.
Pulverização de deltametrina em todo o plantel e fumigação de formol na sala.
Diluição de ivermectina na proporção 1:200 nos bebedouros e fumigação de formol na sala.
Em ratos, a cromodacriorreia é causada
pela secreção de sangue, liberado pelas glândulas de Harder, resultando em uma secreção periocular e nasal; é indicador de sofrimento ou estresse.
pela secreção de um pigmento esverdeado, chamado porfirina, liberado pelas glândulas lacrimais, resultando em uma secreção periocular e nasal.
pela secreção de sangue, eliminado pelas glândulas lacrimais, sendo um indicador de sofrimento ou estresse.
pela secreção de um pigmento esverdeado, chamado porfirina, liberado pelas glândulas lacrimais. É indicador de sofrimento ou estresse.
pela secreção de um pigmento avermelhado, chamado porfirina, liberado pelas glândulas de Harder, resultando em uma secreção periocular e nasal.
Em ratos Wistar, a fase do ciclo estral onde ocorre a ovulação é o
proestro
anestro
metaestro I
diestro II
estro
Animais de laboratório podem ser inoculados deliberadamente com microrganismos. Quando temos um patógeno que geralmente causa sérias doenças em humanos ou animais, podendo resultar em consequências econômicas graves, mas que, normalmente, ou não se espalha por contato entre um indivíduo e outro, ou possui medidas de tratamento e prevenção, a classificação de grupo de risco é o:
II - moderado risco individual e baixo risco para a comunidade.
II – risco individual e comunitário elevado.
III – risco individual elevado, risco comunitário limitado.
IV – risco individual e comunitário muito elevado.
III - moderado risco individual e baixo risco para a comunidade.
Segundo o Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), “biotério é a instalação na qual são produzidos, mantidos ou utilizados animais para atividades de ensino ou de pesquisa científica”. Usando como critério a finalidade a que se destinam, os biotérios podem ser classificados em três tipos: de manutenção, de criação e de experimentação.
Um biotério de criação é aquele que tem como um de seus objetivos
produzir material biológico, como sangue e órgãos para uso em pesquisas.
manter matrizes reprodutoras de animais de carga genética controlada.
recuperar animais debilitados, para que possam ser novamente utilizados em experimentos.
cultivar tecidos e ovos in vivo para a produção de vacinas e medicamentos.
adaptar animais provenientes da natureza, ou das ruas, ao cativeiro.
Na impossibilidade de um rápido tratamento de carcaças, tecidos, excrementos e outros subprodutos animais, deve-se
armazená-los em uma área protegida de vetores que pode estar localizada dentro da sala de criação dos animais.
mantê-los em uma área específica, aquecida, protegida de vetores e localizada na sala de criação.
armazená-los em um espaço junto às outras salas de armazenamento, onde devem passar rapidamente pelo calor.
mantê-los na sala de criação desde que tenham sido embalados para depois irem para a incineração.
armazená-los em uma área específica, refrigerada, protegida de vetores e fisicamente separada das demais áreas.
Independentemente da técnica ou laboratório utilizados, um exame complementar só oferecerá resultados confiáveis quando as etapas pré-analíticas forem bem-sucedidas. Uma coleta de amostras adequadamente realizada com a utilização de técnica apropriada, tubos próprios e correto manuseio do material biológico até seu processamento permitirão uma análise e resultados mais fidedignos. Uma variedade de tubos para coleta de sangue está disponível, de acordo com o tipo de análise e espécie envolvida. Sobre os diferentes tipos de tubos e objetivos da coleta, é correto afirmar que:
Para as análises sorológicas, os tubos mais apropriados são os de tampa roxa, com ácido etilenodiaminotetracético (EDTA).
Os tubos com heparina lítica (tampa verde) são recomendados para provas de glicemia.
Tubos com citrato (tampa azul) são recomendados para provas de coagulação.
Tubos com fluoreto de sódio (tampa cinza) são recomendados para análise de fibrinogênio.