A partir da leitura de textos motivadores e com base nos...
A partir da leitura de textos motivadores e com base nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo em modalidade escrita formal da Língua Portuguesa, sobre o tema: A inserção dos jovens no mercado de trabalho brasileiro.
Texto I
Brasil é o segundo país com maior proporção de jovens "nem-nem". População entre 18 e 24 anos que não estuda, nem trabalha corresponde a 36% da faixa etária no Brasil. Problema é considerado estrutural.

O desemprego e a falta de motivação entre os jovens é um problema estrutural, por isso os desafios geracionais em relação ao mercado de trabalho são difíceis de serem transpassados. O Brasil é o segundo país na esfera da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com a maior proporção de jovens, de idade entre 18 e 24 anos, que não conseguem nem emprego e nem continuar os estudos — os chamados "nem-nem" —, ficando atrás apenas da África do Sul. Nessa faixa etária, 36% da população de jovens brasileiros está sem ocupação. O cenário de falta de oportunidades está detalhado no relatório Education at a Glance (Olhar sobre a educação, em tradução livre), divulgado no último mês. O indicador considera pessoas em faixa etária de transição do estudo para o trabalho e conclui que não ter uma atividade profissional pode causar "consequências duradouras, especialmente quando a pessoa passa por períodos longos de desemprego ou inatividade", diz o estudo. O recorte social é um dos fatores mais importantes, segundo a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Enid Rocha. "Em geral as pessoas costumam pensar nessa categoria como se fosse homogênea, mas não é. Cerca de 60% está entre os mais vulneráveis", destaca. A pesquisadora afirma que os números vêm melhorando com o aquecimento do mercado de trabalho, mas a maior parte da geração "nem-nem" ainda pode ser distinguida por classe e gênero. De acordo com ela são, em média, 11 milhões de jovens que se encaixam nessa descrição. A maioria são mulheres e estão entre os mais pobres, com renda de até R$ 400 por família. "Entre aqueles que estão sem estudar e sem trabalhar temos os que ainda procuram, mas a maioria já está de fora por estarem desengajados e desmotivados. A maior parte desses jovens têm baixa escolaridade, são pobres, negros e são mulheres, responsáveis por tarefas domésticas e com filhos. Esses devem ser a maior preocupação", ressalta.
https://www.correiobraziliense.com.br/economia/2022/11/5049770-brasil-e-o-segundo-pais-com-maior-proporcao-dejovens-nem-nem.html
Texto II
A porta ainda é estreita para a inserção dos jovens no mercado de trabalho. Com todas as questões econômicas que assombram a realidade brasileira, o desemprego cresce ainda mais entre os jovens. Falta muito preparo e experiência para jovens se destacarem (We Are/Getty Images). Não está nada fácil conseguir emprego no Brasil. Entre os jovens, os dados são ainda mais desanimadores. De acordo com o Ministério da Economia, em 2021, por exemplo, enquanto a taxa geral de desemprego estava em 14,7% em agosto, entre jovens, a fatia de pessoas à procura de trabalho era de 31% do total. Esse dado não se deve só à crise que estamos atravessando agora, mas já vem há muito tempo. São seis anos em que pelo menos dois em cada dez jovens de 18 a 24 anos procuram, mas não encontram, uma vaga de trabalho. Isso se deve a diversos fatores, um deles é a falta de experiência. E apesar de vocês pensarem que é óbvio um jovem não ter desenvolvido habilidades para alguma área específica, tendo em vista que é o primeiro emprego, o mercado ainda exige isso dele. Há também um conflito de gerações. É bem comum que as pessoas das gerações Y e Z, ou seja, que nasceram na década de 1980 até os anos 2000, tenham perfis comportamentais bem diferentes dos mais velhos. Aceitar que um jovem que nasceu em uma época tecnológica e que tenha a contribuir com quem está há mais tempo no mercado é ainda um tabu, infelizmente. Entretanto, você que hoje está com uma carreira consolidada, provavelmente também precisou começar de alguma maneira e, certamente, também teve lá seus desafios. Atire a primeira pedra quem nunca teve dúvidas sobre o que colocar em um currículo ou teve medo de gaguejar na frente de um recrutador. Esses anseios antigos são os mesmos de hoje. Por isso, precisamos mudar e inserir os jovens no seu primeiro emprego. Escancarar a porta de entrada do primeiro emprego, em vez de deixá-la tão estreita. Há inúmeras maneiras de se fazer isso. Uma delas é unir o ensino médio ao programa Jovem Aprendiz, onde, por lei, empresas de médio e grande porte devem contratar jovens com idade entre 14 e 24 anos como aprendizes. Contudo, nem todo estudante sabe disso e tem acesso a essa oportunidade. As escolas públicas deveriam estar conectadas com as empresas. O contrato de trabalho pode durar até dois anos e, durante esse período, o jovem é capacitado na instituição formadora e na empresa, combinando formação teórica e prática. Os jovens têm a oportunidade de inclusão social com o primeiro emprego e de desenvolver competências para o mundo do trabalho, o que desenvolve nele uma série de habilidades que só se aprende na prática.
Laiz Soares*
Publicado em 14/07/2022 às 19:50.
https://exame.com/bussola/a-porta-ainda-e-streita-para-a-insercao-dos-jovens-no-mercado-de-trabalho/
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