Texto 1Para começo de conversa, nunca mais precisaremos...
Texto 1
Para começo de conversa, nunca mais precisaremos estar sós. O dia inteiro, sete dias por semana, basta apertar um botão para fazer aparecer uma companhia do meio de uma coleção de solitários. Nesse mundo on-line, ninguém jamais fica fora ou distante; todos parecem constantemente ao alcance de um chamado – e mesmo que alguém, por acaso, esteja dormindo, há muitos outros a quem enviar mensagens, ou a quem alcançar de imediato pelo Twitter, para que a ausência temporária nem seja notada. Em segundo lugar, é possível fazer “contato” com outras pessoas sem necessariamente iniciar uma conversa perigosa e indesejável. O “contato” pode ser desfeito ao primeiro sinal de que o diálogo se encaminha na direção indesejada: sem riscos, sem necessidade de achar motivos, de pedir desculpas ou mentir; basta um toque leve, quase diáfano, numa tecla, um toque totalmente indolor e livre de riscos.
[...]
Isso será o paraíso na Terra? Nosso sonho enfim realizado? Será esta a solução definitiva para a pungente ambivalência da interação humana, a um só tempo confortadora e estimulante, mas incômoda e cheia de ciladas? As opiniões se dividem a esse respeito. O que parece estar fora de dúvida é que pagamos um preço por tudo isso – um preço que pode se revelar alto demais. Se você está sempre “conectado”, pode ser que nunca esteja verdadeira e completamente só. Se você nunca está só, então (para citar o professor Zimmerman mais uma vez) “tem menos chance de ler um livro por prazer, de desenhar um retrato, de contemplar a paisagem pela janela e imaginar outros mundos diferentes do seu. É menos provável que você estabeleça comunicação com pessoas reais em seu meio imediato. Quem vai querer conversar com parentes quando os amigos estão a um clique do teclado?” (E esses amigos são incontáveis, de uma diversidade fascinante; há cerca de quinhentos ou mais “amigos” no Facebook.)
Fugindo da solidão, você deixa escapar a chance da solitude: dessa sublime condição na qual a pessoa pode “juntar pensamentos”, ponderar, refletir sobre eles, criar – e, assim, dar sentido e substância à comunicação. Mas quem nunca saboreou o gosto da solitude talvez nunca venha a saber o que deixou escapar, jogou fora e perdeu.
BAUMAN, Zygmunt. 44 cartas do mundo líquido moderno. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2011. (fragmento)
Texto 2
Intervenções baseadas em plataformas sociais virtuais podem ser uma oportunidade para conectar e superar barreiras de comunicação. Elas também podem reduzir o isolamento e a solidão indesejada que alguns indivíduos sofrem. Este é o caso dos idosos que vivem sozinhos em suas casas e têm apoio limitado. Alguns estudos afirmam que o contato através de redes sociais virtuais parece não estar diminuindo o contato face a face, mas reforçando-o.
Em um artigo recente, Jennifer Chipps e sua equipe de pesquisa revisaram a eficácia de programas baseados em tecnologias digitais para reduzir o isolamento social em pessoas idosas. Muitas dessas intervenções visavam fortalecer os laços sociais preexistentes e aumentar as oportunidades de intercâmbio social. No entanto, os autores apontam que a heterogeneidade das intervenções e a falta de rigor metodológico de alguns programas não permitem conclusões sólidas.
Disponível em: <https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2019/06/redes-sociaisaumentam-nossa-solidao.html>. Acesso em 07 abr. 2022.
Texto 3


Disponível em: < https://www.dgabc.com.br/Noticia/3779001/infografico-brasil-e-3-em-rankingmundial-no-uso-de-redes-sociais> Acesso em 07 abril 2022. (Adaptado).
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