Texto 1 A profissão de guardador de carros, conhecida...
Texto 1
A profissão de guardador de carros, conhecida popularmente como “flanelinha”, é regulada pela Lei Federal no 6.242/75 e exige cadastro na Delegacia Regional do Trabalho. A realidade, porém, é que muitos guardadores de carros atuam de forma ilegal, exigindo dinheiro do motorista com ameaças de que o veículo será danificado se não pagar.
Algumas cidades já atuaram para impedir a prática de extorsão dos flanelinhas, como a cidade de São Paulo. Uma lei sancionada em 2018 na capital paulista proíbe os guardadores de intimidarem os motoristas e de tabelarem os preços, algo que afeta também os flanelinhas regularizados, com uma multa de R$ 1.500. No entanto, uma reportagem da Veja São Paulo de 2020 mostrou que, dois anos depois, nada acontecia. Flanelinhas ilegais continuavam atuando, muitos colocando cones ou caixas de madeira nas vagas para impedir que as pessoas estacionassem sem pagar. Sem fiscalização adequada, não há como resolver o problema.
(Nicolas Tavares, Quatro Rodas, “Projeto de lei pode punir flanelinhas por extorsão com até oito anos de prisão”. Disponível em: https://quatrorodas.abril.com.br/noticias/projeto-de-lei-pode-punir-flanelinhas-por-extorsao-com-ate-8-anos-de-prisao/. Adaptado)
Texto 2
Ir a um evento, seja um jogo de futebol, um espetáculo ou uma ida ao centro de compras, pode se tornar um desafio para alguns. Ao estacionar o carro, muitos encontram os conhecidos flanelinhas, e é comum que isso desperte uma sensação de desconforto ou até irritação. Afinal, há quem os veja como intrusos ou oportunistas, questionando-se sobre como chegaram até ali, quais são as suas reais intenções e se esse serviço é realmente necessário. Mas, se pararmos para refletir sobre o outro lado, veremos que a história dos flanelinhas não é tão simples assim. Para eles, esse trabalho informal é uma saída para um mercado de trabalho que nem sempre os acolhe. Muitos desses trabalhadores deixam suas casas de manhã cedo com o objetivo de garantir o sustento da família. Cada moeda ou nota recebida representa não só um pagamento, mas uma vitória em meio a um cenário de dificuldades econômicas e falta de oportunidades formais de emprego.
Estima-se que, em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, existam milhares de flanelinhas. Em São Paulo, por exemplo, um levantamento recente apontou cerca de 3.000 flanelinhas operando em diferentes pontos da cidade. Essa atividade é uma resposta à falta de empregos formais, especialmente para aqueles que enfrentam barreiras de educação e qualificação profissional.
(Cris do Morro, Jornal Lagoa News, “O flanelinha: entre o conflito e a sobrevivência”. Disponível em: https://jornallagoanews.com.br/o-flanelinha-conflito-e-a-sobrevivencia/. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
Guardadores de carros: entre a busca por uma renda e o oportunismo
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