Texto I A representação das mulheres na literatura e nas...
Texto I
A representação das mulheres na literatura e nas artes reflete, muitas vezes, a estrutura patriarcal de poder que organiza o mundo. Mesmo quando a mulher é protagonista, ela tende a ser definida em função do homem — como amante, mãe, esposa ou traidora. A figura de Medeia, desde Eurípedes, condensa essa tensão entre poder e submissão: uma mulher que ousa reagir, mas é punida simbolicamente pela cultura. Ao longo dos séculos, as releituras dessa personagem — de Chico Buarque a Christa Wolf — denunciam a dificuldade de romper com os mitos que aprisionam o feminino.
Adaptado de: MOURA, L. C. “O mito de Medeia e as vozes do feminino na literatura ocidental”. Revista Estudos Literários, 2022.
Texto II
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024), uma mulher é vítima de violência doméstica a cada dois minutos no país. Apesar dos avanços legislativos e das campanhas de conscientização, a desigualdade de gênero ainda se manifesta de forma estrutural: na divisão do trabalho doméstico, na diferença salarial e na representação política.
Especialistas apontam que o problema não é apenas jurídico ou econômico, mas também simbólico: o modo como a sociedade constrói os papéis de gênero continua reforçando a ideia de que o homem detém o poder e a voz pública.
Agência Brasil, 2024 — com adaptações.
Texto III
Joana: Eu que fiz tudo por ele, que dei minha vida por aquele homem… agora sou jogada fora como um pano sujo.
Creonte: O mundo é assim, Joana. Homem quer crescer, tem que subir.
Joana: E mulher, quando é que sobe? Quando é que deixa de ser degrau?
Gota d’água, de Chico Buarque e Paulo Pontes (1975).
Com base na leitura dos textos motivadores e em seus conhecimentos de mundo, redija uma dissertação argumentativa em prosa, na qual você discuta o tema:
A PERMANÊNCIA DAS DESIGUALDADES DE GÊNERO NA CULTURA E NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA
Apresente sua tese e argumentos consistentes, articulando reflexão crítica, repertório sociocultural e análise das formas simbólicas e sociais pelas quais o gênero continua sendo um fator de desigualdade.
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