Texto de Apoio 1A reinvenção do conhecimento e a...
Texto de Apoio 1
A reinvenção do conhecimento e a apropriação da cultura pelos alunos
Ao procurar aliviar o peso do individualismo que alimenta as sociedades contemporâneas, movidas predominantemente pelas forças do mercado, a possibilidade de uma cultura comum no ensino obrigatório tem de traduzir a tensão permanente entre a universalização e a individualização dos conhecimentos (Dussel, 2009).
A leitura e a escrita, a história, as ciências, a arte propiciam aos alunos o encontro com um mundo que é diferente, mais amplo e diverso que o seu. Ao não se restringir à transmissão de conhecimentos apresentados como verdades acabadas e levar os alunos a perceberem que essas formas de entender e de expressar a realidade possibilitam outras interpretações, a escola também oferece lugar para que os próprios educandos reinventem o conhecimento e criem e recriem cultura.
O currículo não se esgota, contudo, nos componentes curriculares e nas áreas de conhecimento. Valores, atitudes, sensibilidades e orientações de conduta são veiculados não só pelos conhecimentos, mas por meio de rotinas, rituais, normas de convívio social, festividades, visitas e excursões, pela distribuição do tempo e organização do espaço, pelos materiais utilizados na aprendizagem, pelo recreio, enfim, pelas vivências proporcionadas pela escola.
Ao se debruçar sobre uma área de conhecimento ou um tema de estudo, o aluno aprende, também, diferentes maneiras de raciocinar; é sensibilizado por algum aspecto do tema tratado, constrói valores, torna-se interessado ou se desinteressa pelo ensino. Assim, a aprendizagem de um componente curricular ou de um problema a ser investigado, bem como as vivências dos alunos no ambiente escolar, contribuem para formar e conformar as subjetividades dos alunos, porque criam disposições para entender a realidade a partir de certas referências, desenvolvem gostos e preferências, levam os alunos a se identificarem com determinadas perspectivas e com as pessoas que as adotam, ou a se afastarem de outras. Desse modo, a escola pode contribuir para que eles construam identidades plurais, menos fechadas em círculos restritos de referência e para a formação de sujeitos mais compreensivos e solidários.
Do ponto de vista da abordagem, reafirma-se a importância do lúdico na vida escolar, não se restringindo sua presença apenas à arte e à educação física. Hoje se sabe que no processo de aprendizagem a área cognitiva está inseparavelmente ligada à afetiva e à emocional. Pode-se dizer que tanto o prazer como a fantasia e o desejo estão imbricados em tudo o que fazemos. Os estudos sobre a vida diária, sobre o homem comum e suas práticas, desenvolvidos em vários campos do conhecimento e, mais recentemente, pelos estudos culturais, introduziram no campo do currículo a preocupação de estabelecer conexões entre a realidade cotidiana dos alunos e os conteúdos curriculares. Há, sem dúvida, em muitas escolas, uma preocupação com o prazer que as atividades escolares possam proporcionar aos alunos. Não obstante, frequentemente parece que se tem confundido o prazer que decorre de uma descoberta, de uma experiência estética, da comunhão de ideias, da solução de um problema, com o prazer hedonista que tudo reduz à satisfação do prazer pessoal, alimentado pela sociedade de consumo.
A escola tem tido dificuldades para tornar os conteúdos escolares interessantes pelo seu significado intrínseco. É necessário que o currículo seja planejado e desenvolvido de modo que os alunos possam sentir prazer na leitura de um livro, na identificação do jogo de sombra e luz de uma pintura, na beleza da paisagem, na preparação de um trabalho sobre a descoberta da luz elétrica, na pesquisa sobre os vestígios dos homens primitivos na América, e de sentirem o estranhamento ante as expressões de injustiça social e de agressão ao meio ambiente.
As escolas devem propiciar ao aluno condições de desenvolver a capacidade de aprender, como quer a Lei nº 9.394/96, em seu artigo 32, mas com prazer e gosto, tornando suas atividades desafiadoras, atraentes e divertidas. Isso vale tanto para a base nacional comum como para a parte diversificada. Esta última, por estar voltada para aspectos e interesses regionais e locais, pode incluir a abordagem de temas que proporcionem aos estudantes maior compreensão e interesse pela realidade em que vivem.
Fonte: https://www.gov.br/mec/pt-br/acesso-a-informacao/media/seb/pdf/d_c_n_educacao_basica_nova.pdf. Excerto.
Texto de Apoio 2
A diversidade é o pilar da identidade brasileira
O Brasil é um país conhecido mundialmente por sua diversidade étnica e cultural. A mistura de povos indígenas, europeus, africanos e, mais recentemente, de imigrantes de várias partes do mundo resultou em uma população que carrega uma pluralidade de características, tradições e crenças. Essa diversidade é refletida na maneira como os brasileiros vivem e interagem uns com os outros, e é um dos maiores orgulhos do país.
Em um único país, é possível encontrar uma diversidade de culturas regionais que variam de norte a sul. No norte do Brasil, por exemplo, a influência indígena é mais forte, e a gastronomia é baseada em ingredientes como peixe, tucupi e manioc. Já no sul, a imigração de europeus, especialmente italianos e alemães, trouxe influências culinárias e culturais que marcaram a região. O Nordeste é conhecido pela sua música alegre e dançante, com o forró e o axé, além das festas de São João, que são verdadeiros marcos culturais. O Sudeste, por sua vez, é a região mais industrializada, mas também rica em música, arte e cultura, com a presença do Rio de Janeiro, cidade mundialmente famosa por sua beleza e o Cristo Redentor.
Essa diversidade não se limita às questões culturais e geográficas. Também está presente nas relações sociais e políticas. O Brasil é um país com grandes desafios em termos de desigualdade social e racismo, mas é também um lugar onde a luta por direitos e inclusão tem sido uma constante ao longo da história. O movimento de afirmação da identidade negra, as lutas indígenas e as pautas de direitos humanos são apenas alguns exemplos de como os brasileiros, de diferentes origens, têm se unido para promover um futuro mais justo e igualitário.
Fonte: https://museudarepublica.org.br/brasileiros-a-diversidade-cultural-e-a-identidade-do-povo-brasileiro/. Excerto.
Proposta de Redação
A escola é um espaço para reinvenção do conhecimento e para a valorização da diversidade cultural na formação do aluno do ensino fundamental. Entendendo a importância de se desenvolver no aluno, diante da diversidade da população brasileira, os aspectos culturais e sociais inerentes ao alunado, escreva um texto dissertativo-argumentativo em norma culta da língua portuguesa, com introdução, desenvolvimento e conclusão, defendendo uma posição clara sobre o tema. Utilize os dois textos de apoio como referência para problematizar a relação entre currículo, práticas escolares e diversidade cultural na formação dos alunos do ensino fundamental. Apresente argumentos consistentes e proponha duas medidas concretas para aprimorar a ação pedagógica na escola.
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Entenda como a banca formula o problema e o que espera como resposta
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