Atualmente, vivemos em uma sociedade na qual os níveis de...
Atualmente, vivemos em uma sociedade na qual os níveis de sedentarismo e estresse estão extremamente altos. Tal estilo de vida tem afetado significativamente a saúde e a qualidade de vida da população, particularmente a de crianças e adolescentes. Esses sujeitos, além das consequências negativas em termos fisiológicos, também sofrem efeitos danosos em termos psicológicos, em suas relações interpessoais e, de alguma maneira, também se veem alijados da possibilidade de vivenciar vários elementos da cultura corporal.
O excesso de tempo despendido no uso de redes sociais transformou-se em um problema de saúde pública. Por entenderem a gravidade da questão, vários países, tais como Dinamarca, Austrália e França, dentre outros, proibiram que adolescentes e crianças utilizem redes sociais. O principal ponto em debate é que, de forma geral, essas redes estão causando uma atitude de dependência psicológica nesses sujeitos, quase um vício. Entre os desdobramentos dessa atitude viciosa estão o aumento expressivo da ansiedade, da depressão, da automutilação e até mesmo casos de suicídio.
O Brasil também entrou nesse enfrentamento e sancionou, em janeiro de 2025, a lei que proíbe o uso de celulares e outros dispositivos portáteis por alunos da educação básica (pré-escola, ensino fundamental e ensino médio). Uma das principais questões que motivaram a promulgação da lei é a influência negativa que o uso desregrado desses aparelhos tem exercido sobre a qualidade e a eficiência da aprendizagem desses alunos.
Tal contexto tem suscitado debates e enfrentamentos até mesmo na justiça. No Brasil, há um julgamento em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que discute até que ponto as redes sociais podem ser responsabilizadas por danos causados por conteúdos publicados por usuários, inclusive aqueles que afetam a saúde psicológica de crianças e adolescentes. Outro caso emblemático é o julgamento que envolve a responsabilidade das redes sociais pela saúde psicológica de crianças e adolescentes, que se desenrola nos Estados Unidos e envolve a Meta Platforms (dona do Facebook e do Instagram). O processo discute se as plataformas foram projetadas para causar dependência em jovens e se isso tem contribuído para problemas de saúde mental.
Dentro desse debate a questão central são os problemas de ordem psicoafetiva que têm afetado crianças e adolescentes; porém, alguns elementos que também são muito relevantes não têm recebido tanta atenção. Entre eles estão os níveis elevados de sedentarismo, que se agravam ainda mais pelo hábito dessas crianças e adolescentes de ficarem por várias horas do dia utilizando: redes sociais, computadores, televisão, videogames etc.; a redução das relações sociais e da habilidade de interação entre as pessoas, visto que muitas crianças e adolescentes preferem usar o celular a interagir ou conversar com seus amigos ou, até mesmo, com sua família; e outro elemento relevante é a desconstrução — ou a não construção — das habilidades motoras, visto que, ao escolher utilizar aparelhos eletrônicos na maior parte do seu tempo livre, esses sujeitos deixam de vivenciar brincadeiras, jogos e outras atividades físico-desportivas que lhes permitam desenvolver suas habilidades motoras e também sociais, à medida que podem “brincar” em grupo.
A partir dessa breve reflexão sobre esse “Dilema das Redes” (parafraseando o nome de um documentário que debate esse assunto), podemos perceber que a responsabilidade da disciplina Educação Física na escola é cada vez maior, pois se trata de uma área do conhecimento que pode, de maneira efetiva, contribuir para a formação de nossos alunos, tanto física quanto cientificamente, colaborando para a superação da situação que ora debatemos.
Este estilo de vida, sedentário e estressante, especialmente para as crianças e adolescentes, guarda uma forte relação com o uso desregrado de tecnologias, tais como: computadores, televisão, celulares, redes sociais, videogames etc. Quais efeitos psicológicos e sociais você acredita que podem estar associados a estes hábitos e como você entende que a educação física pode colaborar neste contexto?
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