Considere que um fonoaudiólogo receba em seu consultório o...
Considere que um fonoaudiólogo receba em seu consultório o menino Guido, de 09 anos e 06 meses de idade, acompanhado de seus pais. O paciente foi encaminhado pela escola com queixas de dificuldade de aprendizagem. Durante a anamnese, a mãe relata que Guido nasceu de 39 semanas, começou a andar com 1 ano e 4 meses de idade, emitiu as primeiras palavras por volta dos 02 anos de idade e apresentou alguns episódios de otites antes dos 03 anos de idade. Nunca realizou avaliação audiológica, mas não percebeu nenhuma alteração auditiva. Ela o descreve como uma criança que sempre foi mais introspectiva e que costuma brincar sozinha no quarto durante horas, considerando-o apenas "preguiçoso" para falar e para realizar as atividades da escola. Guido tem um irmão mais velho diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (nível 3 de suporte, não verbal, com histórico de autoagressão e desregulação sensorial), o qual sempre demandou mais atenção dos pais devido à gravidade do quadro.
Os pais entregaram um relatório da escola informando que Guido, estudante do 4º ano do ensino fundamental, apresenta dificuldade na leitura (usando sempre estratégias de adivinhar as palavras), compreender textos e realizar produções escritas. Além disso, a escola relata que, em sala de aula, ele realiza as tarefas com pressa excessiva e frequentemente demonstra hiperatividade ou inquietude. Os pais expressam resistência em relação às queixas escolares, pois sempre consideraram Guido muito tranquilo e obediente. Contudo, buscaram ajuda por estarem preocupados, já que o filho está ficando cada vez mais atrasado em comparação aos colegas de turma.
A fonoaudióloga realizou uma avaliação ampla da linguagem, da leitura e da escrita. Durante o processo, Guido apresentou alterações nas seguintes habilidades e tarefas: compreensão e memorização de ordens simples e complexas; lentidão na execução de instruções orais, com pedidos frequentes para que a ordem fosse repetida; importante redução no vocabulário para a sua faixa etária (utiliza excessivamente termos genéricos como "aquilo", "o negócio" ou aponta com o dedo para os objetos); discurso narrativo com poucos detalhes e frases curtas; memorização de sequências numéricas e de letras; sequencialização dos dias da semana; noções de lateralidade (direita e esquerda). Nas tarefas de leitura e escrita apresenta alterações de leitura de palavras irregulares; lentidão com textos mais longos com erros frequentes como troca de letras e de palavras por aproximação lexical; alteração na compreensão de textos; produção de textos reduzidos e com poucos detalhes; e consciência fonoaudiológica insuficiente. Diante desses achados, a fonoaudióloga concluiu que se tratava de Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL).
Durante a devolutiva da avaliação, os pais se mostraram exaustos devido ao manejo do filho mais velho e relataram não saber como auxiliar no processo de reabilitação de Guido, pois não teriam disponibilidade para realizar exercícios em casa além das tarefas escolares. Diante desse cenário, a fonoaudióloga propôs a realização de três sessões semanais de terapia fonoaudiológica, visando intensificar a intervenção e compensar a indisponibilidade de tempo da família para apoiar o paciente. Com base no caso apresentado, faça o que se pede nos itens a seguir.
Considerando o caso apresentado, redija um texto dissertativo que responda aos itens a seguir em um limite estrito de 15 linhas:
A) Analisando as queixas trazidas pela escola e as alterações que o paciente apresentou durante a avaliação fonoaudiológica, qual hipótese diagnóstica passou despercebida pela fonoaudióloga?
B) Cite dois encaminhamentos para avaliação de funções importantes para complementação do diagnóstico fonoaudiológico que não foram realizados pela fonoaudióloga no caso acima.
C) Refletindo sobre a proposta primária de intensificar a intervenção fonoaudiológica para compensar a indisponibilidade de tempo da família para apoiar o paciente no tratamento, qual deveria ter sido a conduta inicial da fonoaudióloga diante do cenário que a família apresenta?
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