Tiago, 3 anos e 4 meses, foi encaminhado para avaliação...
Tiago, 3 anos e 4 meses, foi encaminhado para avaliação psicológica. Ele compareceu à primeira sessão acompanhado da mãe (36 anos), do pai (33 anos) e do irmão mais novo (10 meses). A família reside em um bairro de periferia da cidade, com acesso limitado a transporte público e a equipamentos de lazer e cultura. A mãe trabalha em tempo parcial como vendedora em comércio local, enquanto o pai é pedreiro informal, o que limita a disponibilidade de ambos para acompanhamento escolar e terapêutico.
Tiago já recebe atendimento na instituição pelo serviço de psiquiatria infantil e participa de sessões em grupo com uma fonoaudióloga.
Seguem abaixo as primeiras impressões da psicóloga.
Em uma tarde de agosto, conheço Tiago. Abro a porta para o corredor das salas de atendimento e ele dispara em uma marcha rápida, que o distancia de nós. A mãe, o pai com o irmão no colo e eu caminhamos passos atrás dele. Os pais o chamam. Ele segue em frente. Os pais insistem. Tiago não responde. A cena que se estabelece se compunha com Tiago ‘lá’ e nós ‘aqui’. Seu corpo distante esquivavase de nos encontrar. Foi assim que Tiago se apresentou para mim: na caminhada rápida, nas passadas largas, na alta velocidade, no corpo que se ausenta e se distancia em tempo e espaço.
Conversei com os pais de Tiago, enquanto ele perambulava pelos espaços da pequena sala de atendimento. Sua mãe, sentada perto de mim, contava-me um pouco sobre a história do filho e da família. Seu pai e seu irmão, sentados mais distantes, brincavam com algumas peças de lego que estavam na sala. Ao longo da sessão, Tiago não conversou comigo. Algumas vezes eu o chamava, mas meus chamados não eram atendidos. Notei que, entre uma caminhada e outra pela sala, ele pegava um brinquedo de uma caixa ao chão, olhava e manuseava. Tiago não atendia às solicitações verbais realizadas pelos pais ou por mim. Em um determinado momento, ele se aproximou da mãe, pois a viu abrindo sua lancheira. Não conversou com ela. Ela ofereceu um suco para Tiago. Ele pegou a bebida, começou a tomar e retomou sua caminhada.
A maneira de Tiago se expressar, com velocidade, podem demonstrar um movimento de ‘não parada’, contando que ‘ele não podia parar’, pois seu caminhar não podia acontecer juntamente ao outro. Essas observações me provocaram importantes questionamentos: Tiago demonstra não querer ocupar os mesmos espaços que outros estão ocupando? Seu corpo busca escapar dos encontros com o outro? Ou a relação de Tiago com o outro, com o tempo e com o espaço se constitui de maneira diferente do habitual?
Questão: Considerando os princípios da atuação psicológica em instituições de saúde, no contexto de uma equipe interprofissional, descreva como você construiria uma proposta de PTS para o usuário.
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