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Sobre as relações da arqueologia com outras ciências, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. O estudo de microrrestos vegetais, como grãos de pólen e amido, fitólitos e diatomáceas, permite a reconstrução dos paleoambientes associados a sítios arqueológicos, além de auxiliar nas questões tafonômicas e de proveniência.

II. Os processos pedogenéticos são importantes no estudo da formação de sítios arqueológicos, já que consideram a fragmentação e o arraste de artefatos em decorrência do pisoteamento por animais e seres humanos.

III. A geoarqueologia é a utilização de técnicas e métodos das geociências no levantamento arqueológico, em especial nos estudos prospectivos de campo por meio de análises geoquímicas, exigindo a presença de especialistas, como geólogos, geomorfólogos e geoquímicos.

IV. A datação radiométrica é um método essencialmente físico-químico e que independe do olhar interdisciplinar, cabendo ao arqueólogo a coleta adequada, a seleção e o envio das amostras aos laboratórios especializados.

V. Arqueobotânica é o estudo dos restos vegetais encontrados em variados depósitos naturais e antrópicos antigos. Por sua vez, a paleoetnobotânica corresponde à análise e interpretação de vestígios arqueobotânicos com o objetivo de fornecer informações sobre as interações entre populações humanas e plantas.


A
Somente as afirmativas II e III estão corretas.

B
Somente as afirmativas I, II e V estão corretas.

C
Somente as afirmativas III e IV estão corretas.

D
Somente as afirmativas I, IV e V estão corretas.

E
Todas as afirmativas estão corretas.

Em relação à metodologia em curadoria de coleções osteológicas humanas, analise as afirmativas abaixo e assinale a alternativa correta.

I. O termo “curadoria” refere-se à gestão e prática de todas as etapas do processo de conservação e guarda de coleções museológicas, a partir do momento em que elas dão entrada na instituição responsável por sua salvaguarda.

II. Se o material se encontra em condições de conservação inadequadas, apresentando sinais de destruição ou deterioração, o curador deve elaborar um programa de curadoria emergencial.

III. A numeração de um osso quebrado deve preceder sua remontagem, fixação e restauração definitivas.

IV. A utilização de materiais orgânicos para o acondicionamento de coleções esqueléticas é desaconselhável, salvo se o material utilizado for o algodão.

V. A ficha de inventário ósseo deve ser padronizada, não havendo necessidade de conter informações sobre procedimentos interventivos realizados nos ossos.


A
Somente as afirmativas I e III estão corretas.

B
Somente as afirmativas II e IV estão corretas.

C
Somente as afirmativas I e II estão corretas.

D
Somente as afirmativas III e V estão corretas.

E
Somente as afirmativas IV e V estão corretas.
Assinale a alternativa correta em relação à arqueologia darwiniana ou selecionista.

A
O estudo diacrônico dos artefatos mostra uma sequência temporal, mas não uma linhagem histórica.

B
Os arqueólogos darwinianos admitem que a antropologia é a matriz teórica da arqueologia.

C
Os artefatos são restos fossilizados de fenótipos humanos bem-sucedidos.

D
Os arqueólogos darwinianos consideram a teoria evolutiva a mais adequada para explicar a evolução cultural, tal como entendido pela nova arqueologia.

E
De acordo com os darwinianos, a teoria evolutiva só pode ser aplicada à arqueologia pré-histórica.
Com relação às noções de estratigrafia e estratificação, assinale a alternativa INCORRETA.

A
Em uma escavação arqueológica, a estratigrafia é definida com base na variação do material arqueológico em diferentes níveis de sobreposição.

B
Estratificação é o conjunto de processos de formação, acumulação e deposição de sedimentos em camadas, enquanto estratigrafia é o estudo e registro dos processos de estratificação.

C
Enquanto, no caso da geologia, a estratificação segue leis de ordem natural, no caso da arqueologia ela segue uma mistura de leis físicas com processos antropogênicos.

D
Um princípio básico da estratigrafia é o da sobreposição, que explicita que uma camada sedimentar é mais recente do que aquela que ela recobre.

A classificação consiste em uma etapa primordial da análise arqueológica.

É incorreto afirmar que as classificações:


A
são instrumentos da ciência impostos sobre a realidade empírica.

B
estabelecem critérios por meio dos quais os fenômenos são identificados, descritos, medidos e comparados.

C
visam explicar os fenômenos observados em termos de seus propósitos fundamentais.

D
permitem padronizar a realidade em determinados modos para propósitos específicos.
Segundo Krzysztof Pomian (1988), os museus de Arqueologia tendem a adotar um dos dois seguintes modelos: museus arqueológico-artísticos, que ressaltam os aspectos estéticos e excepcionais dos objetos de suas coleções; museus arqueológicos-tecnológicos, que valorizam seus aspectos técnicos e funcionais. A aplicação destes modelos sugere que:

A
a extroversão do patrimônio arqueológico goiano, caracterizado pela pesquisa notadamente voltada para sítios arqueológicos pré-coloniais, pode se inspirar, prioritariamente, no modelo arqueológico-tecnológico.

B
as tipologias, cunhadas em um contexto europeu, não dão conta das experiências de musealização da Arqueologia Brasileira, uma vez que no Brasil não foi utilizado o modelo arqueológico-artístico.

C
a existência de um modelo arqueológico-tecnológico nos museus resulta diretamente das práticas de desenterramento na pesquisa arqueológica.

D
o trabalho do arqueólogo, embora ligado à interpretação de séries, não permite a um museu transmitir isto com clareza, pois as instituições se interessam em coletar artefatos com valores de excepcionalidade e monumentalidade.
Na qualidade de ciência social, a arqueologia tem por objetivo(s):

A
estabelecer tipologias de artefatos.

B
datar os sítios arqueológicos, visando construir uma cronologia de ocupação humana de uma dada região.

C
explicar o que aconteceu a um grupo específico de seres humanos no passado e fazer generalizações a respeito dos processos de mudança cultural.

D
estudar os remanescentes ósseos das populações humanas do passado, visando caracterizar suas morfologias, patologias e stress ocupacional.
Um dos passos mais importantes para a compreensão da antiguidade da humanidade foi a descoberta, pelos geólogos, do princípio da estratigrafia: que os níveis ou estratos se dispõem um acima do outro, como consequência de processos que continuam atuando até o presente. Desse modo,

A
o princípio da superposição é válido para a Arqueologia, mas é de difícil representação em exposições arqueológicas e museus. Isso porque esse princípio se refere à sequência de deposição e à idade do material nos diferentes extratos, não estando associado diretamente aos fenômenos culturais de formação do registro arqueológico.

B
o princípio da superposição é válido para a Arqueologia, podendo ser representado em exposições como forma de explicar o processo de formação dos sítios arqueológicos. Contudo, deve ser ressaltado que esse princípio se refere à sequência de deposição, não à idade do material nos extratos. Nesse sentido, processos naturais também devem ser considerados na elaboração de recursos expositivos.

C
o princípio da superposição não é válido para a Arqueologia, uma vez que se refere à sequência de deposição e não à idade do material nos diferentes extratos, não estando associado diretamente aos fenômenos culturais de formação do registro arqueológico.

D
o princípio da superposição é válido para a Arqueologia, mas envolve estudos específicos que compreendem a sequência de deposição e a idade do material nos diferentes extratos, não podendo ser explicitado de forma verossímil em exposições arqueológicas, uma vez que elas devem primar por conteúdos didáticos.
De acordo com Fabíola Andréa Silva (2009),

A
a Etnoarqueologia é uma especialidade da Arqueologia que estuda sociedades contemporâneas para testar hipóteses, formular modelos interpretativos e teorizações sobre a relação entre as pessoas e o mundo material.

B
a afirmação das analogias etnográficas generalizadas como método para compreender os povos do passado tem origem no século XIX e foi reforçada com o surgimento do difusionismo, do relativismo cultural e do particularismo histórico.

C
a maioria dos trabalhos etnoarqueológicos, entre as décadas de 1960 e 1980, foi conduzida na perspectiva pós-processualista, com o objetivo de apreender os princípios gerais do comportamento humano e buscar estabelecer generalizações sobre a relação entre o homem e o mundo material.

D
a abordagem etnográfica da Arqueologia foi aceita no período de atuação de Leroi-Gourhan (1911-1986), tendo sido descartada com o crescimento da influência norte-americana na Arqueologia.
A Arqueologia Processual pode ser sintetizada com base nos seguintes conceitos-chave:

A
natureza explicativa da Arqueologia, por meio da compreensão do processo cultural e das mudanças nos sistemas econômicos e sociais; procedimento de pesquisa caracterizado por formular hipóteses, elaborar modelos e deduzir consequências; e enfoque quantitativo frente a um enfoque meramente qualitativo.

B
natureza interpretativa da Arqueologia, por meio de uma explicação histórica; procedimento de pesquisa caracterizado por formular hipóteses, elaborar modelos e induzir explicações; enfoque quantitativo frente a um enfoque meramente qualitativo.

C
natureza explicativa da Arqueologia, por meio da compreensão do processo cultural, de como haviam ocorrido as mudanças nos sistemas econômicos e sociais; procedimento de pesquisa qualitativo, visando construir generalizações acerca do passado.

D
natureza interpretativa da Arqueologia, por meio da compreensão da mudança nos sistemas econômicos e sociais; procedimento de pesquisa indutivo, visando reconstruir o passado por meio de métodos qualitativos e quantitativos, com ênfase nos qualitativos.
A Musealização da Arqueologia

A
consiste na guarda de artefatos arqueológicos e documentação de pesquisa por museus, arquivos e outras instituições de guarda.

B
está comprometida com o estabelecimento de vínculos que aproximem os vestígios arqueológicos herdados das sociedades contemporâneas.

C
tem como principal desafio a inexistência de locais de guarda adequados para os acervos arqueológicos no Brasil.

D
tem como principal vantagem a disponibilidade no mercado de grande número de arqueólogos com formação e experiência específicas para o trabalho em museus desta natureza.
Com relação à elaboração de uma tipologia arqueológica, assinale a alternativa CORRETA.

A
A tipologia arqueológica deve consistir em uma sequência de artefatos que se sobrepõem em um dado contexto arqueológico.

B
O estudo dos processos de formação do registro arqueológico é fundamental para estabelecer os atributos determinantes.

C
Deve ser possível a outro arqueólogo, analisando a mesma coleção ou outra coleção semelhante, com base no uso dos mesmos critérios, classificar os artefatos de maneiras similares.

D
A determinação do conjunto de tipos de artefatos que compõem um dado registro arqueológico informa sobre os processos de formação natural que atuaram sobre esse registro.
O trabalho “Cacos e mais cacos de vidro: o que fazer com eles?”, de Paulo Zanettini e Paulo Bava de Camargo (2005), traz uma ampla revisão acerca das características do vidro, suas tecnologias de produção, a história do vidro no Brasil e os métodos de datação, colocando-se como importante contribuição para o estudo dos artefatos vítreos recuperados nos sítios arqueológicos históricos no país. De acordo com os autores, as tecnologias de produção do vidro podem ser classificadas em:

A
Tecnologia Manual, dividida em artefatos produzidos a partir de sopro humano sem o auxílio de moldes e artefatos produzidos por meio de sopro humano com o auxílio de moldes; Tecnologia Mecânica: produção semiautomática e automática.

B
Tecnologia Manual, dividida em artefatos produzidos a partir de sopro humano com moldes e artefatos produzidos por meio de sopro humano com máquinas compostas; Tecnologia Mecânica: produção semiautomática e automática.

C
Tecnologia Manual, dividida em artefatos produzidos a partir de sopro humano com moldes e artefatos produzidos por meio de sopro humano com modelos; Tecnologia Mecânica automática, com utilização de máquinas compostas.

D
Tecnologia Manual, com artefatos produzidos a partir de sopro humano com o auxílio de moldes e Tecnologia Mecânica, com artefatos produzidos em máquinas compostas.

Em grande parte das vezes, as pesquisas arqueológicas não dispõem de tempo e recursos necessários para estudar a totalidade de uma região ou de um sítio arqueológico. Dessa forma, as estratégias de amostragem ganham importância. A figura a seguir apresenta os quatro tipos de amostragem probabilística.

Imagem associada para resolução da questão

Os tipos de amostragem probabilística mostrados em A, B, C e D são, respectivamente:


A
aleatório estratificado; aleatório simples; sistemático; sistemático estratificado.

B
aleatório simples; aleatório estratificado; sistemático estratificado; sistemático.

C
aleatório simples; aleatório estratificado; sistemático; sistemático estratificado.

D
sistemático; sistemático estratificado; aleatório simples; aleatório estratificado.
Para Quetzil E. Castañeda (2008), podem ser considerados três modos distintos de articulação entre a Etnografia e a Arqueologia, a saber:

A
Etnografia arqueológica: a Etnografia é um método da Arqueologia empregado para o estudo do passado arqueológico; Antropologia da Arqueologia: a Arqueologia é um objeto da Etnografia, estudada como fenômeno sociocultural contemporâneo; Arqueologia etnográfica: a Arqueologia é sujeito da Etnografia, em que métodos etnográficos são utilizados para estudar os contextos do passado e do presente.

B
Etnografia arqueológica: a Arqueologia é empregada no estudo etnográfico, visando compreender as sociedades do presente; Antropologia da Arqueologia: a Antropologia é aplicada para compreender o pensamento arqueológico; Arqueologia etnográfica: articulação de métodos da Arqueologia e da Etnografia.

C
Etnografia arqueológica: a Arqueologia é empregada no estudo etnográfico, visando compreender as sociedades do presente; Antropologia da Arqueologia: a Arqueologia é um objeto da Antropologia; Arqueologia etnográfica: a Arqueologia é sujeito da Etnografia no presente.

D
Etnografia arqueológica: a Etnografia é um método da Arqueologia empregado para o estudo do passado arqueológico; Antropologia da Arqueologia: a Arqueologia é um sujeito da Antropologia; Arqueologia etnográfica: articulação de métodos da Arqueologia e da Etnografia, visando compreender as sociedades do passado.
As críticas ao processualismo deram-se

A
pelo alto grau de subjetividade desta corrente, capitaneada por Lewis Binford.

B
por não conseguir chegar a modelos gerais de interpretação.

C
por considerar que os homens agem da mesma forma independente do contexto espaço-temporal.

D
pela abordagem de questões de poder e abertura a uma postura não neutra por parte do arqueólogo.
Com relação ao método de datação por carbono 14, assinale a alternativa INCORRETA.

A
Trata-se de um método radioativo que pode ser aplicado exclusivamente a materiais orgânicos.

B
O princípio de datação é pautado na decomposição gradual do carbono14 em um organismo morto.

C
Após 7000+/–30 anos, o organismo morto perde metade da sua concentração de carbono original.

D
O método foi descoberto por Willard Libby na década de 40 do século XX, lhe valendo o Prêmio Nobel de Química em 1960.
Com relação à seriação por frequência, assinale a alternativa CORRETA.

A
É um método de análise que objetiva discernir as mudanças nos padrões de uso durante o ciclo de vida de um artefato.

B
Pauta-se na premissa de que os artefatos apresentam um ciclo de vida envolvendo manufatura, uso, descarte e, em alguns casos, reciclagem, e finalmente deposição no registro arqueológico.

C
Trata-se de um método quantitativo que visa estabelecer relações funcionais entre artefatos pertencentes a distintas tradições.

D
Consiste na mensuração da proporção relativa de determinados tipos de artefatos, partindo da premissa de que cada tipo tem uma trajetória cronológica bem definida, marcada pelo surgimento, por um pico de popularidade e pelo gradual declínio e desaparecimento.

Segundo Andrés Zarankin (2002), a construção das relações sociais por meio de discursos materiais é uma estratégia eficiente de reprodução de poder, sendo a arquitetura um discurso material. Na análise de estruturas arquitetônicas, a Arqueologia tem aplicado alguns modelos de análise morfológico-espacial, visando traçar estudos comparativos entre diferentes edificações. Considere a figura a seguir, que mostra a análise de uma escola.

Imagem associada para resolução da questão

Trata-se de um estudo efetuado por meio


A
do “modelo Gamma” utilizado para decompor a planta do prédio em diferentes nós e estabelecer as comunicações entre eles. No exemplo apresentado, é possível observar uma organização simétrica do tipo distributiva.

B
do método do índice de integração. No exemplo apresentado, é possível observar uma acentuada comunicação entre as partes do edifício escolar, cujos “nós” estão distribuídos de forma equitativa.

C
do “modelo Gamma” utilizado para decompor a planta do prédio em diferentes “nós” e estabelecer as comunicações entre eles. No exemplo apresentado, é possível observar uma organização espacial do tipo pan-óptica.

D
da análise de conexões com base no índice de complexidade. No exemplo apresentado na figura, é possível observar uma organização espacial do tipo distributiva.
As diferentes teorias da Arqueologia mostram que:

A
a convivência de distintas correntes sem definição do campo por uma delas tem causado prejuízo e divulgação de dados incorretos, inclusive por museus de Arqueologia.

B
os métodos de pesquisa e, portanto, de constituição da documentação arqueológica, são alterados, mas isto não influencia a forma pela qual os museus comunicam o seu resultado, pela necessidade de exposições objetivas e próximas da neutralidade científica.

C
a adoção de distintas técnicas de escavação, seguidas com precisão, levará invariavelmente aos mesmos resultados.

D
a Arqueologia brasileira não ressente da falta de teoria, mas a literatura referida lida com conceitos que, embora presentes, não são explicitados.
   
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