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Levando em consideração o texto como um todo e as...

Leia o texto abaixo, para responder às questões de 7 a 10.


Durante o período colonial e imperial, a variação salarial entre os docentes era grande. Não se tratava somente da hierarquização das aulas a partir do valor que se lhes atribuía: pagava-se menos aos mestres de primeiras letras e mais aos professores das disciplinas mais “nobres” que preparariam as elites para os cursos superiores. Outro elemento que influenciava no maior ou menor pagamento pelo trabalho era o tamanho da localidade onde fosse sediada a aula, uma vez que nas cidades onde houvesse maior população, haveria naturalmente maior número de alunos, sendo o trabalho do mestre maior. Assinale-se também a existência de uma diferença considerável entre o pagamento dos professores vindos de Lisboa e o que se concedia aos brasileiros, justificada pelo fato de os professores portugueses necessitarem de coisas trazidas da Europa, às quais estavam acostumados, enquanto os nacionais consumiam produtos locais, mais baratos.

Uma questão curiosa, tendo em vista a dificuldade de transporte e comunicação no Brasil colonial, é de como ocorria a relação entre as aulas dadas (o trabalho realizado) e o pagamento. Se lembrarmos que quem deveria providenciar o pagamento dos professores era um órgão central, é de se supor que fosse inviável pagar os salários tal como se faz hoje, mês a mês, tendo computado as horas trabalhadas. O pagamento das aulas era feito adiantadamente, e de cada vez se pagavam quatro meses juntos, ou seja, os professores recebiam três vezes ao ano.

Já durante o século XIX assinalava-se o problema dos baixos vencimentos dos professores. Na ata da assembleia constituinte de 1823, representantes de diversas províncias disseram que o salário era tão baixo para os mestres de primeiras letras e gramática latina que ninguém queria assumir esses cargos. Em 1853, na Paraíba do Norte, o problema do pagamento insuficiente prosseguia, afetando seriamente a qualidade do ensino público oferecido, pois os melhores mestres e professores dedicavam-se ao ensino particular, que lhes permitia viver com dignidade. Para solucionar o problema, esta Província aumentou o ordenado dos mestres e professores em 1860 – esta não foi uma iniciativa inédita, porque já em 1846 a Província do Rio Grande do Sul tinha aumentado o pagamento de seus docentes.


VICENTINI, Paula Perin e LUGLI, Rosario Genta. História da profissão docente no Brasil: representações em disputa. São Paulo: Cortez, 2009. p.91-92. Adaptado.

Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da gramática normativa tradicional, assinale a alternativa correta no que diz respeito ao primeiro e ao segundo parágrafos.


A

O trecho “justificada pelo fato de os professores portugueses necessitarem de coisas trazidas da Europa”, do primeiro parágrafo, pode ser reescrito da seguinte maneira, sem que ocorra erro gramatical ou prejuízo semântico: “justificada pelo fato dos professores portugueses necessitarem de coisas trazidas da Europa”.


B

No trecho: “coisas trazidas da Europa, às quais estavam acostumados, enquanto os nacionais consumiam produtos locais, mais baratos”, do primeiro parágrafo, suprimir a primeira e a última ocorrência da vírgula não caracteriza erro gramatical, mas implica alteração de sentido.


C

O trecho “Uma questão curiosa (...) é de como ocorria a relação entre as aulas dadas”, do segundo parágrafo, pode ser reescrito da seguinte maneira, sem que ocorra erro gramatical ou prejuízo semântico: “Uma questão curiosa (...) refere-se à relação entre as aulas dadas”.


D

O trecho “Se lembrarmos que quem deveria providenciar o pagamento dos professores era um órgão central” pode ser reescrito da seguinte maneira, sem que ocorra erro gramatical ou prejuízo semântico: “Se lembrarmos de que aquele que deveria providenciar o pagamento dos professores era um órgão central”.