Pedagogia Currículo (Teoria e Prática)

Como toda forma de diversidade é hoje recebida na escola, há a demanda óbvia por um currículo que atenda a essa universalidade. Diante dos princípios descritos norteadores da organização curricular, a gestão da unidade deve

  • A.

    reconhecer que há diversos conhecimentos produzidos pela humanidade que estão ausentes e, assim, devem permanecer, nos currículos e na formação dos professores, como, por exemplo, o conhecimento produzido pela comunidade negra ao longo da luta pela superação do racismo; o conhecimento produzido pelas mulheres no processo de luta pela igualdade de gênero; o conhecimento produzido pela juventude na vivência da sua condição juvenil, entre outros. Incorporar esses conhecimentos que versam sobre a produção histórica das diferenças e das desigualdades é uma forma de discriminação e viabilizar tratos escolares românticos sobre a diversidade e expor a desigualdade, que deve permanecer velada.

  • B.

    discursar sobre a diversidade, mas agir, planejando, organizando o currículo, vendo os alunos como um bloco homogêneo e um corpo abstrato, pois a escola é uma instituição de ensino coletivo para as amplas massas da população. O currículo escolar deve garantir a padronização no sentido de combater a diversidade existente, rumo ao igualitarismo, como se convivesse com um protótipo único de aluno.

  • C.

    garantir alguns eventos, como no Dia da Consciência Negra, de reconhecimento da identidade cultural (negros, indígenas, homossexuais, entre outros). No currículo escolar, a diversidade deve aparecer não como um dos eixos centrais da orientação curricular, mas, sim, como um tema. As diversidades são partes que diversificam o currículo e não núcleos. Os conhecimentos historicamente produzidos e elaborados devem ocupar lugar hegemônico da organização curricular.

  • D.

    agir, sair do imobilismo e da inércia e cumprir a sua função pedagógica diante da diversidade: construir, conjuntamente com os docentes, práticas pedagógicas que realmente expressem a riqueza das identidades e da diversidade cultural presente na escola e na sociedade. Falar sobre diversidade e diferença implica posicionar-se contra processos de colonização e dominação. É perceber como, nesses contextos, algumas diferenças foram naturalizadas e inferiorizadas sendo, portanto, tratadas de forma desigual e discriminatória. É entender o impacto subjetivo destes processos na vida dos sujeitos sociais e no cotidiano da escola.