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A construção epistemológica da abordagem Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) surgiu em um contexto de intensas críticas ao modelo tradicional de produção e disseminação do conhecimento científico, especialmente após eventos marcantes como as grandes guerras e o uso da bomba atômica. Entre os marcos teóricos que influenciaram essa abordagem, destaca-se o chamado Programa Forte, que propôs novas diretrizes para a análise sociológica da ciência, ampliando a compreensão sobre como o conhecimento é construído.
Segundo os princípios que orientam a perspectiva do Programa Forte, é correto afirmar que:
a reflexividade determina que uma explicação satisfatória de um episódio científico deve centrar-se no fim em si mesmo independentemente de seus resultados ou contribuições para outros propósitos;
a conectividade defende que o conhecimento científico deve ser construído isoladamente dos entendimentos consolidados em contextos locais, a fim de se alcançar uma visão unificada e em rede da ciência;
a imparcialidade sustenta que apenas fatores técnicos e empíricos são relevantes para explicar descobertas científicas, excluindo-se fatores metafísicos ambíguos, ainda que tidos como verdadeiros;
a simetria estabelece que as explicações para crenças consideradas verdadeiras e falsas devem utilizar os mesmos tipos de causas, evitando critérios distintos para justificar o sucesso ou o fracasso de teorias científicas;
a causalidade estabelece que o conhecimento válido deve ser fundamentado em métodos científicos rigorosos, ao passo que formas alternativas de conhecimento, ainda que factuais, não têm critérios que assegurem a verificabilidade.