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“As poéticas contemporâneas, ao propor estruturas artísticas que exigem do fruidor um empenho autônomo especial, frequentemente uma reconstrução, sempre variável, do material proposto, refletem uma tendência geral de nossa cultura em direção àqueles processos em que, ao invés de uma seqüência unívoca e necessária de eventos, se estabelece como que um campo de probabilidades, uma ‘ambigüidade’ de situação, capaz de estimular escolhas operativas ou interpretativas sempre diferentes”. (ECO, Umberto. Obra aberta: forma e indeterminação nas poéticas contemporâneas. São Paulo: Perspectiva, 1997).
A arte contemporânea, caracterizada pela experimentação, abertura, multiplicidade de meios e processos, e liberdade de experimentações, se trabalhada nas aulas de artes não apenas como conteúdo, mas como pensamento e princípio, ou seja, como fundamento, acarretaria novas posturas metodológicas, práticas e propostas; novos pensamentos e visões do professor sobre o ensinar arte. Qual pensamento não contribuiu para essa prática de ensino?
Essa prática buscaria assimilar as características e abordagens perante a arte e o fazer artístico nas escolas, regida pelos conceitos da arte contemporânea, agregando aspectos como a liberdade de caminhos, a investigação e a experimentação de novos meios materiais e temas.
Produzir atentando-se ao devir, ao investigar e ao experimentar em arte é também um meio de reconhecer tais processos na própria arte. A multiplicidade de manifestações contemporâneas impede a adoção de um parâmetro único ou rígido; ela nos habitua à diversidade visual e conceitual, de maneira que implica uma prática mais inclusiva, aberta a novos caminhos e a múltiplas narrativas.
Ter a arte contemporânea como fundamento acarreta também uma adesão constante à reflexão, à discussão e à análise da arte, de sua história, de suas poéticas e de suas possibilidades críticas, de maneira que, mesmo abrindo-se para a realização de diferentes manifestações, não se desassocia do desenvolvimento e da ampliação de conhecimentos estéticos e artísticos.
Evitar análises e discussões sobre a história da arte e suas mudanças no decorrer do tempo. O passado é passado; apenas os movimentos do presente interessam e devem ser abordados com leveza. A estética continua sendo o principal foco para a pesquisa em sala de aula.
Uma adesão conscienciosa da história da arte nas aulas de artes acarreta o reconhecimento de que a arte se constitui como processo dinâmico, aberto a mudanças e ressignificações, que nada tem de apática, indiferente à vida ou encerrada em um passado distante.