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“Um currículo que interligasse o fazer artístico, a história da arte e a análise da obra de arte estaria se organizando de maneira que a criança, suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição específica para a cultura.”
BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte: anos oitenta e novos tempos. São Paulo: Perspectiva, 2009, p. 35.
Sobre esse trecho, é possível afirmar:
Trata-se de uma afirmação do movimento pela renovação do ensino da Arte, ocorrido na década de 1960 como resposta à ditadura militar, em busca da valorização da infância e de seus processos de criação de forma livre e sem intervenções.
A abordagem defendida pela autora demonstra uma visão centrada na criança e, portanto, diz respeito ao Movimento Educação pela Arte, preconizado por Herbert Read.
A inter-relação entre fazer artístico, história da Arte e análise da obra de arte é o fundamento da Abordagem Triangular, proposta para o ensino da Arte no final da década de 1960, como resposta à ditadura militar.
O fazer artístico é uma insubstituível forma de aprender a pensar visualmente, assim como a alfabetização pelas imagens e sua decodificação, elementos que caracterizam o ensino de arte centrado nas técnicas visuais exercido, especialmente, durante a ditadura militar.
A triangulação entre fazer-contextualizar-analisar é oriunda do DBAE - Disciplined-Based-Art Education, do Getty Center of Education in the Arts, surgido no final da década de 1970 nos Estados Unidos, que formou uma das bases da então denominada Metodologia Triangular, a metodologia de ensino traçada no Museu de Arte Contemporânea da USP na década de 1980.