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(O Re-inventar da tradição na contemporaneidade – Artesol.)
Um exemplo dessa capacidade única de imprimir no mundo suas perspectivas originais é o ceramista João Augusto Alves Ribeiro, que nasceu em Santana de Araçuaí, único distrito de Ponto dos Volantes, Vale do Jequitinhonha (MG). Ligado à BR 116 por onze quilômetros de estrada de terra, o lugar é conhecido pela produção em cerâmica iniciada há cerca de 60 anos pelas mãos revolucionárias da grande mestra da arte popular brasileira, Isabel Mendes Cunha. Com a técnica tradicional aprendida com a mãe “louceira”, ela perseguiu o sonho de modelar bonecas. O repasse espontâneo aos filhos, genro, nora e netos se dava através do tradicional modo de “aprender vendo alguém fazer”.
(O Re-inventar da tradição na contemporaneidade – Artesol.)
O artesanato brasileiro de raiz é muito mais do que uma fascinante coleção de objetos com uma estética popular cativante. É um dos exemplos de que cultura, tradição e contemporaneidade são elementos presentes em nosso cotidiano. Nesses elementos e na relação que estabelecem entre si
estão contidos traços e elementos culturais riquíssimos, repletos de sincretismo que compõem o que entendemos por “brasilidade”.
apresentam-se mesclados o fruto das culturas nativas e saberes dos povos originários do país sem as influências estrangeiras que deturparam nossa cultura.
extirpa-se de vez a miscigenação étnica e cultural com os diferentes imigrantes europeus e asiáticos que devem ser vistos como alheios à matriz cultural brasileira.
preconiza-se a necessidade de manter as práticas sociais, econômicas e educativas da comunidade artesã, longe de qualquer tecnologia, seja de produção ou comercialização.
estabelece-se nitidamente a incompatibilidade e a intolerância cultural e étnica entre os conhecimentos e saberes-fazeres tradicionais da cultura popular para a cultura erudita.