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Quando nós, povos indígenas, tratamos e olhamos o nosso corpo, olhamos a partir do nosso ponto de vista de transformação. O corpo está em constante transformação, está em movimento. Uma das coisas que eu levantei na minha tese de doutorado é exatamente como nós, povos indígenas, compreendemos e conceituamos o corpo. Cheguei a uma questão que o corpo, do nosso ponto de vista, é a síntese de todos os elementos, os nossos especialistas falam que o corpo é constituído de vida água, quando digo água, não é água que a gente conhece, é a água na sua essência, vida-animal na sua essência, vida-vegetal, vida-luz, vida-terra. Essa noção de constituição do corpo como elemento é fundamental, é onde os nossos especialistas lançam mão para transformar o corpo; então Bahsese como arte transforma o corpo pelo poder de manipulação das qualidades sensíveis e das coisas via palavras, pela formação que os especialistas têm, portanto, para nós, a oralidade é importante, falar para nós não é qualquer coisa, é a palavra que transforma, é a palavra que destrói, é a palavra que constrói, o poder da palavra é superimportante, portanto a arte do Bahsese é isso. Dizia o grande professor indígena Brasilino Barreto: “Esse poder que está na ponta da boca”. Assim como para os brancos o poder está na caneta, na escrita.
João Paulo Barrreto Yepamahsã e Luiz Davi Vieira Gonçalves. Teatro e povos indígenas: o perigo da folclorização. In: Naine Terena e Andreia Duarte (Org.). Teatro e os povos indígenas: janelas abertas para a possibilidade. Rio de Janeiro: Editora Outra Margem / São Paulo: N-1 Edições, 2023 (com adaptações).
A partir da leitura desse texto, assinale a opção correta.
O ensino de arte permite práticas pedagógicas com a perspectiva de transformação proposta no texto somente nos processos de aprendizado e criação, pois o produto final precisa ser fixado e formatado como obra.
O domínio didático da dança que trata da consciência corporal, por tratar do entendimento anatômico e fisiológico, não comporta a perspectiva de corpo proposta no texto.
O ensino de teatro indígena foi impossibilitado no Brasil justamente por sua tradição oral, que impossibilitou que fosse registrado historicamente.
Ensinar arte indígena por meio de sua classificação apenas como folclore desvaloriza sua dimensão artística autônoma, suas técnicas complexas, funções sociais, espirituais e estéticas próprias.
A oralidade, embora presente na dança, não deve ocupar lugar de expressão corporal e criativa como propõe o texto, sob pena de desvirtuar a não verbalidade da expressão corporal.


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