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A respeito do diálogo entre a produção de um artista brasileiro contemporâneo, Emanoel Araújo (criador do Museu Afro Brasil), conforme imagem exemplo de sua obra (Imagem 12) e a tradição japonesa das ukiyo-e, especialmente a obra “Chuva Repentina sobre a Ponte Shin-Ōhashi e Atake” (1857), Imagem 13, de Utagawa Hiroshige, assinale a alternativa CORRETA.

Diferentemente da proposta estética ornamental presente em Hiroshige, as gravuras de Emanoel Araújo destacam-se pela ausência de função social e pelo foco exclusivo na geometrização abstrata, sem relação com a experiência negra no Brasil.
Tanto a obra de Hiroshige quanto as gravuras de Emanoel Araújo revelam atenção à composição gráfica, mas divergem quanto à função: enquanto Hiroshige retrata cenas cotidianas do Japão do século XIX com sensibilidade poética, Araújo utiliza a gravura como instrumento de afirmação identitária e memória da população negra brasileira, incorporando elementos de crítica social.
Embora Hiroshige trabalhe com a tradição ukiyo-e e Emanoel Araújo empregue técnicas contemporâneas de gravura, ambos compartilham o interesse em registrar experiências humanas, mas apenas Hiroshige organiza sua obra em séries narrativas, ao contrário de Araújo, cuja produção gráfica é majoritariamente individual e nunca dialogou com temas afro-brasileiros.
Assim como Hiroshige representa o cotidiano urbano japonês por meio do uso expressivo da cor e da perspectiva atmosférica, Emanoel Araújo utiliza suas gravuras para retratar paisagens brasileiras, priorizando temas naturalistas em vez das questões étnico-raciais que permeiam sua obra.
A relação entre Hiroshige e Emanoel Araújo reside no fato de ambos representarem o exotismo oriental, razão pela qual suas gravuras seguem o mesmo movimento artístico, a Escola Utagawa, mesmo que produzidas em períodos e contextos completamente diferentes.