Coletânea
Texto 1:
Nos últimos anos ocorreu um crescimento acelerado da presença da Inteligência Artificial (IA) no nosso cotidiano. Não são poucas as situações em que usamos, na maioria das vezes sem darmos conta, modelos criados por algoritmos de IA (Faceli, 2021). E usamos em atividades tão rotineiras como ler mensagens enviadas por e-mail, lavar nossas roupas, dirigir um veículo autônomo ou semiautônomo e decidir a que filme ou episódio de uma série assistir em uma plataforma de streaming. Existem também situações em que o uso de IA em um produto ou serviço é claramente mencionado, criando muitas vezes a expectativa de alguma coisa melhor. Isso pode ser observado pelo grande crescimento, nestes últimos anos, no número de equipamentos e serviços que usam como peça de propaganda e marketing a divulgação de que são baseados em IA. Mencionar que usa IA virou quase uma garantia de que um produto ou serviço oferecido por uma empresa é superior aos oferecidos pelas empresas concorrentes. Embora isso não seja necessariamente verdade, tanto no real uso de IA quanto na superioridade em relação aos concorrentes.
Mas por que a IA cresceu tanto? Um dos principais motivos para esse crescimento, senão o principal, é o rápido desenvolvimento de novas tecnologias para extração, armazenamento, transmissão e processamento de dados, que serão aqui denominados os quatro eixos de avanços tecnológicos que provocaram a expansão da IA.
[...] Independentemente de nossos desejos, a IA já está se tornando íntima de todos nós. O que temos que decidir agora não é mais se teremos ou não a IA, mas como teremos a IA. Para isso, temos que, prestando atenção em experiências passadas, de acesso e inclusão social a novas tecnologias, garantir que a IA veio para beneficiar a todos nós e que os riscos que receamos possam ser evitados. Isso é inseparável de um uso responsável da IA, que é uma IA justa, transparente e que respeite a privacidade das pessoas. Como toda nova tecnologia, a razão de sua existência deve ser melhorar a vida das pessoas, não deixando ninguém para trás.
Disponível em:https://www.scielo.br/j/ea/a/ZnKyrcrLVqzhZbXGgXTwDtn/#:~:text=A%20Intelig%C3%AAncia%20Artificial%20pode%20tornar,existentes%20e%20tr . Acesso em: 10 mai. 2023.
Texto 2:
Estudante da UFG desenvolve programa que prevê piora no quadro de diabéticos com 96% de precisão
Software analisa pedidos de exames do paciente e faz previsão se aquela pessoa terá um infarto ou perda das funções renais, por exemplo, nos próximos 6 a 8 meses
O doutorando em Ciências da Computação pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Rafael Teixeira desenvolveu um programa que prevê intercorrências em diabéticos com 6 a 8 meses de antecedência e com 96% de precisão. O software, que usa inteligência artificial, já está sendo testado e passa por aprimoramentos. Rafael teve a ideia conversando com pessoas do ramo da saúde. Ele decidiu trabalhar com uma demanda dos planos de saúde que era em lidar melhor com doentes crônicos. Segundo o pesquisador, esses pacientes sempre pioram e aumentam os gastos, além de terem alta mortalidade.
“Dentre as doenças crônicas fomos trabalhar com a diabete porque, além de ser o maior grupo de doentes crônicos, o paciente vai piorando devagar e existem evidências dessa piora”, detalhou. Professor orientador do Rafael, Anderson Soares conta que o projeto é inovador justamente porque prevê com precisão os próximos “passos” da doença no paciente. “Eu acredito que esse é um dos poucos exemplos em que a máquina realmente consegue superar o desempenho do ser humano, porque mesmo um médico muito especializado, não conseguiria fazer as previsões dessa forma”, avaliou. Anderson contou que o projeto foi apresentado recentemente como destaque de inovação no Canadá e, no próximo dia 18 de maio, ele dará uma palestra, em Goiânia, sobre o assunto no evento de tecnologia e inovação à saúde, Hint One Experience.
Disponível em: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/05/12/estudante-da-ufg-desenvolve-programa-que-preve-piora-no-quadro-de-diabeticos-com-96percent-de-precisao.ghtml. Acesso em: 10 mai. 2023.
Texto 3:

. Acesso em: https://www.itatiaia.com.br/editorias/charges/2023/04/14/charge-do-duke-a-inteligencia-artificial-vai-substituir-humanos10 mai. 2023.
Texto 4:
A inteligência artificial vai dominar o mundo?
Luli Radfahrer diz que há um bocado de exagero nessa tese, que não leva em conta, por exemplo, que a inteligência artificial é uma tecnologia complementar. Ultimamente, só se fala em chatbots, o que nos leva a especular se a inteligência artificial vai mesmo dominar o mundo. Na opinião de Luli Radfahrer, há um bocado de exagero nisso, já que a inteligência artificial é uma tecnologia complementar, “você dizer que ela vai dominar o mundo é como você dizer que a eletricidade vai dominar o mundo […] o chatbot está na moda, e vai ter uma expansão e depois vai cair na normalidade; agora, quando a gente fala da inteligência artificial dominar o mundo, a gente precisa entender de que tipo de inteligência artificial a gente está falando”
De acordo com ele, ChatGPT é uma base de dados, depende de supercomputadores e não consegue, por exemplo, se orientar no mapa ou entender a informação de satélite, ou seja, “a gente tem essas informações muito tópicas, muito específicas, o que dizem que vai ser o grande salto da inteligência artificial é quando surgir uma inteligência geral, ou seja, uma máquina que pense de forma parecida com um ser humano”. Radfahrer vai além e diz que, no momento em que a máquina for superinteligente, pode gerar outras máquinas ainda mais inteligentes, até que chega o momento em que a máquina é mais inteligente do que um ser humano […] a gente não sabe o limite, né?” diz o colunista, não sem antes observar que o progresso da tecnologia não é linear.
“Só que o salto da inteligência específica para o geral é muito grande e a gente nem sabe se é possível existir uma inteligência […] é a ideia de você transferir para a máquina tudo aquilo que você não conhece, todos os seus mitos, todas as suas ignorâncias. E, do mesmo jeito que alguns povos primitivos transferiram aquilo que eles não entendiam para a religião, hoje as pessoas transferem isso para a máquina”.
Disponível em: https://jornal.usp.br/radio-usp/a-inteligencia-artificial-vai-dominar-o-mundo/. Acesso em: 10 mai. 2023.
Texto 5:
Projeto cria marco legal para uso de inteligência artificial no Brasil
Texto determina que a inteligência artificial deverá respeitar os direitos humanos e os valores democráticos. O Projeto de Lei 21/20 cria o marco legal do desenvolvimento e uso da Inteligência Artificial (IA) pelo poder público, por empresas, entidades diversas e pessoas físicas. O texto, em tramitação na Câmara dos Deputados, estabelece princípios, direitos, deveres e instrumentos de governança para a IA.
Entre outros pontos, a proposta estabelece que o uso da IA terá como fundamento o respeito aos direitos humanos e aos valores democráticos, a igualdade, a não discriminação, a pluralidade, a livre iniciativa e a privacidade de dados. Além disso, a IA terá como princípio a garantia de transparência sobre o seu uso e funcionamento.
Autor do projeto, o deputado Eduardo Bismarck (PDT-CE) disse que o objetivo é dotar o país de uma legislação que, ao mesmo tempo, estimule a IA e proteja os cidadãos do mau uso dela. “Precisamos de uma edição de legislação tornando obrigatórios os princípios consagrados no âmbito internacional e disciplinando direitos e deveres”, disse.
Disponível em:https://www.camara.leg.br/noticias/641927-projeto-cria-marco-legal-para-uso-de-inteligencia-artificial-no-brasil/ . Acesso em: 10 mai. 2023.
Propostas de redação
A – Artigo de opinião
O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do(a) autor(a) a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo(a) autor(a) ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivas argumentativas.
Escreva um artigo de opinião para um jornal de circulação na comunidade local respondendo à seguinte pergunta: “A inteligência artificial vai dominar o mundo?”. Em seu artigo, posicione-se e fundamente a defesa de seu ponto de vista com argumentos que problematizem o tema.
B – Carta de leitor
A carta de leitor é um gênero discursivo de natureza persuasivo-argumentativa, em que o leitor manifesta sua opinião a respeito de assuntos publicados em jornal ou revista, dirigindo-se ao editor ou ao autor de determinada matéria publicada. O texto é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de argumentação e convencimento, e pode ser escrita para convencer o interlocutor a respeito de outro ponto de vista ou para fortalecer o debate, levantando novos argumentos e reflexões.
Imagine que você seja um leitor que se deparou com a publicação de Luli Radfahrer, Professor de Comunicação Digital da Escola de Comunicações de Artes da USP e, a partir do posicionamento dele, resolve escrever uma carta de leitor. Em sua carta, além de comentar a declaração de Luli Radfahrer, concordando ou discordando, você deve defender seu ponto de vista a respeito do tema: “A inteligência artificial vai dominar o mundo?”.