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REDAÇÃO


Texto 1


Narcocultura é o nome dado ao conjunto de práticas, símbolos, comportamentos e expressões artísticas que glorificam ou romantizam o universo do narcotráfico. Ela aparece em músicas, filmes, vídeos, roupas, tatuagens e postagens nas redes sociais, exaltando o poder, a riqueza e o estilo de vida dos envolvidos com o tráfico de drogas. No entanto, o termo também traz consigo a criação de uma narcoestética, responsável por idealizar um estilo de vida associado ao narcotráfico. No Brasil, o conceito é comumente relacionado a gêneros musicais como o funk ostentação e o rap, que retratam a realidade das favelas e do crime.

Representar o crime em obras artísticas não é, por si só, uma conduta criminosa. A Constituição Brasileira garante a liberdade de expressão e de criação artística (art. 5o , inciso IX). No entanto, quando a manifestação cultural defende, incentiva ou exalta publicamente práticas criminosas ou criminosos, ela pode, sim, ser enquadrada no artigo 287 do Código Penal, que trata da apologia ao crime. Nesse sentido, há uma diferença importante entre retratar a realidade do crime (como denúncia ou crítica) e glorificar o crime (como se fosse algo desejável). Muitos artistas afirmam que suas músicas ou obras apenas refletem a realidade das comunidades, denunciam a violência, a desigualdade e a ausência do Estado. Por outro lado, críticos argumentam que certas produções romantizam o crime, mostrando armas, drogas e luxo como símbolos de status.


(Layane Henrique. “O que é narcocultura e de onde surgiu este conceito?”, 04.06.2025. Disponível em: https://www.politize.com.br/. Adaptado)


Texto 2


O título do funk como patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro reafirma a arte da periferia e que o preto, pobre e favelado também são construtores de cultura, memória e identidade. O estilo é uma forma de ocupar espaço e resistir, mas ainda é perseguido. Para Taísa Machado, pesquisadora do funk e fundadora do Afrofunk, o desconforto está ligado a como o formato musical é entendido, “não é tratado como um produto de cultura”, explica. “O funk não é só música, ele dá sentido à rotina de muita gente que vive à margem”, afirma a funkeira Natitude, da Zona Oeste do Rio.

No final de maio deste ano, o MC Poze do Rodo foi preso, acusado de apologia ao crime e associação ao tráfico por conta da letra de algumas músicas, o que a Polícia Civil categorizou com termo “narcocultura”. Diversos MC’s saíram em defesa de Poze. MC Cabelinho foi um deles: “quando interpretei um traficante na novela das nove, era arte. Quando um funkeiro relata a realidade, é apologia ao crime. Quem decide isso?”

Para Taísa Machado, a repressão não recai sobre qualquer tipo de funk, “a gente sabe que não é o funk que é tocado no Rock in Rio que vai ser perseguido”, fala. “Tem uma relação íntima com o baile, com o proibidão, com o jovem negro e da periferia. Quando essa linguagem incomoda, o que está sendo realmente questionado não é o som, mas quem o produz”, declara Taísa.


(Larissa Xavier. “’Meu funk é grito de liberdade’: O ‘corre’ do funk entre a criminalização, resistência e reconhecimento”, 12.07.2025. Disponível em: https://www.vozdascomunidades.com.br/. Adaptado)


Texto 3


Criminosos influentes na vida dos moradores de comunidades se tornaram os donos daqueles territórios também pela capacidade de converter a violência em renda econômica. Estabelecido o controle e a influência, a violência logo se tornou tema da cultura. Segundo Alessandro Visacro, analista de segurança e defesa e autor do livro A guerra na era da informação, “o primeiro objetivo é a construção de um conjunto de valores e crenças coletivo desses grupos armados. Nos bailes funk, hoje, observamos dezenas de fuzis, porque o armamento faz parte dessa cultura. Isso fortalece o reconhecimento social daquele indivíduo dentro da comunidade”, analisa ele. Além disso, a cultura se torna mais um instrumento de propaganda para captação e mobilização de uma massa quase infindável de recursos humanos, que são as crianças e os jovens.

Para Felipe Curi, secretário de Polícia Civil, a difusão de músicas que “normalizam” a atuação das organizações criminosas é uma consequência da chamada “narcocultura”: “ela nada mais é do que enaltecer a ideologia de uma facção por meio de uma manifestação dita cultural. Muitos funkeiros e MCs acabam sendo um instrumento de propaganda que exalta o crime, e isso é muito lesivo, porque vai entrando na mente desses jovens e eles vão achando que aquilo ali é o correto.”, afirma.


(Roberta de Souza e Giampaolo Morgado Braga. “Narcocultura, violência arraigada no cotidiano e o vácuo do Estado nas favelas: debates que voltam à cena após o caso do MC Poze”, 15.06.2025. Disponível em: https:// https://oglobo.globo.com/. Adaptado)


Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:


Narcocultura: arte ou apologia ao crime?