Texto 1
Os bonecos Labubu, os livros de colorir Bobbie Goods e os bebês realistas reborn vêm conquistando não apenas o público infantil, mas também uma legião de adultos brasileiros. Esse fenômeno faz parte de uma tendência crescente chamada kidult – junção das palavras da língua inglesa kid (“criança”) e adult (“adulto”) –, termo que designa adultos que consomem brinquedos e produtos tradicionalmente infantis. Segundo pesquisa, 76% dos brasileiros entre 18 e 65 anos se identificam como consumidores em potencial desse segmento, superando a média mundial, que é de 67%.
De acordo com a psicanalista Tatiane Reis, o consumo de brinquedos por adultos pode ter diferentes significados psíquicos. Em alguns casos, atua como uma estratégia saudável de enfrentamento, uma forma de conforto emocional diante da instabilidade profissional, das perdas, das cobranças e das pressões da vida adulta. O brinquedo, nesse contexto, resgata a nostalgia e os afetos da infância, funcionando como uma espécie de refúgio emocional diante do mundo pós-moderno.
Por outro lado, a psicanalista alerta para os riscos quando esse comportamento se torna excessivo ou compulsivo. “Quando o brinquedo passa a substituir relações humanas, ou quando há compras exageradas e isolamento social, é preciso acender o sinal de alerta e buscar apoio psicológico”, explica Tatiane.
(Antônio Luiz Moreira Bezerra. Kidults e a febre dos brinquedos para adultos: entre o afeto, a nostalgia e o alerta psicanalítico.
Disponível em: https://www.al.pi.leg.br/comunicacao/tv-assembleia/noticias-tv/kidults-e-a-febre-dos-brinquedos-para-
-adultos-entre-o-afeto-a-nostalgia-e-o-alerta-psicanalitico, 26.06.2025. Adaptado)
Texto 2
Um movimento vem chamando a atenção nas redes sociais: a infantilização de adultos – ou kidult. Fazem parte dessa onda elementos que remetem à infância, como livros de colorir, versões mirins de si mesmo feitas por inteligência artificial e publicadas nas redes sociais e até chupetas.
Inicialmente vista como uma moda recreativa, a tendência pode representar algo mais profundo, relacionado a questões emocionais. “Esses elementos podem funcionar como símbolos de proteção e conforto. Muitas vezes, resgatam lembranças de fases da vida em que havia mais cuidado e proteção ou, em alguns casos, refletem um processo de infantilização, quando esse adulto não pôde vivenciar plenamente essa etapa de forma saudável e integral”, explica a psicóloga Kênia Ramos. Segundo a especialista, colecionar bonecos, quadrinhos ou jogar video games pode ser saudável quando é ligado ao lazer, ao prazer estético ou cultural.
Para a psicóloga, a ideia de retornar à infância por meio de tais produtos é “prazerosa e segura, mas o problemático está em avaliar se esse comportamento é uma parte da vida adulta, trazendo leveza e prazer, ou se se torna um refúgio para evitar responsabilidades, dores ou dificuldades emocionais. Essa busca por elementos infantis pode ser saudável, desde que haja equilíbrio”, conclui.
(Nara Boechat. Infantilização de adultos: fenômeno global que contrapõe a adultização. Disponível em:
https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/infantilizacao-de-adultos-fenomeno-global-que-contrapoe-a-adultizacao, 24.08.25. Adaptado)
Texto 3
Em um mundo cada vez mais acelerado, tecnológico e sobrecarregado de notícias difíceis, um fenômeno curioso tem ganhado força: adultos comprando brinquedos para si mesmos. Aqueles mesmos que um dia fizeram parte da infância agora retornam como suporte emocional em tempos desafiadores. E o novo público dos brinquedos são chamados de kidults. A nostalgia tem sido uma ferramenta poderosa para trazer conforto emocional. Mas até que ponto isso é saudável?
Vale o questionamento: será que tudo isso não passa de uma falsa sensação de bem-estar emocional? Estaríamos apenas nos distraindo enquanto deixamos de lidar com os problemas reais da vida?
Essa busca por conforto por meio do consumo pode nos levar a uma alienação, isto é, ao distanciamento da realidade e do pensamento crítico. Enquanto compramos brinquedos para nos sentirmos melhor, deixamos de refletir sobre nossas responsabilidades individuais e coletivas. A pergunta que fica é: será que estamos realmente cuidando da nossa saúde emocional, ou apenas distraindo a mente para continuar sobrevivendo no automático? Brincar pode sim ser um ato de autocuidado, mas é importante não confundir isso com consumir desenfreadamente para preencher vazios que precisam de atenção mais profunda.
(Michelle Lourenceto. Brinquedos para Adultos: Nostalgia, Emoção ou Consumo Disfarçado? Disponível em:
https://www.livreinstancia.com.br/post/brinquedos-para-adultos-nostalgia-emo%C3%A7%C3%A3o-ou-consumo-disfar%C3%A7ado, 20.06.25. Adaptado)
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva um texto dissertativo-argumentativo, empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema:
O fenômeno kidult: conforto emocional ou comportamento alienado?