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Um estudo realizado na reserva Yanomami (RR), coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Socioambiental (ISA), mostra que em algumas aldeias indígenas 92% das pessoas examinadas estão contaminadas por mercúrio.
Nesse estudo, a análise das concentrações de metilmercúrio em peixes carnívoros e peixes onívoros, que constituem uma das principais fontes de exposição humana ao metilmercúrio, sobretudo em populações ribeirinhas, mostrou que a média da concentração de mercúrio nos peixes carnívoros foi de 0,14 µg.g-1, enquanto nos peixes onívoros essa média foi de 0,10 µg.g-1.
O resultado para a concentração de metilmercúrio nos peixes é coerente, pois:
esta substância é hidrossolúvel, sendo eliminada rapidamente pelos rins dos peixes de água doce, que produzem urina abundante e diluída para manter o equilíbrio osmótico.
o metilmercúrio é lipossolúvel e muito bem absorvido pelas membranas biológicas em geral, o que proporciona sua acumulação ao longo da cadeia alimentar.
quanto menor o nível trófico ocupado por uma espécie na cadeia alimentar, maior sua concentração de mercúrio, devido à ocorrência de magnificação trófica.
espécies mais próximas da base da cadeia alimentar têm maior disponibilidade de energia, metabolismo mais intenso e, consequentemente, maior velocidade na eliminação de toxinas.
algumas espécies, incluindo vertebrados, são capazes de biorremediação, processo em que são capazes de acumular metais pesados, retirando-os do ambiente.