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A infecção pelo papilomavírus humano (HPV) pode produzir diferentes alterações morfológicas no epitélio escamoso cervical, relacionadas tanto ao ciclo produtivo viral quanto ao processo de transformação celular associado aos tipos de HPV de alto risco oncogênico. Considerando os mecanismos envolvidos na infecção pelo HPV e os critérios citomorfológicos utilizados na classificação das lesões intraepiteliais escamosas, a relação entre a biologia da infecção viral e seus principais achados citológicos é estabelecida adequadamente, pois:
a coilocitose caracteriza predominantemente as lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (HSIL), sendo definida pela presença de halo perinuclear em células imaturas com elevada relação núcleo/citoplasma e ausência de alterações nucleares
nas lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL), a integração do DNA viral ao genoma da célula hospedeira e a superexpressão das oncoproteínas E6 e E7 constituem eventos obrigatórios, produzindo perda completa da maturação do epitélio e predomínio de células basaloides
a presença de halo perinuclear em células escamosas é suficiente, isoladamente, para caracterizar coilocitose e confirmar infecção pelo HPV, independentemente da presença de aumento, hipercromasia ou irregularidade nuclear
a coilocitose é um efeito citopático característico da infecção produtiva pelo HPV e está frequentemente associada à LSIL, enquanto a HSIL apresenta maior perda da maturação celular, aumento da relação núcleo/citoplasma e alterações nucleares mais acentuadas, estando relacionada à atividade transformante persistente de HPV de alto risco