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Os meios de comunicação desempenham um papel central na construção da realidade social, não apenas refletindo eventos, mas selecionando, recortando e enquadrando as informações de acordo com critérios próprios do campo midiático. Segundo Pierre Bourdieu, o campo midiático opera dentro de uma lógica de disputa por legitimidade e prestígio, onde os agentes (jornalistas, publicitários, editores e proprietários de veículos midiáticos) competem dentro de uma estrutura hierárquica que influencia diretamente a produção e circulação da informação. Dessa forma, o jornalismo e a publicidade não podem ser compreendidos de maneira isolada, mas sim como partes de um sistema de forças que interagem com outros campos sociais, como o político e o econômico. Essa relação de dependência e autonomia relativa molda a agenda pública, influencia a percepção social dos acontecimentos e determina quais discursos ganham legitimidade.
(BOURDIEU, Pierre. A distinção. São Paulo: Edusp, 2008. Adaptado.)
Considerando a estrutura do campo midiático e suas relações com a sociedade, assinale a afirmativa que representa o papel da illusio no funcionamento desse campo.
Refere-se à crença generalizada da sociedade de que a mídia é um instrumento neutro de transmissão da realidade, ignorando as disputas internas do próprio campo.
Diz respeito ao consenso social de que apenas agentes externos, como políticos e empresários, influenciam a produção jornalística, desconsiderando as forças internas do campo.
Refere-se à ilusão dos leitores e espectadores de que a concorrência entre veículos de comunicação é irrelevante para a seleção e produção de notícias, quando na verdade ela é o principal fator determinante na agenda midiática.
Expressa o comprometimento dos agentes do próprio campo com a lógica interna do jogo, onde jornalistas e publicitários disputam posições e recursos, acreditando que os “troféus” disputados possuem um valor intrínseco e inquestionável.