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Numa atividade de leitura do conto, um aluno comenta que não entendeu quase nada do que está escrito em Vai muitas vezes à burra, que está na alcova de dormir, com o único fim de fartar os olhos nos rolos de ouro e maços de títulos.
Levando em conta os estudos linguísticos, discursivos e pedagógicos contemporâneos, o professor deve enfrentar a questão apoiado em conceitos que dêem consistência à sua prática no processo de formação de leitores. Entre eles, o único que deve ser rejeitado, por sua natureza equivocada, é:
A compreensão não requer que os conhecimentos que enformam o texto e os do leitor coincidam, mas que possam interagir dinamicamente.
O autor mobiliza um conjunto de conhecimentos para a produção de um texto; espera-se, da parte do leitor, que considere esses conhecimentos (de língua, de gênero textual e de mundo) no processo de leitura e construção de sentido.
Os conhecimentos selecionados pelo autor na e para a constituição do texto “criam” um leitor-modelo. Desse modo, o texto, pela forma como é produzido, pode exigir mais ou exigir menos conhecimento prévio de seus leitores.
As circunstâncias da escrita (o contexto de produção) podem ser diferentes das circunstâncias da leitura (contexto de uso), quer no que se refere ao tempo, quer no que se refere ao espaço, com todos os aspectos que eles implicam.
A leitura é atividade interativa de produção de sentidos, que se realiza obviamente com base nos elementos linguísticos presentes na superfície textual; qualquer entrave que aí se constitua para o leitor é impeditivo de seu avanço na busca de esclarecimentos.