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Uma empresa do setor industrial apresentou, no último exercício, EBITDA positivo e crescente pelo terceiro ano consecutivo, margem EBITDA de 28%, lucro líquido positivo e Fluxo de Caixa Operacional (FCO) negativo. Ao analisar as demonstrações financeiras dessa empresa, o auditor concluiu, corretamente, que:
O EBITDA negativo, combinado com FCO negativo, sinaliza deterioração estrutural da capacidade de geração de caixa, indicando que a empresa não consegue cobrir sequer suas despesas operacionais antes dos encargos financeiros e tributários, o que compromete qualquer avaliação de valuation por múltiplos.
A coexistência de EBITDA positivo e FCO negativo é situação estruturalmente incoerente e tecnicamente impossível, pois o EBITDA representa o caixa gerado pelas operações antes dos itens não caixa, de modo que um EBITDA positivo implica necessariamente FCO positivo no mesmo período.
A margem EBITDA de 28% é indicador suficiente para atestar a saúde financeira da empresa e a adequação de sua estrutura de capital, tornando irrelevante a análise do FCO negativo para fins de auditoria, uma vez que o EBITDA, por excluir itens não recorrentes, reflete com maior fidelidade a capacidade de pagamento de dívidas do que qualquer métrica de fluxo de caixa.
O EBITDA positivo com FCO negativo pode decorrer de fatores como expressivo consumo de capital de giro — aumento de estoques, alongamento do prazo de recebimento ou redução do prazo de pagamento a fornecedores —, evidenciando que a lucratividade operacional medida pelo EBITDA não se converteu em geração efetiva de caixa no período.