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Em uma unidade do Conselho Regional de Serviço Social (CRAS) de uma grande cidade, em um bairro periférico de uma região com incidência de muita pobreza e poucos recursos, a psicóloga da equipe acompanha uma família em que uma mulher de 34 anos de idade é a mantenedora do lar, com quatro filhos: de catorze, doze, dez e quatro anos de idade. O companheiro, pai do filho mais novo, está desempregado e é usuário de crack. Moram em uma pequena casinha com 15 m2, sem saneamento básico. A mulher trabalha como diarista, fazendo limpeza nos bairros mais abastados, longe da sua casa. Leva quatro horas diárias para ir e vir do trabalho e consegue uma renda de dois mil reais, sem nenhuma garantia trabalhista. Essa é a única renda da família. As crianças mais velhas estão na escola, mas com pouco acompanhamento, e a mais nova fica com uma cuidadora de crianças da região, que cobra pelo serviço. O companheiro, que não é violento, sofre de forte depressão pelo desemprego e se apoia na droga e na bebida. Essa mulher, com essa vida estafante, precária e tensa, encontra apoio em sua comunidade religiosa, no culto que frequenta aos finais de semana.
Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta quanto à atuação da psicologia no Sistema Único de Assistência Social (SUAS).
Entendendo que o trabalho do psicólogo nos CRAS faz parte de uma engrenagem mais complexa, que é o SUAS, a atuação desse profissional é perpassada por elementos tanto da esfera local (o CRAS, a comunidade envolvida e o município) quanto da esfera mais geral (o SUAS, as políticas, a federação, os conselhos, as diretrizes de trabalho e os gestores). Sua rotina de trabalho envolve tarefas padronizadas, propostas na política – visita às famílias, busca ativa, realização de oficinas socioeducativas, benefícios assistenciais etc., e também atividades que sua sensibilidade e seu vínculo com a situação exigir, coerentes com as diretrizes da política.
O trabalho no CRAS deve evitar a personificação da atuação dos técnicos envolvidos, principalmente os da psicologia e da assistência social. Seguir o protocolo de atendimento é fundamental e exige desprendimento do profissional, que não deve se envolver emocionalmente com os problemas pontuais, mantendo a distância necessária para a atuação técnica estabelecida, conforme definida pela gestão.
Quando um psicólogo se depara com situações que não são extremas, cuja família atendida mantém alguma estrutura e o quadro não difere muito do quadro geral da população da região, a família deve ser encaminhada aos demais serviços regulares da região que mantenham algum apoio à comunidade. Na sua ausência, infelizmente, o CRAS não poderá fazer nada, já que é destinado ao apoio de pessoas ou famílias desprovidas de qualquer condição mínima de estrutura familiar.
Definindo, de maneira bastante simples, as controvérsias, pode-se dizer que são situações de discordância em que os atores ainda não têm uma referência clara dos fatos e estão longe de chegar a um consenso. Segundo Venturini (2009), as controvérsias são capazes de apresentar o social em sua forma mais dinâmica e, portanto, como instável e absolutamente incerto.
Para garantir maior harmonia familiar e atenção aos filhos, particularmente à filha de quatro anos de idade e ao companheiro, a psicóloga deverá garantir a maior empatia possível com a senhora que está sendo atendida no CRAS. O aconselhamento é a técnica mais adequada para a ocasião e deve ser recomendada uma maior interação com o grupo religioso.