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Durante o turno matutino em uma Unidade de Atenção Primária à Saúde localizada em território caracterizado por elevada prevalência de hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e doenças cardiovasculares, um usuário de 58 anos, hipertenso, ex-tabagista e com histórico irregular de acompanhamento clínico, procura espontaneamente o serviço referindo desconforto torácico iniciado há aproximadamente 40 minutos, descrito como dor opressiva retroesternal de forte intensidade, associada a sudorese fria, sensação de falta de ar e mal-estar inespecífico. Durante o acolhimento, o usuário apresenta-se ansioso, pele fria, frequência cardíaca de 108 bpm, pressão arterial de 150 × 92 mmHg, frequência respiratória de 24 irpm e saturação periférica de oxigênio de 94% em ar ambiente.
Ao longo da discussão clínica entre os profissionais, surgiram interpretações distintas quanto ao papel da Atenção Primária diante de situações potencialmente graves, especialmente em relação à necessidade de intervenções imediatas, à utilização de medidas de estabilização clínica e ao acionamento articulado dos demais pontos da Rede de Atenção à Saúde. Alguns profissionais defenderam que a APS deveria limitar sua atuação ao encaminhamento rápido; outros argumentaram que determinadas intervenções poderiam ser iniciadas antes da transferência do usuário.
Considerando os princípios organizativos da Atenção Primária, a Rede de Atenção às Urgências e os fundamentos relacionados ao atendimento inicial das síndromes coronarianas agudas, assinale a alternativa correta:
O acolhimento associado à classificação de risco permite reconhecimento precoce de situações potencialmente graves, favorecendo priorização do atendimento, adoção de medidas iniciais pertinentes e articulação adequada dos diferentes pontos da rede assistencial.
A atuação da Atenção Primária em situações de urgência apresenta caráter predominantemente administrativo e regulador, de forma que intervenções clínicas iniciais devem ser evitadas para não interferirem na conduta dos serviços especializados de referência.
A administração de oxigênio em usuários com suspeita de síndrome coronariana aguda constitui intervenção prioritária universal, sendo recomendada independentemente dos parâmetros clínicos observados ou dos níveis de saturação periférica.
A estabilização clínica inicial de usuários atendidos na APS diante de situações agudas deve ocorrer apenas quando inexistirem recursos especializados disponíveis no território, permanecendo como atribuição principal dos serviços hospitalares de urgência.
A assistência inicial ao usuário com suspeita de evento cardiovascular agudo deve restringir-se à monitorização clínica observacional até transferência para outro ponto da rede, evitando intervenções potencialmente capazes de alterar manifestações clínicas relevantes ao diagnóstico.


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