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A estabilização monetária promovida pelo Plano Real alterou de forma importante a dinâmica social brasileira ao reduzir a corrosão inflacionária que incidia com maior intensidade sobre os grupos de menor renda, o que contribuiu para a queda da pobreza absoluta, especialmente no período imediatamente posterior a 1994.
Entretanto, a melhora distributiva nos anos finais da década de 1990 foi mais limitada do que às vezes se supõe, pois o coeficiente de Gini permaneceu em torno de 0,60, sem trajetória contínua de queda, ao mesmo tempo em que o mercado de trabalho foi marcado por desemprego mais elevado, avanço da informalidade e maior flexibilização das relações de trabalho. Já na década de 2000, a redução da desigualdade tornou-se mais nítida, associada ao aumento da renda do trabalho, à formalização do emprego, à valorização real do salário mínimo e à expansão das transferências governamentais para os estratos mais pobres.
Com base nesse processo histórico, assinale a afirmativa correta.
A partir de 1995, a principal razão para a queda contínua e intensa da desigualdade foi a liberalização econômica dos anos 1990, que reduziu o desemprego, ampliou a formalização e derrubou de forma persistente o coeficiente de Gini ainda no governo FHC.
A estabilização monetária reduziu a pobreza após 1995, mas a queda mais consistente da desigualdade ocorreu apenas nos anos 2000, com melhora do mercado de trabalho e expansão das transferências sociais.
A partir de 1995, a pobreza caiu porque o crescimento econômico da segunda metade dos anos 1990 foi elevado e sustentado, sendo esse o fator decisivo tanto para a redução da pobreza quanto para a forte queda do índice de Gini já naquela década.
A partir de 1995, a redução da inflação teve pouco efeito sobre a pobreza, pois o principal determinante da melhora distributiva foi a imediata queda da informalidade e do desemprego urbano observada ainda entre 1995 e 1998.
A partir de 1995, a desigualdade aumentou no curto prazo e depois caiu apenas em razão da expansão do crédito ao consumo, sem relação relevante com salário mínimo, formalização do emprego ou transferências governamentais.