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Silva, Oliveira Junior e Borini (2025) investigaram como 211 startups brasileiras adaptaram seus modelos de negócio durante a pandemia de covid-19, identificando que desempenho organizacional e capacidade de digitalização modulam a intensidade de adaptação nas três dimensões do modelo de negócio: criação, entrega e captura de valor.
Para explicar o comportamento decisório em contextos de crise, os autores recorrem à Prospect Theory (Kahneman & Tversky, 1979): indivíduos avaliam resultados em relação a um ponto de referência, sendo avessos ao risco no domínio dos ganhos e propensos ao risco no domínio das perdas. Assim, startups de alto desempenho tendem a proteger o status quo, enquanto as de baixo desempenho percebem maior urgência de mudança. A digitalização reforça esse padrão de forma não linear: em startups de alto desempenho, ela reduz o impulso para adaptações profundas; nas de baixo desempenho, funciona como alavanca para mudanças mais amplas, especialmente na entrega de valor.

Fonte: Imagem gerada por IA (ChatGPT).
Considerando o texto-base, a figura e os pressupostos da Prospect Theory, assinale a alternativa correta:
Fonte: SILVA, T. |.; OLIVEIRA JUNIOR, M. M.; BORINI, F. M. Startup business model adaptation amid uncertainty: evidence from Brazil. RAUSP Management Journal, v. 60, n. 1, p. 207-224, 2025.
KAHNEMAN, D.; TVERSKY, A. Prospect Theory: an analysis of decision under risk. Econometrica, v. 47, n. 2, p. 263-292, 1979.
OSTERWALDER, A.; PIGNEUR, Y. Business Model Generation. Hoboken: Wiley, 2010.
Em ambientes de elevada incerteza, startups com alto desempenho e elevada capacidade de digitalização apresentam maior propensão ao risco, resultando em níveis mais elevados de adaptação do modelo de negócio, pois a combinação dessas variáveis amplifica a percepção de ameaça ao status quo.
A adaptação do modelo de negócio, em contextos de crise, ocorre prioritariamente na dimensão de criação de valor, dado que alterações na proposta de valor constituem a resposta mais imediata dos gestores a ambientes de elevada incerteza, independentemente do desempenho organizacional.
Startups com maior desempenho organizacional e maior capacidade de digitalização tendem a perceber menores ameaças relativas ao seu contexto competitivo, o que — à luz da Prospect Theory — as posiciona no domínio dos ganhos, reduzindo a propensão ao risco e, consequentemente, a intensidade de adaptação do modelo de negócio.
Segundo a Prospect Theory, a assimetria de sensibilidade entre ganhos e perdas implica que gestores de startups com desempenho positivo tornam-se proporcionalmente mais sensíveis às perdas potenciais em cenários de crise, aumentando sua disposição para mudanças disruptivas no modelo de negócio em todas as três dimensões simultaneamente.
A capacidade de digitalização atua de forma linear e uniforme sobre as dimensões do modelo de negócio, impactando de maneira equivalente a criação, a entrega e a captura de valor, independentemente do nível de desempenho organizacional da startup.