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A década de 1980 é conhecida, no Brasil, como um período de nítida deterioração das contas públicas, refletida no contínuo aumento do déficit público. Uma das causas dessa deterioração, amplamente apontada na literatura sobre o tema, foi a crise da dívida externa brasileira e, em especial, o fato de que a maior parte dela era de responsabilidade do governo federal. A relação entre endividamento externo do governo e aumento do déficit público no Brasil, durante os anos 1980, era explicada como se segue:
para pagar o serviço da dívida externa, o governo federal contraía novas dívidas com os credores externos, aumentando, assim, as despesas financeiras do governo central e o déficit público;
para pagar o serviço da dívida externa, o governo federal, através do Banco Central, comprava dólares dos exportadores; como essas compras são contabilizadas como despesas financeiras do setor público, elevavase o déficit público;
para pagar o serviço da dívida externa, o governo federal, através do Banco Central, comprava dólares dos exportadores, financiando estas compras com aumento de impostos; estes, por sua vez, aumentavam a inflação e, com ela, as despesas do governo com a dívida interna indexada;
para pagar o serviço da dívida externa, o governo federal, através do Banco Central, comprava dólares dos exportadores, expandindo a base monetária; para controlar os efeitos inflacionários dessa expansão, o governo vendia títulos públicos ao mercado (operação de "esterilização"), aumentando, assim, as despesas financeiras do governo central e o déficit público;
para pagar o serviço da dívida externa, o governo federal, através do Banco Central, comprava dólares dos exportadores, expandindo a base monetária; esta expansão, por sua vez, aumentava a inflação e, com ela, as despesas do governo com a dívida interna indexada.
A reação da economia brasileira, após o primeiro choque do petróleo, em 1973, consistiu na decisão do governo de frear o ritmo de crescimento econômico e proceder a um ajuste fiscal da economia.
A adoção da moratória unilateral, durante a qual o governo brasileiro suspendeu os pagamentos dos juros da dívida externa, serviu para mudar qualitativamente o processo de renegociação da dívida externa, reabrindo, na década seguinte, os mercados financeiros internacionais ao Brasil.
No período de 1979 a 1985, em virtude das altas taxas de juros externas, a condução da economia brasileira subordinou-se aos problemas do balanço de pagamentos oriundos, em grande parte, da dívida externa.
De um modo geral, de meados de 1980 até meados de 1990, a dívida externa líquida do setor público foi perdendo importância relativa.
A Constituição da República de 1988 implicou praticamente no corte de subsídios creditícios, exceto aqueles geridos no âmbito da carteira de comércio exterior do Banco do Brasil.
Como parte das reformas de 1964/1967, o Plano de Ação Econômica do Governo (PAEG), lançado em novembro de 1964, tinha por objetivo combater a inflação, sem comprometer o ritmo de crescimento econômico.