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“Dois dos regimes mais abomináveis da história da humanidade chegaram ao poder no século XX, e ambos se estabeleceram com base na violação e no esfacelamento da verdade, cientes de que o cinismo, o cansaço e o medo podem tornar as pessoas suscetíveis a mentiras e falsas promessas de líderes determinados a alcançar o poder incondicional. Como Hannah Arendt escreveu em seu livro de 1951, Origens do totalitarismo: 'O súdito ideal do governo totalitário não é o nazista convicto nem o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência) e a diferença entre o verdadeiro e o falso (isto é, os critérios do pensamento)'.”
(KAKUTANI, M. A morte da verdade: notas sobre a mentira na era Trump, Rio de Janeiro, Intrínseca, 2018)
A partir da filosofia de Hannah Arendt e a analítica do poder de Michel Foucault, a não distinção entre o fato e a ficção, entre o verdadeiro e o falso, são estratégias das relações de poder que permitem:
um melhor controle econômico no sentido da gestão pública.
uma maior liberdade de expressão.
um maior controle da circulação de conhecimentos específicos.
uma melhor manipulação dos indivíduos e suas subjetividades.
suspender os efeitos negativos da divulgação de fakenews.