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A fundamentação da metafísica dos costumes pretende, nas palavras do próprio autor, a “fixação do princípio supremo da moralidade” (KANT, I. A fundamentação da metafísica dos costumes. São Paulo: Discurso Editorial: Barcarolla, 2011. p. 19).
Este princípio será o Imperativo Categórico.
O imperativo pede para que nos comportemos segundo máximas que possam ser universalizadas sem contradição. Ou seja, é preciso se perguntar o que decorreria se a máxima segundo a qual pretendemos agir fosse universalizada por uma lei imposta a todos os demais agentes. Donde, furar a fila é imoral, porque se tal atitude fosse universalizada por uma lei, a própria noção de fila deixaria de existir. Logo, o desejo de furar a fila implica num desejo contraditório: deseja-se a existência da fila e, ao mesmo tempo, pretende-se que ela seja uma exceção apenas para si. Por isso, é imoral.
E o que dizer da falta de disposição para desenvolver os próprios talentos que seriam úteis para a sociedade? Segundo Kant e seu imperativo categórico, essa atitude é moral ou imoral?
A ação é imoral, porque se todos os indivíduos forem impedidos de desenvolver os seus talentos, a própria sociedade se esfacelaria e deixaria de existir, tal como a fila.
A ação é moral, porque, ainda que uma sociedade formada exclusivamente por pessoas que não desenvolveram seus talentos não seja a melhor das sociedades, ela é uma sociedade possível.
A ação é imoral, porque, ainda que uma sociedade formada exclusivamente por pessoas que não desenvolveram seus talentos seja possível, não é desejável a universalização dessa máxima.
A ação é moral desde que haja um equilíbrio reflexivo que exija de cada um o mínimo de desenvolvimento pessoal, a fim de possibilitar uma sociedade funcional e pragmática.