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Liberdade e autoridade
Se me for concedido que o critério para distinguir a direita da esquerda é a diversa apreciação da ideia da igualdade, e que o critério para distinguir a ala moderada da ala extremista, tanto na direita quanto na esquerda, é a diversa postura diante da liberdade, pode-se, então, repartir esquematicamente o espectro em que se colocam doutrinas e movimentos políticos nas quatro seguintes partes:
a) na extrema-esquerda estão os movimentos simultaneamente igualitários e autoritários, dos quais o jacobinismo é o exemplo histórico mais importante, a ponto de se ter tomado uma abstrata categoria aplicável, e efetivamente aplicada, a períodos e situações históricas diversas;
b) no centro-esquerda, doutrinas e movimentos simultaneamente igualitários e libertários, para os quais podemos empregar hoje a expressão “socialismo liberal”, nela compreendendo todos os partidos social-democratas, em que pesem suas diferentes práxis políticas;
c) no centro-direita, doutrinas e movimentos simultaneamente libertários e inigualitários, entre os quais se inserem os partidos conservadores, que se distinguem das direitas reacionárias por sua fidelidade ao método democrático, mas que, com respeito ao ideal da igualdade, se prendem à igualdade diante da lei, que implica unicamente o dever por parte do juiz de aplicar imparcialmente as leis, e à liberdade idêntica, que caracteriza aquilo que chamei de igualitarismo mínimo;
d) na extrema-direita, doutrinas e movimentos antiliberais e anti-igualitários, dos quais creio ser supérfluo indicar exemplos históricos bem conhecidos como o fascismo e o nazismo. Obviamente, a realidade é bem mais diversificada do que este esquema, construído segundo apenas dois critérios. Em minha opinião, porém, estes são dois critérios fundamentais que, combinados, servem para estabelecer um quadro que preserva a contestada distinção entre direita e esquerda.
(BOBBIO, Norberto. Direita e esquerda; razões e significados de uma distinção política. São Paulo, Edusp, 1995. p. 118-119.)
Muito além da questão da direita ou da esquerda, temos o fato concreto de que a democracia é um fenômeno que está em permanente evolução; uma vez que é falível e instável é possível identificar alguns desafios que os regimes democráticos contemporâneos enfrentam na contemporaneidade, dentre os quais podemos citar:
O fortalecimento das instituições democráticas; no caso específico do Brasil, bem como em outras nações, ainda é possível apontar carências na estrutura e/ou atuações destas instituições.
O fortalecimento, através do dirigismo comunitário, movimento irrevogável que mudou, principalmente no início do milênio, a ordem constitucional globalizada, superpondo-se às soberanias dos Estados.
A efetivação das garantias que assegurem a manutenção de todas as conquistas que já foram alcançadas e que colocam nosso país na vanguarda em relação à democracia, direitos humanos e equidade social.
A manutenção no contexto da globalização, dos pactos de proteção universal dos direitos fundamentais da pessoa humana, que vem reafirmando a uniformização na tutela aos direitos através dos tratados internacionais de adesão compulsória.