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A perturbação do arquivo deriva de um mal de arquivo. Estamos com um mal de arquivo (en mal d'archive). Escutando o idioma francês e nele, o atributo de “en mal de”, “estar com mal de arquivo” pode significar outra coisa que não sofrer de um mal, de uma perturbação ou disso que o nome “mal” poderia nomear. É arder de paixão. É não ter sossego, é incessantemente, interminavelmente, procurar o arquivo onde ele se esconde. É correr atrás dele ali onde, mesmo se há bastante, alguma coisa nele se anarquiza. É dirigir-se a ele com um desejo compulsivo, repetitivo e nostálgico, um desejo irreprimível de retorno à origem, uma dor da pátria, uma saudade de casa, uma nostalgia do retorno ao lugar mais arcaico do começo absoluto.
(Derrida, 2001, p. 118.)
Jacques Derrida faz um incessante trabalho de investigação que coloca sob suspeita os discursos da Filosofia e das Ciências Humanas, da Literatura e da História, da Fenomenologia e da Psicanálise ao questionar, inclusive, o próprio conceito clássico de ciência. Entre as suas teorias, apresenta que:
As ideias absolutas da filosofia implicam o idealismo da universalidade concreta e incondicional como ponto de partida e como o objetivo final e último do conhecimento.
O objetivo principal do homem é libertar a si próprio e libertar os outros. Combatia o Estado, a religião, os preconceitos morais e todos os elementos de opressão, principalmente os epistemológicos.
Temos duas faculdades de conhecimento – a razão e a sensibilidade. A razão dá a forma do conhecimento, e a sensibilidade dá o conteúdo. Os olhos captam os fenômenos e a racionalidade os encaixa em categorias.
É necessário desconstruir as verdades absolutas da metafísica e termos e expressões utilizados para legitimar suas verdades, que, para ele, devem ser vistas por um duplo viés, no sentido de concomitância ou simultaneidade.