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O trecho citado a seguir mostra como, de acordo com Karl Popper, os positivistas lidavam com o chamado “problema da demarcação”, a saber, a questão de conseguir delimitar a área do científico frente ao não científico, isto é, separar a ciência de outras áreas e saberes, por exemplo, da metafísica. Como bem se sabe, a filosofia da ciência popperiana dedica profundas críticas a essa e outras teses positivistas.
“Os velhos positivistas só desejavam admitir como científicos ou legítimos os conceitos (ou noções, ou idéias) que, como diziam, ‘derivassem da experiência’, ou seja, os conceitos que acreditavam ser logicamente reduzíveis a elementos da experiência sensorial [...]. Os positivistas modernos têm condição de ver mais claramente que a Ciência não é um sistema de conceitos, mas, antes, um sistema de enunciados. Nesses termos, desejam admitir como científicos, ou legítimos, tão-somente os enunciados reduzíveis a enunciados elementares (ou ‘atômicos’) da experiência – a ‘juízos de percepção’ [...]”
(POPPER, Karl. A lógica da pesquisa científica. 11. ed. São Paulo: Editora Cultrix, 2010. p.35-36).
Podemos afirmar que Popper rejeita a tese positivista da demarcação da ciência porque esta
falha em apresentar um critério satisfatório para distinguir as ciências humanas das ciências da natureza.
acaba misturando a metafísica à ciência, pois a metafísica também lida com enunciados oriundos da experiência.
elimina da ciência também as sentenças universais, pois estas não podem ser reduzidas a juízos de percepção.
possui caráter por demais empirista, enquanto Popper, por ser racionalista, defende que a ciência possui uma origem a priori na razão.
fracassa ao não reconhecer a cientificidade de ciências fundamentais como a lógica e a matemática.