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Escrito por Yves Lacoste, em 1976, o livro La Géographie, ça sert, d’abord à faire la guerre trouxe, entre outras, a seguinte reflexão: “O Estado e a grande empresa têm uma visão integrada do espaço, pelas intervenções em vários lugares, enquanto o homem comum tem uma visão fragmentada porque somente consegue abarcar o seu cotidiano, não possuindo informações de outras realidades”.
A leitura desta e de outras obras instigou debates teórico-metodológicos que se desdobraram e atravessaram as décadas de 1980-90, iluminando as diferenças entre as correntes de pensamento geográfico, como, por exemplo, a
valorização dos historicistas aos positivistas clássicos, herdeiros dos fundadores da Geografia, destacando o papel do Regional na ciência geográfica e elevando o conceito de Região ao mesmo patamar que o de Paisagem.
crítica dos neopositivistas aos historicistas, destacando-se o predomínio da Geografia Quantitativa na ciência geográfica e influenciando o uso da estatística e de modelos matemáticos no estudo do Espaço no ensino básico.
valorização dos geógrafos humanistas aos avanços tecnológicos trazidos pela Geografia Quantitativa, possibilitando traduzir as desigualdades sociais em padrões urbanos mensuráveis, de grande utilização também no ensino básico.
crítica dos materialistas às correntes positivistas, historicistas e neopositivistas, ressignificando o político e o econômico na ciência geográfica, bem como a valorização, no ensino crítico, do conceito de Território sobre o de Região.
crítica da Geografia Neopositivista e Tradicional aos materialistas, que não ofereceram padrões mensuráveis para aplicar, na ciência e no ensino de Geografia, os conceitos e categorias das Geografias Crítica(s) e Humanista(s).