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Para esta questão, leia os textos I e II.
Texto I
Da Lama ao Caos
Composição: Chico Science
Posso sair daqui pra me organizar
Posso sair daqui pra desorganizar
Posso sair daqui pra me organizar
Posso sair daqui pra desorganizar
Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana
Da lama ao caos, do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana
O Sol queimou, queimou a lama do rio
Eu vi um chié andando devagar
E um aratu pra lá e pra cá
E um caranguejo andando pro sul
Saiu do mangue e virou gabiru
Ô, Josué, eu nunca vi tamanha desgraça
Quanto mais miséria tem, mais urubu ameaça
Peguei um balaio fui na feira roubar tomate e
cebola
Ia passando uma véia e pegou a minha cenoura
Aê, minha véia deixa a cenoura aqui
Com a barriga vazia eu não consigo dormir
E com o bucho mais cheio comecei a pensar
Que eu me organizando posso desorganizar
Que eu desorganizando posso me organizar
Que eu me organizando posso desorganizar
Disponível em: https://www.cifraclub.com.br/nacao-zumbi/ da-lama-ao-caos/letra/. Acesso em: 19.fev.2026.
Texto II
“Os ‘de baixo’ não dispõem de meios (materiais e outros) para participar plenamente da cultura moderna de massas. Mas a cultura, por ser baseada no território, no trabalho e no cotidiano, ganha a força necessária para deformar, ali mesmo, o impacto da cultura de massas. Gente junta cria cultura e, paralelamente, cria uma economia territorializada, uma cultura territorializada, um discurso territorializado, uma política territorializada. Essa cultura da vizinhança valoriza, ao mesmo tempo, a experiência da escassez e a experiência da convivência e da solidariedade.”
SANTOS, M. Por uma outra globalização. São Paulo: Record, 2007. pp.143-144.
Analisando os textos, pode-se inferir que os dois se relacionam, pois:
o pensamento miltoneano sobre a globalização passa pela tomada de consciência das camadas populares que, a partir da cultura popular e das técnicas da informação, teriam condições de reivindicar o lugar de centralidade em um outro processo de globalização solidária.
as contradições e desigualdades socioespaciais abordadas são produtos do processo de globalização em curso, considerado como irreversível pelo pensamento miltoneano.
as condições materiais disponíveis na atualidade, sobretudo as técnicas da informação, estão cada vez mais distantes da periferia das regiões centrais, e não encontram porosidade da cultura popular. Nesse sentido, constituem elementos do que Milton Santos chamou de globalização solidária.
os atores hegemônicos, destituídos dos bens produzidos pela globalização, tornam-se conscientes de que a pobreza é uma doença civilizatória.
o primeiro texto retrata contrastes sociais urbanos a ponto de equiparar pessoas à rudeza animal, numa perspectiva de revolta. O segundo texto atribui às camadas populares a força para deformar a cultura e elevar a experiência da escassez, numa perspectiva inversa.