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Uma praça central é utilizada por moradores antigos, migrantes recentes, comerciantes, trabalhadores informais, grupos religiosos e movimentos políticos. Cada grupo participa de trajetórias mais amplas e atribui sentidos distintos ao uso legítimo daquele espaço. A situação pode ser lida a partir da proposição segundo a qual “lugar como uma sempre-mutante constelação de trajetórias coloca a questão de nosso permanecer juntos”. Qual interpretação desenvolve adequadamente essa proposição?
As constelações temporárias de trajetórias que constituem os lugares requerem negociação; o conflito não acontece a um espaço urbano potencial ou originalmente harmonioso, pois “o espaço urbano é o produto do conflito”.
A negociação entre trajetórias tem como finalidade produzir uma identidade comum relativamente estável, depois da qual o lugar conserva abertura externa, mas deixa de depender de ajustamentos provisórios entre diferenças.
A legitimidade do espaço público resulta de um consenso anterior aos usos concretos; conflitos posteriores podem ser admitidos, mas indicam falha na preservação da unidade política originalmente constituída.
A abertura relacional do lugar admite conexões externas e presença de novos grupos, mas a participação política plena cabe prioritariamente às trajetórias que asseguram continuidade histórica às instituições do território.
Trajetórias heterogêneas podem compartilhar uma localização sem negociação política quando seus usos são funcionalmente separados, pois o conflito decorre sobretudo da sobreposição material e pode ser resolvido pelo ordenamento.