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A consolidação da sociedade capitalista submeteu espacialidades e temporalidades plurais à mundialização do capital. Nas cidades, edifícios, vias, redes de transporte, infraestrutura, microclima, solo e vegetação registram ações acumuladas e compõem uma “segunda natureza”. Essas formas herdadas não são cenário inerte: participam das possibilidades e dos limites das práticas posteriores. Qual formulação integra adequadamente essa dimensão material à historicidade das relações sociais?
O espaço é produzido pela história passada, mas as formas já construídas deixam de participar das ações presentes, que dependem apenas das relações sociais contemporâneas.
O espaço antecede a sociedade e condiciona sua evolução; a ação humana modifica elementos particulares sem alterar a estrutura espacial em que as relações ocorrem.
A sociedade constrói e reorganiza espaços, porém, depois de materializadas, as formas espaciais adquirem autonomia suficiente para deixar de integrar as contradições sociais.
O espaço expressa as relações sociais, mas não participa de sua reprodução; conflitos de classe, gênero e poder explicam os usos, não a produção das formas espaciais.
Uma sociedade não apenas está no espaço: ela também é espaço, constrói, reorganiza e reproduz constantemente seus espaços; estes são condição e produto da história, das contradições e dos conflitos sociais.