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Leia o trecho a seguir:
“O indivíduo liberal, a exemplo do sujeito lockiano proprietário de si mesmo, podia acreditar que gozava de todas as suas faculdades naturais, do livre exercício de sua razão e vontade, podia proclamar ao mundo sua autonomia irredutível, mas continuava a ser uma engrenagem dos grandes mecanismos que a economia política clássica começava a analisar. (...) O contrato tornou-se mais do que nunca a medida de todas as relações humanas, de modo que o indivíduo passou a experimentar cada vez mais na relação com o outro sua plena e total liberdade de compromisso voluntário e a perceber a 'sociedade' como um conjunto de relações de associação entre pessoas dotadas de direitos sagrados.” (DARDOT & LAVAL. A fábrica do sujeito neoliberal. In: A nova razão do mundo / Pierre Dardot & Christian Laval. 2016, p. 325).
As constatações de Dardot e Laval vão ao encontro da condição do sujeito neoliberal, muitas vezes moldado pela lógica das relações sociais (e de trabalho) do mundo contemporâneo. Assinale a alternativa que represente um exemplo de inserção nessa lógica.
A precarização do trabalho docente no país é um fruto direto resultante da produção do sujeito neoliberal, pois, dessa forma, ele atua como um agente reprodutor do contrato social da precariedade educacional.
A necessidade de consumo e produção constante, nesta ordem, como indivíduo que apenas passa a existir à medida que compra e vende mercadorias, participando ativamente da produção social da riqueza e, consequentemente, do lucro.
A simples existência da hierarquização das relações produtivas e de mercado, quando a pessoa se vê mercadologizada, qualificada a partir da sua capacidade potencial de gerar mais valia e lucro para o capitalista, o que Dardot e Laval chamam de “sujeito produtivo”.
A sujeição consentida do indivíduo ao ter de vender sua força de trabalho pelo mínimo possível para poder sustentar-se no mercado de trabalho, cumprindo com acordos que ele mesmo sabe ser desiguais, porém sentir-se realizado.