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Há muito que a posição geográfica do Piauí havia despertado...

Há muito que a posição geográfica do Piauí havia despertado atenção do Governo de Lisboa para o caso de uma emergência. Prevendo que a independência do Brasil seria apenas um questão de tempo, é opinião de abalizados historiadores que o governo português planejara ficar com uma parte para ele, isto é, o norte, recriando o Estado do Maranhão que compreenderia as Províncias do Pará, do Maranhão e do Piauí.


(MONSENHOR CHAVES, Obra Completa. Teresina: Fundação Cultural Monsenhor Chaves, 1998, p. 266)


No processo de independência do Brasil, o domínio do território piauiense era estratégico, pois


A

sua posição geográfica favorecia a navegação do norte para Portugal, reduzindo o tempo de viagem em relação à saída pelo Pará ou Pernambuco. Porém, a rota encontrava obstáculos nos ventos contrários e/ou nas calmarias das viagens por mar para a Europa.


B

tinha uma comunicação direta por terra com o Ceará, a Bahia e com Pernambuco, onde os movimentos de independência estavam muito fortes. Sendo o Piauí um fornecedor de carnes, para essas Províncias, dominá-lo era estratégico para contenção dos grupos rebeldes.


C

em Parnaíba existia uma fábrica de pólvora, produzida de contrabando, que poderia ser utilizada para abastecer a resistência do norte, caso fosse necessário o enfrentamento do movimento pró-independência nessa parte do Brasil.


D

a província estava tranquila, sem a penetração de ecos do que acontecia lá fora. A população letrada defendia fortemente a Constituição portuguesa, sem ocorrência de fatos subversivos.


E

as rendas nacionais da Província, obtidas nas exportações do algodão, couro de sola, carne verde e frutos do mar representavam grande numerário para a Coroa, pois, sendo cobradas de forma rigorosa, davam-lhe uma renda líquida correspondente a 80% do rendimento bruto.