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O escritor Ambrósio Fernandes Brandão nos conta uma transação de compra e venda de peças (lotes) de escravos no século XVII:
“[...] vi na capitania de Pernambuco a certo mercador fazer um negócio, (...) o qual foi comprar, para pagar na hora, um lote de escravos de Guiné (africanos) por quantidade de dinheiro e logo no mesmo instante, sem nem mesmo ainda possuí-los, os tornou a vender a um lavrador fiados por certo tempo que não chegava a um ano, com mais de 85 por cento de avanço (lucros).”
O trecho acima deixa evidente a lucratividade obtida com o tráfico de africanos, gerada pela:
ocupação territorial que visava a promoção de um mercado interno, que demandava cada vez mais mão de obra escrava africana.
incapacidade dos nativos da América de se adaptarem ao trabalho escravo na lavoura de cana-de-açúcar, tornando o africano a única opção.
impossibilidade de escravização dos ameríndios pois, por conhecerem o território e estarem em maior número e mais adaptados ao meio, promoviam revoltas.
promoção de um modo de produção que demandava prioritariamente a exploração de uma mão de obra dócil e pouco afeita a revoltas como os africanos.
definição de uma colonização baseada na plantation, dentro dos padrões mercantilistas, tornando África e América economias interdependentes.