Questões de Concurso sobre Período Colonial: produção de riqueza e escravismo

 
 
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A experiência colonial brasileira estruturou-se a partir da articulação entre interesses metropolitanos, formas específicas de exploração econômica e mecanismos de controle social. As relações de poder foram organizadas de modo a garantir a reprodução do sistema colonial. Esse arranjo produziu hierarquias duradouras e profundas desigualdades. A análise historiográfica busca compreender a lógica interna desse sistema.


Diante disso, qual das alternativas traz uma interpretação historicamente consistente?


A

Economia voltada prioritariamente ao mercado interno.


B

Organização social hierarquizada baseada na grande propriedade e no trabalho compulsório.


C

Autonomia política efetiva das elites locais.


D

Predomínio do trabalho livre como base produtiva.

A intervenção portuguesa na região do rio Madeira, a partir de meados do século XVIII, relaciona-se diretamente às transformações na política territorial da Coroa, após a assinatura do Tratado de Madri (1750). Fundamentado no princípio do uti possidetis, o tratado vinculava o direito ao território à sua efetiva ocupação, levando Portugal a adotar novas estratégias de afirmação do domínio colonial na Amazônia.


Nesse contexto, a reorientação da política territorial portuguesa materializou-se


A

na criação de vilas em antigos aldeamentos indígenas, substituindo a administração temporal exercida pelas ordens religiosas por um aparato jurídico-institucional diretamente subordinado à Coroa.


B

na construção de fortificações ao longo do rio Madeira, como o Real Forte Príncipe da Beira, para defesa contra invasões estrangeiras oriundas das Guianas Holandesas e das possessões espanholas.


C

no ato régio de 1752, que limitava a navegação dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé a embarcações autorizadas pela Coroa, como medida para fiscalizar a conexão entre o Estado do Grão-Pará e Maranhão e a capitania do Mato Grosso.


D

na restrição pombalina à circulação de pessoas relacionadas à interiorização da colonização, como bandeirantes, pecuaristas do Rio São Francisco, marchantes e mineradores, cujas tropas e embarcações eram obrigadas a passar por postos de controle ao longo do Rio Madeira.


E

na instalação de aduanas ao longo do rio Madeira, com a finalidade de taxar a entrada de mercadorias espanholas provenientes das fronteiras hispano-americanas, permitindo o controle do comércio externo e a fiscalização da circulação de produtos oriundos das possessões castelhanas.

Durante o período colonial brasileiro, as rebeliões e movimentos de resistência, como a Inconfidência Mineira, tinham como principal objetivo a abolição da escravidão e a garantia de direitos civis para toda a população colonial, incluindo os escravizados.


C

Certo


E

Errado

Uma das marcas da formação social brasileira foi a escravidão de pessoas de origem africana, as quais chegavam ao Brasil por meio de viagens arriscadas em embarcações insalubres. Nesse contexto, a extinção do tráfico transatlântico de africanos para o Brasil


A

contou com o apoio senhorial tanto dos proprietários de pessoas escravizadas quanto dos próprios traficantes, reunidos em associações de classe, sensibilizados com os apelos humanitários oriundos da Revolução Francesa.


B

foi antecedido pela Lei do Ventre Livre, que indicou a pretensão de não apenas eliminá-lo, mas também de abolir a escravidão.


C

foi um passo importante para a industrialização do Brasil, ao criar um amplo mercado consumidor a ser abastecido pela indústria nacional.


D

foi antecedida pela extinção do mesmo tráfico para vários países latino-americanos, colônias europeias ainda existentes e mesmo para os Estados Unidos da América.


E

foi uma decisão soberana brasileira, tomada diante da ausência de pressões estrangeiras, aprovada pelo parlamento a partir da mobilização da opinião pública nacional.

Leia os trechos a seguir.


I. Se os índios do Brasil são agora mais guerreiros e mais maldosos, é porque nenhuma necessidade têm das coisas dos cristãos, e têm as casas cheias de ferramentas, pois os cristãos andam de lugar em lugar enchendo-lhes de tudo o que desejam. E o índio, que em outros tempos não era ninguém e que sempre morria de fome por não ter sequer uma ferramenta para abrir uma roça, agora dispõe de quantas ferramentas quiser. Comem e bebem continuamente e passam a frequentar as aldeias bebendo vinho, organizando guerras e praticando muitos males.


Adaptado de Pedro Correia a Simão Rodrigues, 10/ 3/ 1553 citado por MONTEIRO, John. Negros da terra, São Paulo: Cia das Indias, 1994, p. 31.


II. Por aqui se vê que os maiores impedimentos nascem dos próprios portugueses. O primeiro é a falta de zelo pela salvação dos indígenas, pois os consideram selvagens. O que mais os espanta e os faz fugir dos portugueses e, por consequência, das igrejas, são as tiranias a que são submetidos: obrigados a servir como escravos, separados de suas famílias e vendidos. Por isso, muitos fogem para o mato e, quando não encontram outra saída, preferem entregar-se aos inimigos a voltar ao domínio dos portugueses.


Adaptado de ANCHIETA, José de. Informação do Brasil e de suas capitanias, 1584, p. 342.


Com base na leitura dos trechos, assinale a opção que interpreta corretamente as visões sobre o contato entre portugueses e indígenas no Brasil colonial.


A

O trecho I atribui ao contato com os europeus o aumento dos conflitos entre os indígenas, enquanto o trecho II atribui aos abusos cometidos pelos colonos portugueses os obstáculos ao processo de evangelização dos indígenas.


B

O trecho I critica a exploração do trabalho indígena pelos colonos, enquanto o trecho II sustenta que a convivência com os portugueses favoreceu a integração dos indígenas à sociedade colonial.


C

Os dois trechos apresentam os europeus como responsáveis por corromper comportamentos indígenas, sugerindo que o contato colonial teria provocado a deterioração de práticas e valores anteriormente considerados mais civilizados.


D

Os dois trechos defendem a preservação dos costumes indígenas, apresentados como formas de vida autônomas que deveriam permanecer livres da interferência colonial.


E

Os dois trechos sustentam que o contato com os europeus teria favorecido a sobrevivência material e espiritual dos indígenas, ao introduzir ferramentas úteis e ao promover sua conversão ao cristianismo.

A atividade mineradora no Brasil colonial promoveu uma sociedade mais urbanizada e com maior possibilidade de mobilidade social em comparação com a sociedade açucareira, embora essa estrutura permanecesse fundamentalmente hierárquica e escravista.


C

Certo


E

Errado

Considerando a realidade dos povos originários na América portuguesa, analise as afirmativas a seguir.


I- Os europeus agiam de forma homogênea na organização das atividades do escambo principalmente nas três primeiras décadas do século XVI, trocando bugigangas por pau-brasil.

II- A partir da década de 1530, a ocupação mais sistemática da colônia, com a criação de vilas e das capitanias hereditárias, aumentou consideravelmente os conflitos e as hostilidades entre os povos originários e os europeus.

III- O Regimento do primeiro governador geral, Tomé de Souza, já incluía as diretrizes básicas da política indigenista, recomendando a guerra justa para os índios inimigos.


É CORRETO o que se afirma em:


A

II e III apenas.


B

I e II apenas.


C

I e III apenas.


D

I, II e III.


E

I apenas.

Acerca da escravidão e a resistência africana no Brasil colonial, é correto afirmar que


A

o período colonial do Brasil foi marcado pela economia açucareira, o que tornou a experiência escravista homogênea, sintetizada pela configuração da casa grande e da senzala.


B

o sistema colonial português foi bem sucedido no isolamento de suas colônias, o que determinou configurações sociais e econômicas incomparáveis com a experiência colonial espanhola.


C

a escravidão africana foi inserida no atual estado do Piauí no século XIX, quando o trabalho livre do pastoreiro foi trocado pela mão de obra escrava.


D

o preço da pessoa escravizada alcançava altos valores ao longo de todo o período colonial, a despeito do grande número de africanos traficados para a América portuguesa, o que desestimulou a prática da alforria.


E

o Quilombo dos Palmares estabelecia relações comerciais dinâmicas com os núcleos populacionais ao seu redor, além de produzir para seu próprio sustento, integrando-se de forma ativa aos circuitos econômicos da região.

Sem dúvida alguma, o número de negros escravos entrados na Amazônia colonial foi bem menor que aquele introduzido no Nordeste, contudo, a questão que se coloca não é a de inverter as cifras do tráfico negreiro ou a de se comprovar que a Amazônia, enquanto região cultural é tão ou mais africana do que o Nordeste Agrário do Litoral. Trata-se, isso sim, de se duvidar do “vazio humano” (no caso, a presença africana) com o qual sempre se caracterizou a região.


Adaptado de VERGOLINO-HENRY, Anaíza; FIGUEIREDO, Napoleão. A presença africana na Amazônia colonial: uma notícia histórica, Belém: Arquivo Público do Pará, 1990. p. 31.


A respeito da formação social da Amazônia colonial e da presença africana na região, é correto informar que a interpretação do autor, no trecho apresentado,


A

questiona a caracterização da sociedade colonial amazônica com base em dados quantitativos, pois esse procedimento oculta ou minimiza os papéis representados pela população de origem africana em solo Amazônico.


B

defende que as populações coloniais da região eram predominantemente compostas por nativos, tapuios e mamelucos (caboclos), que formaram, desde cedo, a base colonial de ocupação europeia da Amazônia.


C

sustenta que a reduzida presença numérica de africanos escravizados na Amazônia inviabilizou um impacto social, cultural ou econômico relevante dessa população na formação da região colonial.


D

argumenta que o debate historiográfico sobre a presença africana na Amazônia deve concentrar-se na comparação estatística com o Nordeste, a fim de redefinir a centralidade demográfica do tráfico negreiro na região.


E

valida a noção de “vazio humano” da Amazônia colonial, ao priorizar a análise das populações indígenas e mestiças e entendendo a presença africana como episódica no processo de ocupação portuguesa.

A produção de açúcar no Brasil colonial era organizada no sistema de plantation, caracterizado pelo tripé: latifúndio, monocultura e mão de obra assalariada, com produção voltada para o mercado interno da colônia.


C

Certo


E

Errado

A sociedade colonial brasileira foi estruturada a partir da grande propriedade rural, da monocultura voltada ao mercado externo e do trabalho compulsório. Esse modelo produziu profundas desigualdades sociais e uma rígida hierarquia. A dependência econômica da metrópole condicionou a dinâmica produtiva.


Nesse contexto, qual elemento foi central para a organização colonial?


A

A escravidão como base da produção e da estrutura social.


B

A ampla mobilidade social entre grupos.


C

A autonomia econômica das capitanias.


D

A industrialização do espaço colonial.


E

O predomínio do trabalho livre assalariado.

O Rio de Janeiro, na época da transferência da Corte, tinha uma estrutura urbana precária. Assim, para incorporar toda a estrutura administrativa do reino, foram criadas importantes instituições. Qual o nome do primeiro banco, fundado em 1808, a funcionar na Colônia?


A

Banco Horto.


B

Banco do Brasil.


C

Banco Bandeirantes.


D

Banco Nacional.

Considera-se que o Brasil foi a região participante do tráfico transatlântico que mais recepcionou africanos nas Américas até o século XIX, absorvendo quase 45% do número de desembarcados no continente. Apesar disto, outras regiões que absorveram percentuais muito menores contaram com populações escravizadas muito maiores. A respeito do tráfico transatlântico e da escravização de africanos e de seus descendentes no Brasil, assinale a opção correta.


A

As relações de compadrio envolviam senhores e pessoas escravizadas, uns batizando os filhos dos outros indistintamente e a despeito da condição civil de cada um.


B

Nas sociedades do Antigo Regime, marcadas pelo patriarcalismo, a condição civil das crianças seguia a do pai; assim, os filhos de uma mulher escravizada, tidos com um homem livre, eram livres e os de um homem escravizado, tidos de uma mulher livre, eram escravizados também.


C

A divisão técnica do trabalho era inviabilizada pelo desinteresse das pessoas escravizadas em trabalharem produtivamente.


D

As regiões exportadoras de mercadorias, como as do açúcar, do ouro e do café, foram aquelas que, ao longo do tempo, concentraram a maior parte da população escravizada.


E

A captura, o aprisionamento e a venda de pessoas na África para o tráfico transatlântico era um empreendimento europeu, viabilizado pela formação das colônias europeias naquele continente desde o século XVI.

Dadas as afirmativas acerca dos movimentos abolicionistas no Brasil,


I. Joaquim Nabuco, político e escritor pernambucano, foi uma das principais vozes do abolicionismo parlamentar, atuando tanto na Sociedade Antiescravidão quanto na divulgação de obras como “O Abolicionismo”.

II. No nordeste, clubes abolicionistas foram especialmente ativos em cidades como Recife e Fortaleza, promovendo campanhas de arrecadação para alforrias e mobilizando a imprensa.

III. A participação popular foi marcante, como no Ceará, onde jangadeiros se recusaram a transportar escravizados, contribuindo para que a província decretasse o fim da escravidão em 1884, antes da Lei Áurea.


verifica-se que está/ão correta/s


A

I, apenas.


B

II, apenas.


C

I e III, apenas.


D

II e III, apenas.


E

I, II e III.

O desejo de encontrar metais preciosos impulsionou os exploradores ibéricos desde o início do processo de colonização. A descoberta dessas riquezas minerais era concebida pela Coroa Portuguesa como a principal solução para as dificuldades econômicas enfrentadas pelo reino.


Analise os itens a seguir:


I. Os conflitos entre paulistas e recém-chegados, chamados pejorativamente de emboabas, na região das lavras auríferas, culminaram no episódio conhecido como Guerra dos Emboabas, ocorrido entre 1707 e 1709.

II. Em 1720, Filipe dos Santos liderou cerca de dois mil mineiros contra a instalação das casas de fundição e os altos preços das mercadorias em Vila Rica. O Conde de Assumar organizou tropas e reprimiu o movimento, que ficou conhecido como Revolta de Filipe dos Santos.

III. No início do século XVIII, com a expansão da atividade mineradora, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o principal centro de ligação entre a Europa, as Minas Gerais e o restante da colônia.


É CORRETO o que se afirma em:


A

II, III, apenas.


B

I, apenas.


C

III, apenas.


D

I, II, III.

O movimento abolicionista no Brasil foi liderado exclusivamente por forças políticas do governo central, sem a participação ativa de escravizados, intelectuais ou outras figuras da sociedade civil na luta pelo fim da escravidão.


C

Certo


E

Errado

Leia este trecho de P. Leroy-Beaulieu, professor do College de France, diretor do Économiste Français, publicado em 1891, sobre a política colonial europeia no século XIX:


"Não é natural, nem justo, que os países civilizados ocidentais se amontoem indefinidamente e se asfixiem nos espaços restritos que foram suas primeiras moradas, que neles acumulem as maravilhas das ciências, das artes, da civilização, que eles vejam, por falta de aplicações remuneradoras, a taxa do juro dos capitais cair em seus países cada dia mais e que deixem talvez a metade do mundo a pequenos grupos de homens ignorantes, impotentes, verdadeiras crianças débeis, dispersos em superfícies incomensuráveis, ou então a populações decrépitas, sem energia, sem direção, verdadeiros velhinhos incapazes de qualquer esforço, de qualquer ação ordenada e previdente" (P.Leroy-Beaulie. In: Beaud, 1987, p. 231-232).


Nesse sentido, é correto afirmar que a política colonial europeia do século XIX teve por desdobramento


A

preponderância dos investimentos comerciais sobre os investimentos de capitais.


B

adoção da política econômica mercantilista.


C

restrição das relações de produção e troca capitalistas.


D

carnificina gigantesca na Primeira Guerra Mundial.


E

crise do capitalismo monopolista e do capital financeiro.

Considerando a História do Brasil Colonial, analise as afirmativas.


I. A economia açucareira articula engenhos, capitais mercantis europeus, crédito, escravização africana e mercados externos.

II. A sociedade envolve grandes proprietários, setores urbanos intermediários, artesãos, agregados e grupos submetidos a trabalho compulsório.

III. A cultura colonial mistura referências europeias, indígenas e africanas em festas, religiosidade, língua e práticas do cotidiano.

IV. Relações entre Colônia e Metrópole garantem liberdade ampla de comércio, com fiscalização reduzida.

V. A administração combina órgãos da Coroa, presença religiosa e autoridades locais, com disputas por espaços de poder.


Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.


A

I – II – III.


B

I – II – V.


C

II – III – IV.


D

I – III – V.


E

I – II – III – V.

A crise do sistema colonial expressou tensões acumuladas entre colônia e metrópole. Rebeliões locais e circulação de novas ideias políticas evidenciaram esse desgaste. O processo de emancipação não foi homogêneo nem consensual.


Analise as assertivas:


I.As rebeliões refletiram insatisfações regionais.

II.O processo emancipatório foi uniforme em todo o território.

III.Ideias iluministas influenciaram setores coloniais.

IV.A repressão metropolitana foi inexistente.


Está CORRETO o que se afirma em:


A

II e III, apenas.


B

I e III, apenas.


C

II e IV, apenas.


D

I e II, apenas.


E

II e IV, apenas.

Desde o período colonial, a região dos vales dos rios Guaporé e Madeira ocupou posição estratégica na definição das fronteiras amazônicas. A respeito do papel histórico e atual da região citada, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.


( ) Nos primeiros séculos da colonização, a presença portuguesa na região esteve associada à exploração econômica, à navegação fluvial e à necessidade de assegurar a posse territorial frente ao império espanhol.

( ) Ao longo do século XX, políticas de integração nacional, como a criação do Território Federal do Guaporé, a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré e, posteriormente, da rodovia BR364, buscaram fortalecer a presença do Estado brasileiro e integrar a Amazônia Ocidental ao restante do país.

( ) Atualmente, a região continua sendo estratégica, enfrentando desafios relacionados ao controle das fronteiras internacionais, à circulação de pessoas e mercadorias, às migrações e à atuação do Estado na garantia da soberania nacional.


As afirmativas são, respectivamente,


A

V – F – V.


B

V – V – F.


C

F – V – V.


D

F – V – F.


E

V – V – V.

 
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