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Em relação ao sistema colonial português na América, que articulou exploração econômica, imposição cultural e administração centralizada, assinale a alternativa INCORRETA.
O sistema de capitanias hereditárias, instituído com base na concessão de extensos lotes territoriais, conferiu aos donatários prerrogativas administrativas e jurídicas significativas. Embora atuassem sob normas gerais estabelecidas pela Coroa, dispunham de margem de gestão local que, em certos casos, ampliou a percepção de relativa autonomia no exercício do poder.
O pacto colonial consolidou-se como um conjunto de práticas econômicas e regulatórias que subordinavam a colônia aos interesses metropolitanos, impondo limites à circulação de mercadorias, ao comércio externo e ao desenvolvimento de atividades produtivas autônomas, práticas que buscavam garantir o controle fiscal e monopolista da Coroa portuguesa.
A escravização indígena foi tema de intensos debates no período colonial e, apesar de restrições legais terem sido promulgadas desde o século XVI, a prática continuou ocorrendo sob diferentes justificativas, como guerras justas ou acusações de antropofagia, evidenciando contradições entre a legislação e o cotidiano colonial.
A instituição do governo-geral, criada para fortalecer a presença régia e promover maior coordenação administrativa, acabou sendo interpretada por parte da historiografia como responsável por fragmentar ainda mais o território colonial, uma vez que teria reduzido a capacidade de articulação entre as capitanias ao concentrar decisões nas autoridades locais.
As missões jesuíticas, além de promoverem a catequese e a organização das populações indígenas convertidas, exerceram influência direta sobre processos de ocupação territorial, rotas de deslocamento, definição de aldeamentos e introdução de atividades econômicas, atuando como agentes importantes na integração e controle de espaços coloniais.
O período que antecedeu e sucedeu a Abolição da Escravidão (1888) e a Proclamação da República (1889) no Brasil foi marcado por profundas transformações na organização sociopolítica, econômica e cultural do país. A crise da monarquia, o enfraquecimento da economia escravista e o surgimento de novas elites urbanas e militares reorganizaram as relações de poder, estabelecendo novos desafios para a inclusão social e a integração econômica de ex-escravizados e trabalhadores livres. Diante desse contexto, assinale a alternativa que apresenta a interpretação correta sobre a relação entre a Abolição e a República e seus impactos sociopolíticos e econômicos:
A Abolição e a República transformaram igualmente todas as regiões do país, promovendo homogeneidade econômica, social e política em nível nacional.
A Proclamação da República ocorreu de forma independente da crise da monarquia e do movimento abolicionista, sem relação direta com as transformações econômicas e sociais do país.
A Abolição da Escravidão promoveu a imediata igualdade econômica e social entre ex-escravizados e elites agrárias, garantindo inclusão política plena na República.
O movimento republicano utilizou a crise da monarquia e o descontentamento urbano e militar para consolidar novas estruturas de poder, enquanto a Abolição da Escravidão, sem políticas de integração, manteve profundas desigualdades sociais.
Leia o texto.
“As pessoas (…) tanto homens quanto mulheres, andam nuas assim como suas mães as pariram, exceto algumas das mulheres que cobrem suas partes com uma única folha de grama ou tira de algodão (…). Eles não possuem armas, exceto varas cortadas (…) e têm receio de usá-las. Entregavam o que quer que possuíam, jamais recusando qualquer coisa que fosse pedida.
Carta de Cristóvão Colombo, 15 de fevereiro de 1493.
Assinale a alternativa correta sobre o texto.
Trata da descrição de povos ancestrais encontrados pelos portugueses ao chegarem às terras americanas.
Descreve hábitos e o caráter amistoso dos povos ancestrais encontrados pelos espanhóis ao chegarem ao continente mais tarde denominado América.
É o relato da chegada dos portugueses, comandados por Pedro Álvares, às terras brasileiras.
Relata o espanto por parte dos europeus com a nudez dos homens e mulheres, bem como o caráter hostil e belicoso dos nativos.
O autor espanta-se com o desenvolvimento técnico das populações americanas, notadamente a fabricação de peças de vestuário e ornamentos com os quais cobriam seus corpos.
Preencha corretamente as lacunas do texto:
O processo de abolição da escravidão no Brasil ocorreu de forma gradual e sob forte pressão social, destacando-se marcos como a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885), que não extinguiram o sistema escravocrata, mas abriram fissuras legais na sua reprodução. A abolição definitiva foi instituída em 1888 por meio da Lei ______, assinada pela princesa-regente ________ , em um contexto de intensificação do abolicionismo popular, fugas, atuação de sociedades emancipacionistas e redes de apoio a quilombos urbanos e rurais.
Paralelamente, o Movimento Republicano ganhou força sobretudo a partir do Manifesto de _______ , que consolidou o discurso republicano moderno no país. No plano geopolítico interno, cafeicultores do Oeste Paulista aderiram crescentemente ao ideal republicano, impulsionados por pautas como o federalismo, maior autonomia provincial e defesa de interesses econômicos conectados ao capital _________, predominante na infraestrutura e no financiamento externo da época. A Proclamação da República (1889) ocorreu sob liderança militar, mas com apoio civil de setores das elites regionais, instaurando um novo pacto de poder conhecido posteriormente como República ________, de fortes traços oligárquicos.
Assinale a alternativa correta:
Áurea, Isabel, 1870, francês, Democrática, da Espada
Áurea, Isabel, 1870, britânico, da Espada, Oligárquica
Áurea, Isabel, 1889, chinês, Liberal, Constitucional
Bilateral, Leopoldina, 1824, britânico, Integralista, Oligárquica
“A resistência indígena não é um movimento de revolta contra o sistema, mas uma afirmação contínua de outras formas de existência. (…) Resistir é persistir nesse diálogo — mesmo quando eles chamam nossa terra de ‘recurso’ e nossa existência de ‘obstáculo’.”
Fonte: KRENAK, Ailton. Ideias para Adiar o Fim do Mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019, p. 28-29.
Considerando as práticas escravistas e a resistência dos povos indígenas no período colonial brasileiro, assinale a opção correta.
Promulgado por Pombal em 1757, o Diretório substituiu a administração jesuítica das aldeias indígenas por diretores da Coroa, fomentou a miscigenação e a assimilação cultural e proibiu formalmente a escravização indígena.
A conquista dos sertões da América portuguesa foi facilitada pela incapacidade dos povos indígenas de estabelecer alianças entre si e impor derrotas sistemáticas aos avanços dos colonizadores.
A escravidão indígena no Piauí colonial foi a base tanto da economia pastoril quanto do povoamento da capitania e incluiu, entre os povos escravizados, os Acroá, Gueguê e Timbira.
A escravidão indígena foi uma prática marginal e de pequena escala, sendo rapidamente substituída pela mão de obra africana, ainda no século XVII.
A categoria de guerra justa foi ignorada pela Igreja nos primeiros contatos com os indígenas, o que tornou ambígua a situação do trabalho compulsório desses povos ao longo de todo o período colonial.
Considera-se que o Brasil foi a região participante do tráfico transatlântico que mais recepcionou africanos nas Américas até o século XIX, absorvendo quase 45% do número de desembarcados no continente. Apesar disto, outras regiões que absorveram percentuais muito menores contaram com populações escravizadas muito maiores. A respeito do tráfico transatlântico e da escravização de africanos e de seus descendentes no Brasil, assinale a opção correta.
As relações de compadrio envolviam senhores e pessoas escravizadas, uns batizando os filhos dos outros indistintamente e a despeito da condição civil de cada um.
Nas sociedades do Antigo Regime, marcadas pelo patriarcalismo, a condição civil das crianças seguia a do pai; assim, os filhos de uma mulher escravizada, tidos com um homem livre, eram livres e os de um homem escravizado, tidos de uma mulher livre, eram escravizados também.
A divisão técnica do trabalho era inviabilizada pelo desinteresse das pessoas escravizadas em trabalharem produtivamente.
As regiões exportadoras de mercadorias, como as do açúcar, do ouro e do café, foram aquelas que, ao longo do tempo, concentraram a maior parte da população escravizada.
A captura, o aprisionamento e a venda de pessoas na África para o tráfico transatlântico era um empreendimento europeu, viabilizado pela formação das colônias europeias naquele continente desde o século XVI.
Dadas as afirmativas acerca dos movimentos abolicionistas no Brasil,
I. Joaquim Nabuco, político e escritor pernambucano, foi uma das principais vozes do abolicionismo parlamentar, atuando tanto na Sociedade Antiescravidão quanto na divulgação de obras como “O Abolicionismo”.
II. No nordeste, clubes abolicionistas foram especialmente ativos em cidades como Recife e Fortaleza, promovendo campanhas de arrecadação para alforrias e mobilizando a imprensa.
III. A participação popular foi marcante, como no Ceará, onde jangadeiros se recusaram a transportar escravizados, contribuindo para que a província decretasse o fim da escravidão em 1884, antes da Lei Áurea.
verifica-se que está/ão correta/s
I, apenas.
II, apenas.
I e III, apenas.
II e III, apenas.
I, II e III.
O desejo de encontrar metais preciosos impulsionou os exploradores ibéricos desde o início do processo de colonização. A descoberta dessas riquezas minerais era concebida pela Coroa Portuguesa como a principal solução para as dificuldades econômicas enfrentadas pelo reino.
Analise os itens a seguir:
I. Os conflitos entre paulistas e recém-chegados, chamados pejorativamente de emboabas, na região das lavras auríferas, culminaram no episódio conhecido como Guerra dos Emboabas, ocorrido entre 1707 e 1709.
II. Em 1720, Filipe dos Santos liderou cerca de dois mil mineiros contra a instalação das casas de fundição e os altos preços das mercadorias em Vila Rica. O Conde de Assumar organizou tropas e reprimiu o movimento, que ficou conhecido como Revolta de Filipe dos Santos.
III. No início do século XVIII, com a expansão da atividade mineradora, a cidade do Rio de Janeiro tornou-se o principal centro de ligação entre a Europa, as Minas Gerais e o restante da colônia.
É CORRETO o que se afirma em:
II, III, apenas.
I, apenas.
III, apenas.
I, II, III.
O movimento abolicionista no Brasil foi liderado exclusivamente por forças políticas do governo central, sem a participação ativa de escravizados, intelectuais ou outras figuras da sociedade civil na luta pelo fim da escravidão.
Certo
Errado
Leia este trecho de P. Leroy-Beaulieu, professor do College de France, diretor do Économiste Français, publicado em 1891, sobre a política colonial europeia no século XIX:
"Não é natural, nem justo, que os países civilizados ocidentais se amontoem indefinidamente e se asfixiem nos espaços restritos que foram suas primeiras moradas, que neles acumulem as maravilhas das ciências, das artes, da civilização, que eles vejam, por falta de aplicações remuneradoras, a taxa do juro dos capitais cair em seus países cada dia mais e que deixem talvez a metade do mundo a pequenos grupos de homens ignorantes, impotentes, verdadeiras crianças débeis, dispersos em superfícies incomensuráveis, ou então a populações decrépitas, sem energia, sem direção, verdadeiros velhinhos incapazes de qualquer esforço, de qualquer ação ordenada e previdente" (P.Leroy-Beaulie. In: Beaud, 1987, p. 231-232).
Nesse sentido, é correto afirmar que a política colonial europeia do século XIX teve por desdobramento
preponderância dos investimentos comerciais sobre os investimentos de capitais.
adoção da política econômica mercantilista.
restrição das relações de produção e troca capitalistas.
carnificina gigantesca na Primeira Guerra Mundial.
crise do capitalismo monopolista e do capital financeiro.
Considerando a História do Brasil Colonial, analise as afirmativas.
I. A economia açucareira articula engenhos, capitais mercantis europeus, crédito, escravização africana e mercados externos.
II. A sociedade envolve grandes proprietários, setores urbanos intermediários, artesãos, agregados e grupos submetidos a trabalho compulsório.
III. A cultura colonial mistura referências europeias, indígenas e africanas em festas, religiosidade, língua e práticas do cotidiano.
IV. Relações entre Colônia e Metrópole garantem liberdade ampla de comércio, com fiscalização reduzida.
V. A administração combina órgãos da Coroa, presença religiosa e autoridades locais, com disputas por espaços de poder.
Marque a opção que apresenta as afirmativas CORRETAS.
I – II – III.
I – II – V.
II – III – IV.
I – III – V.
I – II – III – V.
Desde o período colonial, a região dos vales dos rios Guaporé e Madeira ocupou posição estratégica na definição das fronteiras amazônicas. A respeito do papel histórico e atual da região citada, avalie as afirmativas a seguir e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.
( ) Nos primeiros séculos da colonização, a presença portuguesa na região esteve associada à exploração econômica, à navegação fluvial e à necessidade de assegurar a posse territorial frente ao império espanhol.
( ) Ao longo do século XX, políticas de integração nacional, como a criação do Território Federal do Guaporé, a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré e, posteriormente, da rodovia BR364, buscaram fortalecer a presença do Estado brasileiro e integrar a Amazônia Ocidental ao restante do país.
( ) Atualmente, a região continua sendo estratégica, enfrentando desafios relacionados ao controle das fronteiras internacionais, à circulação de pessoas e mercadorias, às migrações e à atuação do Estado na garantia da soberania nacional.
As afirmativas são, respectivamente,
V – F – V.
V – V – F.
F – V – V.
F – V – F.
V – V – V.
O sistema colonial implementado por Portugal no Brasil baseou-se exclusivamente na exploração do pau-brasil nos primeiros séculos, sem a significativa utilização da mão de obra escrava africana nesse período inicial.
Certo
Errado
O modelo de administração colonial que delegava a particulares povoamento e defesa por carta de doação e foral é:
Regência Trina.
Capitanias hereditárias.
Intendências provinciais.
Vice-reinado centralizado.
A escravidão, herança da Colônia e elemento de sustentação do regime monárquico, foi abolida às vésperas da República na culminância de célere processo político no Parlamento graças ao consenso de conservadores e liberais, o que fez eliminar a necessidade de etapas preparatórias à Lei Áurea.
Certo
Errado
Considerando as relações entre a abolição da escravidão no Brasil e a proclamação da República, é correto afirmar que
o apoio dos chamados “republicanos de 14 de maio” ao movimento republicano foi condicionado ao compromisso com o pagamento de indenizações aos senhores de escravos prejudicados pela Lei Áurea.
o compromisso com a inclusão das pessoas libertas em 1888 no mercado de trabalho foi desdobramento da íntima relação entre o movimento republicano e o movimento abolicionista.
o abolicionismo e o republicanismo pouco mobilizaram a população e ficaram restritos a círculos de intelectuais e políticos.
o compromisso com a abolição da escravidão estava presente desde o início do movimento republicano e constava no Manifesto do Partido Republicano Paulista, em 1870.
o fim da escravidão no Brasil, em regra, era justificado pela razão nacional, ou seja, destacavam-se os aspectos nocivos do sistema para a modernização e o desenvolvimento econômico do país, sendo desconsiderados os direitos individuais das pessoas escravizadas como tema central.
A crise do sistema colonial expressou tensões acumuladas entre colônia e metrópole. Rebeliões locais e circulação de novas ideias políticas evidenciaram esse desgaste. O processo de emancipação não foi homogêneo nem consensual.
Analise as assertivas:
I.As rebeliões refletiram insatisfações regionais.
II.O processo emancipatório foi uniforme em todo o território.
III.Ideias iluministas influenciaram setores coloniais.
IV.A repressão metropolitana foi inexistente.
Está CORRETO o que se afirma em:
II e III, apenas.
I e III, apenas.
II e IV, apenas.
I e II, apenas.
II e IV, apenas.
“Colonialismo é um sistema internacional de exploração econômica [...]. No caso típico, o colonizador controla a colônia através de uma combinação de coerção militar [...]. O papel da colônia é fornecer matérias-primas para que a potência colonial possa fabricar barato seus produtos e, dessa maneira, lucrativamente. Esses bens são em seguida vendidos nos mercados mundiais, que incluem a colônia. A relação colonial é em geral exclusiva, o que significa que a colônia não pode vender suas matérias-primas a mais ninguém e é obrigada a comprar bens acabados apenas do colonizador. Essa relação assegura matérias-primas baratas e um mercado cativo à potência colonial, uma base lucrativa de exploração econômica. ”
(JOHNSON, Allan G. Dicionário de sociologia: guia prático da linguagem sociológica. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997. p. 42.)
Considerando a ocupação territorial do interior baiano durante o período colonial, especialmente no que diz respeito à origem do território que daria lugar ao atual município de Jequié, assinale a afirmativa que apresenta a interpretação mais aderente às evidências históricas conhecidas.
O processo que conduziu ao surgimento de Jequié vinculou-se à doação e posterior fragmentação da sesmaria original, à reorientação das rotas de comércio interno e à afirmação de agentes locais que, articulados ao núcleo feirante e ao desmembramento de Maracás, redefiniram a centralidade regional do território.
A gênese de Jequié decorreu de um plano administrativo da Coroa voltado a ordenar sesmarias estratégicas, instituindo postos militares e mercados oficiais cuja função era articular o sertão baiano à economia atlântica e garantir controle direto dos fluxos comerciais internos.
O estabelecimento de Jequié como núcleo relevante decorreu de uma intervenção direta de autoridades imperiais que, após acolherem aliados políticos vindos da Inconfidência Mineira, implantaram políticas de proteção fiscal que asseguraram benefícios exclusivos à nova localidade.
A formação territorial jequieense resultou essencialmente da política metropolitana de monopolização agrícola, que transformou antigas sesmarias do sertão em áreas voltadas à exportação direta para Lisboa, subordinando o povoado a circuitos coloniais de monopólio comercial.
"O africano Mahommah G. Baquaqua viveu a experiência do tráfico e relatou em um livro publicado em 1854: ‘Quando estávamos prontos para embarcar, fomos acorrentados uns aos outros e amarrados com cordas pelo pescoço e assim arrastados para a beira do mar. O navio estava a alguma distância da praia. Nunca havia visto um navio antes e pensei que fosse algum objeto de adoração do homem branco. Imaginei que seríamos todos massacrados e que estávamos sendo conduzidos para lá com essa intenção. Temia por minha segurança e o desalento se apossou quase inteiramente de mim. Uma espécie de festa foi realizada em terra firme naquele dia. Aqueles que remaram os barcos foram fartamente regalados com uísque e, aos escravos, serviam arroz e outras coisas gostosas em abundância. Não estava ciente de que esta seria minha última festa na África. Não sabia do meu destino. Feliz de mim que não sabia. Sabia apenas que era um escravo, acorrentado pelo pescoço, e devia submeter-me prontamente e de boa vontade, acontecesse o que acontecesse. Isso era tudo quanto eu achava que tinha o direito de saber[...] Fomos arremessados, nus, porão adentro, os homens apinhados de um lado e as mulheres do outro. O porão era baixo que não podíamos ficar de pé, éramos obrigados a nos agachar ou a sentar no chão. Noite e dia eram iguais para nós, o sono nos sendo negado devido ao confinamento de nossos corpos. Ficamos desesperados com o sofrimento e a fadiga. Oh! A repugnância e a imundície daquele lugar horrível nunca serão apagadas da minha memória. Não: enquanto a memória mantiver seu posto nesse cérebro distraído, lembrarei daquilo. Meu coração até hoje adoece ao pensar nisto" (Albuquerque, W.R. de; Filho, W.F., 2006, p. 48).
É correto afirmar que, em suas pesquisas sobre o tráfico negreiro, Albuquerque (2006) evidencia
o enfrentamento das adversidades da escravidão como fator desfavorável à união de grupos étnicos divididos na África por antigas rivalidades.
uma atividade pouco lucrativa devido ao alto índice de mortalidade entre os africanos, explicado por fatores como escassez de alimentos, água, maus-tratos.
o papel de subalternidade dos traficantes de escravos na hierarquia social, já que sobreviviam de uma atividade econômica marcada pelas incertezas da travessia transatlântica.
o papel civilizador exercido pelos escravos africanos ao chegarem ao Brasil, não obstante as péssimas condições de vida a que estavam expostos a bordo dos tumbeiros.
a preocupação dos comerciantes em alojar o menor número possível de escravos nos navios para tornar a viagem mais suportável e diminuir o risco de mortalidade.
A economia açucareira foi o primeiro grande ciclo econômico do Brasil Colonial, fundamental para a fixação portuguesa no território. A estrutura de produção baseava-se na 'plantation'. Considerando as características desse sistema produtivo no nordeste brasileiro, assinale a alternativa correta.
Priorizava o mercado interno colonial, com a produção voltada para o abastecimento das vilas e cidades em crescimento no sul do país.
Caracterizava-se pela policultura de subsistência, pequenas propriedades familiares e uso exclusivo de mão de obra assalariada livre.
Baseava-se no latifúndio, na monocultura de exportação e na mão de obra escrava, predominantemente africana após o declínio da escravidão indígena.
Dependia de mão de obra indígena assalariada através do escambo, sendo o açúcar transportado por navios ingleses sem controle português.