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A intervenção portuguesa na região do rio Madeira, a partir de meados do século XVIII, relaciona-se diretamente às transformações na política territorial da Coroa, após a assinatura do Tratado de Madri (1750). Fundamentado no princípio do uti possidetis, o tratado vinculava o direito ao território à sua efetiva ocupação, levando Portugal a adotar novas estratégias de afirmação do domínio colonial na Amazônia.
Nesse contexto, a reorientação da política territorial portuguesa materializou-se
na criação de vilas em antigos aldeamentos indígenas, substituindo a administração temporal exercida pelas ordens religiosas por um aparato jurídico-institucional diretamente subordinado à Coroa.
na construção de fortificações ao longo do rio Madeira, como o Real Forte Príncipe da Beira, para defesa contra invasões estrangeiras oriundas das Guianas Holandesas e das possessões espanholas.
no ato régio de 1752, que limitava a navegação dos rios Madeira, Mamoré e Guaporé a embarcações autorizadas pela Coroa, como medida para fiscalizar a conexão entre o Estado do Grão-Pará e Maranhão e a capitania do Mato Grosso.
na restrição pombalina à circulação de pessoas relacionadas à interiorização da colonização, como bandeirantes, pecuaristas do Rio São Francisco, marchantes e mineradores, cujas tropas e embarcações eram obrigadas a passar por postos de controle ao longo do Rio Madeira.
na instalação de aduanas ao longo do rio Madeira, com a finalidade de taxar a entrada de mercadorias espanholas provenientes das fronteiras hispano-americanas, permitindo o controle do comércio externo e a fiscalização da circulação de produtos oriundos das possessões castelhanas.
A colonização da América portuguesa integrou um processo mais amplo de expansão europeia e teve impactos duradouros na formação da sociedade brasileira. Considerando esse contexto, assinale a alternativa correta.
A colonização portuguesa foi caracterizada pela ausência de relações econômicas estruturadas, baseando-se apenas na subsistência local.
A organização social no período colonial brasileiro foi baseada na igualdade entre os diferentes grupos sociais envolvidos.
O processo colonial brasileiro contribuiu para a formação de uma sociedade marcada pela diversidade cultural, resultante da interação entre diferentes grupos.
A expansão europeia não teve relação com interesses econômicos, sendo motivada exclusivamente por fatores culturais.
Em 22 de janeiro de 1808, Salvador acolheu festivamente a esquadra que, após quase dois meses de travessia desde Lisboa, conduzia a família real portuguesa. Dois dias depois, consumava-se fato inédito: o desembarque oficial de uma dinastia europeia reinante em solo americano. Tal acontecimento insere-se no contexto das reconfigurações político-econômicas luso-britânicas. Já em 1703, Portugal firmara o Tratado de Methuen, o que na prática, reforçava:
A dependência econômica de Portugal em relação à Inglaterra, ao estabelecer a troca de vinhos portugueses por tecidos ingleses, consolidando a hegemonia manufatureira britânica.
A hegemonia dos franceses sobre o povo português, estabelecendo-se um pacto de obrigações com Napoleão Bonaparte, que impôs a Portugal a exigência de comerciar exclusivamente com a França, por meio do Bloqueio Continental.
Garantia ao Estado português a transferência temporária de sua sede, com todo o aparato administrativo e burocrático, incluindo o tesouro, as repartições, as secretarias, os tributos, os arquivos e os funcionários, sem que houvesse perda da Coroa portuguesa.
A restauração das antigas casas reais que governavam os países europeus antes da Revolução Francesa, consolidando-se como princípio de reorganização política no cenário pós-napoleônico.
Considerando a realidade dos povos originários na América portuguesa, analise as afirmativas a seguir.
I- Os europeus agiam de forma homogênea na organização das atividades do escambo principalmente nas três primeiras décadas do século XVI, trocando bugigangas por pau-brasil.
II- A partir da década de 1530, a ocupação mais sistemática da colônia, com a criação de vilas e das capitanias hereditárias, aumentou consideravelmente os conflitos e as hostilidades entre os povos originários e os europeus.
III- O Regimento do primeiro governador geral, Tomé de Souza, já incluía as diretrizes básicas da política indigenista, recomendando a guerra justa para os índios inimigos.
É CORRETO o que se afirma em:
II e III apenas.
I e II apenas.
I e III apenas.
I, II e III.
I apenas.
Acerca da escravidão e a resistência africana no Brasil colonial, é correto afirmar que
o período colonial do Brasil foi marcado pela economia açucareira, o que tornou a experiência escravista homogênea, sintetizada pela configuração da casa grande e da senzala.
o sistema colonial português foi bem sucedido no isolamento de suas colônias, o que determinou configurações sociais e econômicas incomparáveis com a experiência colonial espanhola.
a escravidão africana foi inserida no atual estado do Piauí no século XIX, quando o trabalho livre do pastoreiro foi trocado pela mão de obra escrava.
o preço da pessoa escravizada alcançava altos valores ao longo de todo o período colonial, a despeito do grande número de africanos traficados para a América portuguesa, o que desestimulou a prática da alforria.
o Quilombo dos Palmares estabelecia relações comerciais dinâmicas com os núcleos populacionais ao seu redor, além de produzir para seu próprio sustento, integrando-se de forma ativa aos circuitos econômicos da região.


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“Na sua faixa litorânea, o Nordeste representou o primeiro centro de colonização e de urbanização da nova terra (...). Até meados do século XVIII, a região nordestina, que era designada como o "Norte", concentrou as atividades econômicas e a vida social mais significativa da Colônia; nesse período, o Sul foi uma área periférica, menos urbanizada, sem vinculação direta com a economia exportadora.”
FAUSTO, Boris. HISTÓRIA DO BRASIL. São Paulo: EDUSP, 1996.
Sobre a formação econômica e territorial do Brasil colonial, assinale alternativa CORRETA:
A centralidade do Nordeste deve-se à maior densidade demográfica indígena na região, independentemente da economia atlântica.
A primazia nordestina decorreu da inserção precoce do açúcar no circuito mercantil europeu, estruturando destacados núcleos urbanos na faixa litorânea, escravidão africana e concentração de poder econômico, na qual a empresa açucareira foi o núcleo central da ativação socioeconômica do Nordeste.
O Sul colonial permaneceu periférico até o século XIX por ausência de atividades econômicas relevantes no contexto da exploração colonial. Tal situação resultou de política deliberada de isolamento comercial imposta pela Coroa portuguesa.
A colonização da Capitania de São Vicente começou, como a do Nordeste, pelo litoral, com o plantio de cana e a construção de engenhos. No entanto, devido ao lucrativo tráfico de escravos, os paulistas abandonaram a produção açucareira e se dedicaram à preação indígena no interior da colônia.
Longe do centro principal da vida da Colônia, o Norte geográfico do Brasil viveu uma existência muito diversa do Nordeste. A colonização ocorreu aí lentamente, a integração econômica com o mercado europeu foi precária até fins do século XVIII onde predominou o trabalho compulsório africano.
"Guardam-se no Arquivo Público do Estado do Pará (APEP) e no Arquivo Público do Maranhão (APEM) importantes manuscritos relativos aos indígenas do Piauí colonial, sobretudo do período de 1738 a 1774. (..). A referência a 1738 é importante por ter sido aquela data o momento de uma célebre reunião da “Junta de Missões”, ocorrida em São Luís, no palácio do governador do Maranhão, para deliberar, pela primeira vez, a favor de uma “guerra defensiva” contra os povos nativos do Piauí, notadamente as nações indígenas “Gilboé”, “Guegué”, “Acoroá”, “Paracaty” e “Timbira”, todos disseminados pelo vasto sertão que abrange desde a margem esquerda do rio São Francisco até a direita do Parnaíba, com seus principais afluentes do lado direito: Uruçuí, Piauí, Itaueira, Gurgueia, Canindé, Poti e Longá.
Pelos dizeres do Termo da Junta, os fazendeiros e demais moradores das ribeiras do Itapecuru e do Parnaíba reivindicam conjuntamente do governador do Maranhão o direito de organizarem “bandeira para expulsarem o dito gentio pondo-se em seu seguimento até se lhe dar nas Aldeias” e solicitam, através da Junta de Missões, uma “ajuda de custo de pólvora, e chumbo, e armas”. Pedem também o apoio de “ordenanças [tropas de linha] daqueles distritos, para andarem na campanha todo o tempo que for preciso em seguimento dos ditos gentios”. Insistem, em uma só voz, para que o cabo da expedição seja o sargento-mor João do Rego Castelo Branco, já famoso no Piauí e Sul do Maranhão pelas mortandades que fazia entre os índios, quando convocado para chefiar as tais “bandeiras”, no sertão."
CARVALHO, João Renôr Ferreira de. Resistência Indígena no Piauí Colonial: 1718-1774. Imperatriz: Ética editora. 2005.
Considerando o texto acima e o processo de interiorização da colonização portuguesa na América, assinale a alternativa CORRETA:
A expressão “guerra defensiva” corresponde, no caso descrito, à aplicação rigorosa da doutrina escolástica da guerra justa, assegurando limites humanitários estritos à ação militar, tendo nas bandeiras a configuração de um fenômeno privado e desvinculado da estrutura política colonial.
A deliberação da Junta de Missões revela coexistência entre linguagem jurídica legitimadora (guerra defensiva/justa) e prática efetiva de guerra de conquista, impulsionada pela expansão pecuarista e enfrentando resistência indígena territorialmente estruturada.
A menção às ordenanças demonstra que o Estado português já operava sob modelo moderno de exército nacional permanente, desvinculado de interesses coloniais privados, tendo a organização das bandeiras no Piauí o exemplo mais acabado da relação com o processo mais amplo de interiorização e ampliação territorial da América portuguesa.
A resistência indígena mencionada no texto foi marginal e incapaz de influenciar decisões administrativas coloniais, o que faz da prática de “terra arrasada” descrita no texto uma exceção ocasional, alheia à lógica estrutural da colonização.
A decisão da Junta de Missões demonstra aplicação coerente e uniforme da doutrina da guerra justa, sem divergência entre norma jurídica e prática militar.
Leia o trecho a seguir.
O bandeirismo no período colonial deu origem a democracia brasileira, graças a mobilidade externa que conseguiu uma geografia antitotalitária; hierarquização do negro e do índio, que foram deslocados do comunismo tribal para a área social em que operavam os bandeirantes; absorção de grupos étnicos através da assimilação de seus elementos; desfeudalização dos engenhos. O objetivo era incrementar o povoamento. O “Projeto Rondon”, hoje em pleno desenvolvimento, completa o bandeirismo. Portanto, o bandeirismo como foi praticado pelos paulistas durante três séculos pertence, naturalmente, a História. Até hoje existe uma “personalidade bandeirante” na sociedade brasileira. Quando se fala em “Estado bandeirante”, já se sabe qual é; “povo bandeirante”, também. Mas “bandeirar”, hoje em dia, é imposição do Brasil inteiro, que atende ao seu “imperialismo interno” e depende, muito ainda, da aventura criadora tradicional do período colonial.
Adaptado de: RICARDO, Cassiano. Marcha para Oeste. São Paulo: Universidade de São Paulo, 4 edição, 1970, pp. xxxi – xxxix.
O trecho, de Cassiano Ricardo, ideólogo do Estado Novo e publicado em 1940, serviu de base para a política de “Marcha para o Oeste” do governo Vargas.
Com base na sua leitura, é correto afirmar que a imagem do bandeirismo do período colonial brasileiro foi usada pelo governo Vargas como símbolo de
decadência, ao destacar o período colonial como atrasado, em consonância com o projeto modernizador e de desenvolvimento do Estado Novo para a superação desse passado.
expansão territorial, ao destacar a ampliação do espaço geográfico e a ocupação do interior do país, em consonância com os projetos do Estado Novo de integração do território nacional.
heroísmo, ao destacar o extermínio dos povos nativos pelos bandeirantes como elemento positivo, em consonância com o projeto do Estado Novo de conquista e integração das populações indígenas ao Estado brasileiro.
mobilidade social, ao destacar a participação igualitária dos grupos sociais na sociedade brasileira, em consonância com o ideal de democracia racial defendido pelo Estado Novo.
valentia, ao destacar a atuação dos bandeirantes europeus na ocupação do território nacional, em consonância com a busca do Estado Novo por modelos estrangeiros para a construção da identidade nacional.
A criação do Governo-Geral representou uma mudança significativa na administração do Brasil Colônia.
Sobre esse contexto histórico, assinale a alternativa correta:
O Governo-Geral foi criado para substituir a exploração econômica da colônia por atividades industriais.
A criação do Governo-Geral visava descentralizar ainda mais o poder administrativo nas capitanias.
O Governo-Geral foi instituído para centralizar a administração colonial, tendo como primeiro governador Tomé de Souza e sede em Salvador.
O Governo-Geral eliminou completamente a influência da Coroa portuguesa sobre o território colonial.
A crise do sistema colonial expressou tensões acumuladas entre colônia e metrópole. Rebeliões locais e circulação de novas ideias políticas evidenciaram esse desgaste. O processo de emancipação não foi homogêneo nem consensual.
Analise as assertivas:
I.As rebeliões refletiram insatisfações regionais.
II.O processo emancipatório foi uniforme em todo o território.
III.Ideias iluministas influenciaram setores coloniais.
IV.A repressão metropolitana foi inexistente.
Está CORRETO o que se afirma em:
II e III, apenas.
I e III, apenas.
II e IV, apenas.
I e II, apenas.
II e IV, apenas.


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A passagem do regime monárquico para o republicano no Brasil não ocorreu de forma imediata e estável, sendo marcada por um período de transição.
Com base nesse contexto, assinale a alternativa correta:
Após a queda de D. Pedro II, houve um período de instabilidade política e econômica que perdurou até a eleição do primeiro presidente civil escolhido diretamente pelo voto.
O período entre a queda de D. Pedro II e a eleição de Prudente de Morais foi marcado por estabilidade política e crescimento econômico contínuo.
A transição entre Império e República ocorreu de forma imediata e estável, com a eleição direta do primeiro presidente logo após a queda de D. Pedro II.
A eleição de Prudente de Morais ocorreu ainda durante o regime monárquico, sendo ele o último chefe de governo do Império.
"Por volta da segunda metade do século XVI, a oferta de escravos indígenas começou a declinar e os africanos começaram a chegar em maior quantidade para substituí-los. Diversos fatores levaram à substituição do índio pelo africano" (Albuquerque, W.R. de; Filho, W.F, 2006, p. 40).
De acordo com Albuquerque (2006), são fatores que explicam a substituição do “negro da terra” pelo “negro da Guiné” na América portuguesa, EXCETO:
as epidemias, que dizimaram grande número dos que trabalhavam nos engenhos ou que viviam em aldeamentos organizados pelos jesuítas.
a preferência dos portugueses pelos africanos, devido ao maior vigor dos negros para os trabalhos braçais.
a fuga dos indígenas para o interior do território, o que provocou aumento dos custos de captura e transporte de cativos até os engenhos e fazendas do litoral.
o apresamento de indígenas, que não atendia ao interesse da Coroa portuguesa de ligar o Brasil ao comércio europeu e africano.
as comunidades indígenas, que não se firmaram como fornecedoras regulares de cativos, o que dificultou a formação de redes comerciais para atender à demanda crescente de mão de obra.
A respeito da administração portuguesa na América, podemos afirmar como CORRETO o que se apresenta a seguir:
Reinol: pessoa que recebia, por concessão, uma parcela de terras de uma capitania com a finalidade de povoá-la e torná-la produtiva, assumindo responsabilidades ligadas ao cultivo e à ocupação do território colonial.
Foral: carta oficial que instituía os direitos e deveres dos donatários, estabelecendo normas administrativas, fiscais e jurídicas relativas à organização das capitanias.
Sesmaria: denominação atribuída ao habitante do reino, no caso, do Reino de Portugal, especialmente àquele que se deslocava para a América Portuguesa durante o processo de colonização.
Sesmeiro: expressão utilizada para referir-se ao horror sofrido pelos colonizadores diante das dificuldades encontradas no processo de ocupação e exploração das terras americanas.
Por não aderir ao bloqueio continental contra a Inglaterra, decretado por Napoleão Bonaparte, a Coroa portuguesa ameaçada pelas tropas napoleônicas, transferiu sua sede para a colônia Brasil, apoiada pela marinha inglesa, sediando-se na cidade do Rio de Janeiro. Em decorrência dos acordos entre as duas nações, D. João assinou os Tratados de Comércio de 1810 que previam:
uma taxa de imposto de 30% como taxação ás mercadorias oriundas da França, pois esta era considerada "nação inimiga”, extensiva a todos os países que estavam sob o dominio do império francês.
a entrada de mercadorias inglesas pagando 15% de impostos sobre o seu valor, enquanto que a alíquota cobrada para as outras "nações amigas”, seria 24%, mas o maior significado político desse acordo foi a definição do Brasil como centro da monarquia portuguesa.
a abolição imediata da escravidão africana nas terras do Brasil, dando a Inglaterra o direito de intervir militarmente em navios que continuassem a realizar o tráfico de escravos, mesmo que estas navegassem em águas próximas ao litoral brasileiro, assim como a suspensão da exportação dos seus produtos industrializados para o Brasil.
a liberação da implantação de pequenas indústrias no território brasileiro, como a de tecidos de algodão e fabricação de aguardente, mas mantinha a restrição a ourivesaria e a fabricação do açúcar.
Sobre o escravismo na América portuguesa, é CORRETO afirmar que:
há registros historiográficos que, no século XVI, senhores concediam liberdade aos seus escravos apenas por ter uma atitude generosa. Esses senhores eram conhecidos como homens bons, cristãos e dedicados ao Reino.
a alforria só poderia ser adquirida por meio de pagamento em dinheiro, mesmo que o montante fosse parcelado em suaves prestações.
a partir do século XVII, os escravos que sofriam maus-tratos do seu proprietário podiam trocar de senhor ou entrar com uma ação judicial de liberdade.
uma das características da alforria na América portuguesa era que, após a assinatura da carta de liberdade, o ato não poderia ser revogado. Aliberdade do antigo escravo deveria ser respeitada.
a legislação do século XVII garantia ao escravo um dia de folga por semana, o domingo – Dia do Senhor. Neste dia, devido ao cristianismo oficial presente na América portuguesa, eles não podiam trabalhar nem para os senhores nem na produção dos seus alimentos.


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A crise do sistema colonial brasileiro, intensificada ao longo do século XVIII e início do século XIX, esteve relacionada a transformações econômicas, políticas e ideológicas no mundo atlântico, bem como a tensões internas da própria colônia. Rebeliões locais expressaram descontentamentos diversos, enquanto o processo de emancipação política resultou de negociações, conflitos e rearranjos de poder entre elites coloniais e a metrópole. Com base nesse contexto, analise as afirmativas a seguir.
I.As rebeliões coloniais, como a Inconfidência Mineira e a Conjuração Baiana, revelaram críticas ao pacto colonial, ainda que expressassem interesses sociais distintos.
II.A crise do sistema colonial esteve vinculada ao esgotamento de atividades econômicas tradicionais e ao aumento da pressão fiscal exercida pela Coroa portuguesa.
III.O processo de emancipação política do Brasil resultou exclusivamente de revoltas populares armadas, sem participação significativa das elites coloniais.
IV.As ideias iluministas e os acontecimentos internacionais influenciaram setores da sociedade colonial, contribuindo para questionamentos da dominação metropolitana.
Assinale a alternativa correta.
Apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.
As afirmativas I, II, III e IV são verdadeiras.
Apenas as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.
Apenas as afirmativas I, II e III são verdadeiras.
Apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.
“Se a vila se modificou para se vestir como capital do império português, as permanências são evidentes. Suas casas e traçados coloniais, suas festas tomadas por costumes africanos, seus hábitos alimentares orientais... nada permite duvidar de um universo obrigatoriamente plural”
SCHWARCZ, Lilia Moritz. D. João carioca: a corte portuguesa chega ao Brasil (1808-1821). São Paulo: Companhia das Letras, 2008.
Considerando o texto e a historiografia sobre a transferência da Corte portuguesa para o Brasil em 1808, assinale a alternativa CORRETA.
A vinda da Corte representou ruptura completa com o sentido colonial da economia brasileira.
A economia colonial manteve sua orientação estrutural exportadora após 1808, fato esse que explica a manutenção da organização política da colônia no período joanino.
A instalação da Corte no Rio de Janeiro representou estratégia de preservação da soberania portuguesa frente às invasões napoleônicas e implicou reconfiguração políticoadministrativa que elevou o Brasil de colônia a centro do Império.
A presença da Corte extinguiu as hierarquias sociais coloniais, promovendo igualdade jurídica entre livres, libertos e escravizados.
Com a transferência da Corte, o “sentido da colonização”, uma vez voltado para o mercado externo, sofreu uma alteração automática garantindo a inserção dependente da economia brasileira no sistema atlântico.
O contato inicial entre portugueses e povos indígenas no território brasileiro passou por transformações ao longo do processo colonizador.
Assinale a alternativa correta sobre esse contexto:
Desde o primeiro contato, portugueses e indígenas mantiveram relações exclusivamente pacíficas e comerciais.
Os indígenas recusaram qualquer tipo de contato com os portugueses, evitando interações desde o início.
O contato inicial foi relativamente cordial, mas conflitos surgiram com a imposição do trabalho e da exploração colonial.
Os indígenas foram imediatamente integrados à sociedade portuguesa sem resistência ou conflitos.
Durante o período da União Ibérica (1580-1640), o Brasil tornou-se alvo de investidas de potências rivais da Espanha. A mais significativa delas resultou na ocupação de parte do Nordeste brasileiro por quase um quarto de século, com a instalação de um governo e projetos de colonização. Esse evento histórico é conhecido como:
Invasões Francesas do Rio de Janeiro.
Ocupação Inglesa da Bahia.
Bloqueio Continental Napoleônico.
Expedição Espanhola ao Amazonas.
Invasões Holandesas.
“os ensaios sediciosos do final do século XVIII anunciam a erosão de um modo de vida. A crise geral do Antigo Regime desdobra-se nas áreas periféricas do sistema atlântico – pois é essa a posição da América portuguesa – apostando para a emergência de novas alternativas de ordenamento da vida social” (Jancsó, 1997, p. 388).
Fonte: JANCSÓ, István. A sedução da liberdade. In: MELLO E SOUSA, Laura de (Org.). História da vida privada na América portuguesa. Vol.1. São Paulo: Companhia das Letras,1997.
Considerando essa temática, analise as proposições a seguir.
I- Os ensaios sediciosos do final do século XVIII são especificamente os que ocorreram na Bahia, em decorrência do fato da perda de poder da elite em ocasião da transferência da capital de Salvador para o Rio de Janeiro.
II- Percebe-se que, nas sedições intentadas na América portuguesa da última quadra do século XVIII, os homens procuraram respostas políticas para a crise que se espraiava no interior do sistema.
III- Na Bahia dos finais do século XVIII, percebe-se que, entre os aderentes à trama sediciosa aí em curso, a rejeição de normas de comportamento prescritas pela Igreja assumia, na transgressão de padrões de comportamento consagrados, um significado político.
IV- Pode-se afirmar que os ensaios sediciosos do final do século XVIII marcaram o início de um processo de experiência política que gerou, nas primeiras décadas do século XIX, tanto os artífices da política conservadora quanto a ação da emergente geração de democratas radicais.
É CORRETO o que se afirma em:
I, II e III apenas.
II, III e IV apenas.
I e II apenas.
II e III apenas.
I, II, III e IV.


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