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“[...] Em 1548, D. João III decidiu estabelecer um novo controle régio, nomeando um governador-geral e outros representantes da Coroa que viriam residir na colônia. [...] Salvador virou a sede do novo governo, da Suprema Corte e dos principais agentes fiscais do rei. [...] No entanto, a despeito das tentativas da metrópole de controlar a colônia, a descentralização era evidente. [...]”
SCHWARCZ, Lilia M.; STARLING, Heloisa M. Brasil: uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 67.
Segundo as autoras do trecho destacado, as tentativas de centralizar as atividades de controle da colônia tomadas pela Coroa portuguesa, resultaram em insucesso porque:
considerando a distância da colônia em relação à metrópole e as dificuldades de fiscalização, os governadores-gerais costumavam exacerbar os poderes recebidos, gerando grande rejeição de sua autoridade por parte dos colonos.
durante grande parte do período colonial era, sobretudo, dos engenhos com suas casas grandes que emanava todo poder político e social, de base local, o que dificultava a ação centralizadora do governo-geral.
organizados de forma autônoma e com recursos próprios desde a implantação do sistema de sesmarias, os grandes senhores rejeitavam o governador-geral porque não foram considerados pela Coroa na indicação dos nomes para ocupar o cargo.
tendo em vista a diversidade de atividades econômicas que se desenvolveram ao longo do imenso território que constituía a colônia portuguesa, as demandas postas ao governador-geral exigiram dele respostas distintas para cada situação.